Correio da Manhã


 


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Reprodução Web
Correio da Manhã : Citado no Livro de Henrique Magalhães “Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor”

Um dos mais respeitáveis e longevos periódicos do país, o Correio da Manhã nasceu

bastante modesto. Sua primeira edição, de 15 de junho de 1901, tinha apenas seis páginas, sendo três ocupadas por anúncios. Com formato standard e periodicidade diária, não trazia manchetes, como boa parte dos jornais de sua época. A primeira página apresentava apenas um título grande e o texto se distribuía por oito colunas, além de não publicar fotogravuras, só desenhos.

Na primeira página vinham assuntos nacionais, acontecimentos de destaque no Rio de Janeiro, críticas, editoriais e troças com a política e a sociedade cariocas. Na segunda página figurava o noticiário internacional (que passaria à primeira página nos períodos das grandes guerras), de conteúdo fornecido pela agência de notícias Havas. O diário apresentava ainda as editorias “Seção de Comércio”, “Letras e Artes”, “Dia Social”, “Teatro” e “Dia da Caserna”.


Em 1906 o jornal se tornou o primeiro periódico brasileiro a apresentar um caderno especial aos domingos, agora já com fotogravuras. Em 1929, novas rotativas foram instaladas nas oficinas do Correio da Manhã, que em 1933 possibilitaram algumas inovações editoriais, como a criação de manchetes e de seções infantis, femininas, de rádio e de agricultura, entre outras. Em 1959, o jornal passou a ter um segundo caderno em definitivo, e em 1962 edições impressas a cores, como os cadernos de quadrinhos destinados ao público infanto-juvenil. Nos seus melhores momentos, as tiragens diárias do Correio da Manhã foram superiores a 200 mil exemplares.


Fundado por um jovem advogado idealista chamado Edmundo Bittencourt, o Correio da Manhã é considerado hoje um dos mais importantes jornais brasileiros do século XX, introdutor de uma ética própria e de refinamentos textuais que se transformariam na sua marca. Nascido numa época em que a imprensa costumava fazer sempre o jogo do poder, o periódico primava por seu caráter independente, liberal e doutrinário, dentro de uma linha editorial combativa. Identificava-se com a classe média do Rio de Janeiro e apresentando muitas vezes aos leitores textos de forte carga emocional.

Ao longo do tempo desenvolveu também certa preocupação estética inovadora, marcada pela crescente valorização de ilustrações e fotos. Ademais, o Correio da Manhã sempre se posicionava a favor de medidas modernizadoras e contra as oligarquias que, aliadas às forças governamentais, bloqueava na sua opinião o acesso do povo a alguns de seus direitos fundamentais.


Desde a primeira edição o Correio da Manhã caracterizou-se, nas palavras de Nélson Werneck Sodré, por um “ferrenho oposicionismo, de extrema virulência”, em contraste, ainda segundo o historiador, com o “extremo servilismo” adotado por jornais concorrentes.

O jornal manteve-se fiel a essa linha inicialmente fazendo oposição ao governo Campos Salles, e mais tarde à ditadura de Getúlio Vargas, ao governo de João Goulart e, por fim, ao regime civil-militar instaurado em 1964. Por outro lado, posicionou-se favoravelmente diante de históricos que testemunhou, como ao engajamento brasileiro na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, instando os diferentes governos a se aliarem a causas que considerava patrióticas.


Mesmo os seus eventuais equívocos teriam sido no sentido de defender os direitos dos cidadãos. É o caso da histórica campanha que o jornal moveu contra a vacinação obrigatória contra a varíola imposta pelo governo federal por inspiração do médico sanitarista Oswaldo Cruz.

O Correio da Manhã condenou de forma veemente a vacinação em massa, e sua posição pode ter insuflado a Revolta da Vacina, que entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904 transformou a centro da antiga capital federal numa praça de guerra, deixando o saldo de 30 mortos.

O que chegou a ser visto com uma atitude reacionária e obscurantista do Correio da Manhã, já que se conhecem os benefícios da vacinação, especialmente para aquela época, quando o Rio de Janeiro era uma cidade das mais insalubres, hoje historiadores tendem a considerá-la como uma questão de princípios. O que o jornal se negava a admitir era aquela intervenção do poder central que considerava radical na vida pessoal dos brasileiros.


Por essas e outras, o Correio da Manhã foi sempre muito visado pelo poder. Em 31 de agosto de 1924, o jornal chegou a ser fechado pelo presidente Artur Bernardes, sob a acusação de estar imprimindo clandestinamente o folheto Cinco de Julho, em apoio aos 18 do Forte.

Em 20 de maio de 1925 o periódico foi reaberto, sob a direção provisória do senador Moniz Sodré. Poucos anos depois, Edmundo Bittencourt passava a direção e a propriedade do jornal ao seu filho, Paulo Bittencourt, que assumiu a 17 de março de 1929. Em 2 de agosto de 1963, com o falecimento de Paulo Bittencourt, Niomar Moniz Sodré (sua esposa e filha do senador Moniz Sodré) passou a ocupar o cargo de diretora-presidente do jornal.

Desde 16 de julho daquele ano, uma grande reforma gráfica já estava em curso. O Correio da Manhã passava a ter menos blocos de texto, privilegiando os espaços em branco (sobretudo no segundo caderno) e emprego maior da fotografia, esta última com legendas mais instigantes e criativas, iniciando uma nova tendência na imprensa carioca. Pouco depois de iniciada essa nova fase, o Correio da Manhã, passaria a sofrer com a interferência do poder militar.


No impasse que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, o Correio da Manhã posicionou-se coerentemente a favor da posse do vice-presidente, João Goulart, que lideranças militares não queriam aceitar. Pouco tempo depois, outra vez por questão de princípios, o jornal pôs-se contra o governo de João Goulart, por considerar que ele estimulava atitudes que iam contra a Constituição e a ordem pública, como, por exemplo, o suposto estímulo à quebra de hierarquia nas Forças Armadas. Ficaram famosos pelo estilo e contundência seus dois editoriais – “Basta!”, de 31 de março de 1964, e “Fora!”, de 1º de abril – que denunciavam desmandos do governo de Jango e anunciavam sua derrubada pelo golpe civil-militar.
O que o Correio da Manhã e outros jornais que apoiaram o golpe esperavam era que o novo presidente da República imposto pelos conspiradores, marechal Humberto Castello Branco, convocasse eleições e entregasse o governo a uma liderança civil. Mas os militares, uma vez instalados, preferiram manter-se no poder.

O Correio da Manhã começa então a denunciar as arbitrariedades do regime militar. Nenhum outro jornal do Rio de Janeiro deu tanto espaço às manifestações de rua contra os governos de Castello Branco e Costa e Silva, quando policiais e estudantes de confrontavam em embates violentos nas ruas das principais cidades do país. As posições – tanto do regime quanto do jornal – se radicalizariam após a publicação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, que cassou os direitos fundamentais de cidadania e fez o país submergir por mais de duas décadas nas sombras de uma ditadura agora declarada.


No pouco tempo que lhe restou de vida a partir daí, o Correio da Manhã continuou fiel a seus princípios, denunciando na medida do possível, apesar da censura, prisões arbitrárias, torturas e outras violências praticadas pelo regime.

Após um obscuro período marcado por boicotes de anunciantes (temerosos de retaliações do governo), um atentado à bomba ocorrido na sua redação, em 7 de dezembro de 1968, e uma série de perseguições, prisões e cassações dos direitos políticos contra jornalistas e administradores que lá militavam, o Correio da Manhã acabou por ser arrendado, em 1969, à Editora Comunicações Sistemas Gráficos, de propriedade de Maurício Nunes de Alencar.

Nesta última fase, o jornal voltaria a incomodar o regime militar, mas acabou extinto definitivamente em julho de 1974. Somava-se a isso o drama pessoal da antiga proprietária do Correio da Manhã, vítima de uma série de ataques supostamente promovidos por agentes da repressão política ou por simpatizantes da ditadura, que incluíram um incêndio em sua coleção particular de documentos e livros e até tentativas de assassinato.


Nos seus últimos momentos, o Correio da Manhã parecia ter voltado ao seu estado inicial de penúria, saindo com edições de apenas oito páginas, em tiragens que variavam em torno de três mil exemplares por dia.


Em sua trajetória, o jornal contou com contribuições de personalidades brasileiras do campo político e cultural, como Rui Barbosa, José Veríssimo, Coelho Neto, Artur Azevedo, Afonso Celso, Medeiros e Albuquerque, Evaristo de Morais, Carlos de Laet, Alberto de Oliveira, Antonio Salles, Leão Veloso Filho (que usava o pseudônimo de Gil Vidal), Álvaro Lins, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Lacerda, Aurélio Buarque de Holanda, Franklin de Oliveira, Antônio Callado, Rubem Braga, Antonio Moniz Vianna, Carlos Heitor Cony, Otto Maria Carpeaux, Luis Alberto Bahia, Nelson Rodrigues, Oswaldo Peralva, Fernando Pedreira, Márcio Moreira Alves, Hermano Alves, Paulo Francis, Newton Carlos, Paulo de Castro, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Decio Pignatari, Oliveira Bastos, José Lino Grünewald, Ferreira Gullar, entre outros. Muitos destes últimos eram colaboradores frequentes do denso “4º Caderno”, suplemento dominical do final dos anos 1960, em que se discutiam política nacional e internacional, literatura, artes plásticas e filosofia.

Fontes consultadas:
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro: Secretaria Especial de Comunicação Social. Correio da Manhã – Compromisso com a verdade. Cadernos da Comunicação. Série Memória, vol. 1: Rio de Janeiro, 2005.
ANDRADE, Jéferson Ribeiro de. Um jornal assassinado: a última batalha do Correio da Manhã. José Olympio: Rio de Janeiro, RJ, 1991
SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Civilização Brasileira, RJ, 1966.


Fonte: Hemeroteca Digital



 

 

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