William Crookes

florence cook

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Médium Florence Cook

Capítulo XI

Pedimos vênia à FEB, para transcrever do excelente livro “Fatos Espíritos” trechos abaixo, das  páginas 61 a 82.

A presença de William Crookes, o Grande Cientista Inglês, e a Mediunidade de Srtª Florence Cook.

 “As cartas seguintes apareceram nos jornais espiritualistas, nas datas que trazem, e formam a conclusão natural desta série de memórias.

“Senhor:

Esforcei-me o mais que pude para evitar toda controvérsia, escrevendo ou falando sobre assunto tão apaixonável quanto os fenômenos chamados espíritas. A não ser em muito pequeno número de casos, onde a eminente posição dos meus adversários poderia emprestar ao meu silêncio outros motivos que não os verdadeiros, não repliquei jamais os ataques e as falsas interpretações que a minha ligação a essa causa ocasionou contra mim.

O caso é outro, entretanto, quando algumas linhas de minha parte puderem, talvez, afastar uma injusta suspeita atirada sobre alguém; e quando esse alguém é uma mulher, moça, sensível e inocente, é um dever especial meu, empregar a autoridade do meu testemunho em favor dela, a quem creio injustamente acusada.

Entre todos os argumentos apresentados de um e outro lado, relativamente aos fenômenos obtidos pela mediunidade da Srta. Cook, vejo poucos fatos estabelecidos de maneira a conduzir o leitor desprevenido a dizer, no caso que possa ter confiança no critério e na veracidade do narrador: “Enfim, eis uma prova absoluta !”

Vejo muito fortes asserções, muita exageração não intencional, conjeturas e suposições sem fim; não poucas insinuações de fraude, um pouco de gracejo vulgar, mas não vejo ninguém apresentar-se com a afirmação positiva, baseada na evidência dos seus próprios sentidos, de que, quando a “forma” que se denomina “Kátie” está na sala o corpo da Srta. Cook está, nesse mesmo momento, no gabinete, ou por outra, não está.

Assim, parece-me que toda a questão está estritamente limitada.

Que se prove como fato uma ou outra das alternativas precedentes, e todas as outras questões subsidiárias serão afastadas.

Mas a prova deve ser absoluta: não deve ser baseada num raciocínio por indução ou aceita vista da integridade suposta dos selos, dos nós ou das costuras. pois tenho razão para estar certo de que o poder em atividade nesses fenômenos é como o amor que “zomba das fechaduras”.

Eu tinha esperança de  alguns dos amigos da Srta. Cook, que têm acompanhado as suas sessões quase desde o começo, e que parece terem altamente favorecidos nas provas que receberam, tive dado, antes de mim, testemunhos em seu favor. Mas, na falta das testemunhas que seguiram esses fenômenos desde o seu começo, há cerca de três anos, seja-me permitido, a mim que não fui admitido senão muito tarde, expor um fato verificado em uma sessão para que eu fora convidado, a pedido da Srta. Cook, e que se realizou alguns dias depois do desagradável fato que deu origem a esta controvérsia.

A sessão realizava-se na casa do Sr. Luxmore, e o “gabinete” era uma sala afastada, separado por uma cortina, da sala da frente onde se achavam os assistentes.

Tendo sido preenchida a formalidade ordinária de examinar a sala e as fechaduras, a Srta. Cook penetrou o gabinete.

Pouco tempo depois, a forma de Kátie apareceu ao lado da cortina, mas retirou-se logo, dizendo que o fazia porque haveria perigo em se afastar da sua médium por esta não se achar bem e não poder ser lançada em um sono suficientemente profundo.

Eu estava colocado a alguns pés da cortina, atrás da qual a Srta. Cook se achava sentada, tocando-a quase, e podia freqüentemente ouvir os seus suspiros e gemidos, como se ela sofresse. Esse mal-estar continuou por intervalos durante quase toda a sessão, e uma vez, quando a forma de Kátie estava diante de mim, na sala, ouvi distintamente o som de um suspiro doloroso, idêntico aos que a Srta. Cook tinha feito ouvir, por intervalos, durante todo o tempo da sessão e que vinha de trás da cortina onde ela devia estar sentada.

sir william crookes

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Sir William Crookes

 

Confesso que a figura era surpreendente na sua aparência de vida e de realidade, e tanto quanto eu podia ver, à luz um pouco fraca, os seus traços assemelhavam-se aos da Srta. Cook; mas, entretanto, a prova positiva, dada por um dos meus sentidos, pois que o suspiro vinha da Srta. Cook, no gabinete, enquanto a figura estava fora dele, esta prova é muito forte para ser destruída por uma simples suposição do contrário, mesmo bem sustentada.

Os leitores conhecem-me, e naturalmente crerão, espero, que não adotarei precipitadamente uma opinião, nem que lhes pedirei para estarem de acordo comigo, apresentando eu uma prova insuficiente. É talvez muita ousadia pensar que o pequeno incidente que mencionei tenha para eles o mesmo valor que teve para mim; entretanto, pedirei isto: que aqueles que se inclinam a julgar severamente a Srta. Cook, suspendam o seu juízo até que eu apresente urna prova cabal que, acredito, será suficiente para resolver a questão.

Presentemente, a Srta. Cook consagra-se exclusivamente a uma série de sessões particulares, às quais não assistem senão um ou dois dos meus amigos e eu; essas sessões se prolongarão provavelmente durante alguns meses, e tenho a promessa de que toda prova que eu desejar, me será dada. Essas sessões não têm sido realizadas senão há algumas semanas, mas já as houve suficientes para me convencer plenamente da sinceridade e da honestidade perfeitas da Srta. Cook, e para me dar todo o fundamento de acreditar que promessas que Kátie tem feito tão livremente, serão cumpridas.

Agora, o que peço é que os leitores não presumam precipitadamente que tudo o que à primeira vista parece duvidoso importe necessariamente numa  decepção, e que suspendam juízo até que eu lhes fale de novo a respeito desses fenômenos.”

“Sou, etc.

William Crookes 20, Mornington Road, London.

 3 de fevereiro de 1874”.

Formas de Espíritos

“Em carta que escrevi a esse jornal no começo de fevereiro último, falei dos fenômenos de  formas de espíritos que” manifestado pela mediunidade da  ” Srta. Cook, e dizia  que aqueles se inclinassem severamente a Srta. Cook pendessem o seu juízo até que eu  apresentasse urna prova cabal, que acreditava suficiente para resolver a questão.

Nesse momento a Srta Cook consagra-se exclusivamente a  urna série de sessões particulares, às quais não assistem senão um ou dois dos meus amigos e eu… Vi o bastante para me convencer plenamente da sinceridade e da honestidade perfeitas da Srta. Cook, e para crer, com todo o fundamento, que as promessas que Kátie me fez, tão livremente, serão cumpridas.

Nessa carta descrevi um incidente que, em minha opinião, era muito próprio para me convencer de que Kátie e a Srta. Cook eram dois seres materiais distintos. Quando Kátie estava fora do gabinete, em pé, diante de mim, ouvi um gemido vindo da Srta. Cook, que se achava no gabinete. Considero-me feliz por dizer que obtive, enfim, a prova cabal de que falava na carta supramencionada.

Por enquanto não me referirei à maior parte das provas que Kátie me deu nas inúmeras ocasiões em que a Srta. Cook me favoreceu com as suas sessões em minha casa, e não descreverei senão uma ou duas das que se realizaram recentemente. Desde algum tempo eu fazia experiências com uma lâmpada fosforescente, que consistia em uma garrafa de 6 ou 8 onças contendo um pouco de óleo fosforado, e que estava solidamente arrolhada.

Eu tinha razões para esperar que, luz dessa lâmpada, alguns dos misteriosos fenômenos do gabinete pudessem tornar-se visíveis, e Kátie também esperava obter o mesmo resultado.

A 12 de março, durante uma sessão em minha casa, e depois de Kátie ter andado entre nós e de ter falado durante algum tempo, retirou-se para trás da cortina que separava o meu laboratório, onde os assistentes estavam sentados, da minha biblioteca, que, temporariamente, serviu de gabinete. Um momento após ela tornou a vir à cortina e chamou-me dizendo: “Entre no aposento e levante a cabeça da médium; ela escorregou para o chão”. Kátie estava então de pé diante de mim, trajada com seu vestido branco habitual e trazia um turbante.

Imediatamente dirigi-me à biblioteca para levantar a Srta. Cook, e Kátie deu alguns passos de lado para me deixar passar. Com efeito, a Srta. Cook tinha escorregado um pouco de cima do canapé e a sua cabeça pendia em posição muito penosa. Tornei a pô-la no canapé, e fazendo isso tive, apesar da escuridão, a viva satisfação de verificar que a Srta. Cook não estava trajada com o vestuário de Kátie, mas que trazia a sua vestimenta ordinária de veludo preto e se achava em profunda letargia. Não decorreu mais que três segundos entre o momento em que vi Kátie de vestido branco diante de mim, e o em que coloquei a Srta. Cook sobre o canapé, tirando-a da posição em que se achava.

Voltando ao meu posto de observação, Kátie apareceu de novo e disse que pensava poder mostrar-se a mim ao mesmo tempo que a sua médium. Abaixou-se o gás e ela pediu-me a lâmpada fosforescente. Depois de ter-se mostrado à claridade durante alguns segundos, restituiu-me dizendo: “Agora, entre e venha ver a minha médium”. Acompanhei-a de perto à minha biblioteca e, à claridade da lâmpada, vi a Srta. Cook estendida sobre o canapé, exatamente como eu a tinha deixado; olhei em torno de mim para ver Kátie, porém ela tinha desaparecido. Chamei-a, mas não recebi resposta. Voltei ao meu lugar, Kátie tornou logo a aparecer, e me disse que durante todo o tempo tinha estado em pé, perto da Srta. Cook, e perguntou então se ela própria não poderia tentar um experiência, e, tomando das minhas mãos a lâmpada fosforescente, passou para trás da cortina, pedindo não olhasse para o gabinete.

No fim de alguns minutos, restituiu-me a lâmpada, dizendo que não tinha podido sair-se bem, que havia esgotado todo o fluido da médium, mas que tornaria a experimentar em outra ocasião. Meu filho mais velho, rapaz de 14 anos, que estava sentado em frente a mim, em posição que podia ver o que se passava por trás da cortina, disse-me que tinha. visto distintamente a lâmpada fosforescente que parecia plainar, no espaço acima da Srta. Cook iluminando-a durante o tempo e que ela estivera estendida imóvel no canapé, mas que não tinha podido ver ninguém segurar a lâmpada.

Passo agora à sessão que realizou, ontem à noite, Hackney.  Kátie nunca apareceu com tão grande perfeição. Durante perto de duas horas passeou na sala, conversando familiarmente com os que estavam presentes. Várias vezes tomou-me o braço, andando, e a  impressão sentida por mim era a de uma mulher viva que se achava a meu lado, e não de um visitante do outro mundo; essa impressão foi tão forte, que a tentação de repetir uma nova e  curiosa experiência tornou-se-me quase irresistível.

 



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Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

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