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Viagem dolorosa
23 de outubro de 2013 Casa da Mãe Pobre – 50 anos de Amor
pedro-leopoldo

                             Reprodução Web


 


Quando o IAPI e o SESI se retiraram do Hospital “Casa da Mãe Pobre”, em 1951, três anos após o início dos trabalhos hospitalares, a Instituição começou a ter, mensalmente, um déficit aterrador. Os serviços assistenciais continuaram mas a receita estava longe de cobrir as despesas. Começou o desespero entre os diversos Diretores. Dos dezessete que compunham a Diretoria, seis estavam ao lado do Presidente, enquanto a maioria era de opinião que deveríamos vender o prédio da Rua Ibituruna nº 81, tendo-se em vista os prejuízos que a Instituição vinha sofrendo.

Em vista desse estado de coisas altamente prejudicial aos interesses da Entidade, e para ganhar tempo, na esperança de melhores dias, empreendemos uma viagem. Os últimos embates tinham-me abalado a saúde.

Fui direto a São Paulo, onde se encontrava o idealizador da Instituição, Sr. Homero Henrique Pereira e sua esposa, médium primoroso e semi-mecânico.

Desejava consultar o Guia Espiritual da Instituição, Dr. João de Freitas.

Inteirado que foi dos últimos acontecimentos, nosso bom amigo achou por bem eximir-se de opinar, deixando a responsabilidade por conta da Diretoria. Já outro Espírito carinhoso, uma indiazinha, que era um amor e trabalhava na equipe do Guia, foi francamente de opinião que deveríamos vender a propriedade da Rua Ibituruna, adiantando que iríamos sofrer muito se conservássemos o dito imóvel.

Não nos demos por vencidos e fomos procurar o Dr. Artur Lins de Vasconcelos que, embora residisse em São Paulo, também fazia parte do Conselho Deliberativo da “Casa da Mãe Pobre”. Falamos-lhe sobre os motivos da nossa visita e, face à dramática situação em que se encontrava a Entidade, solicitamos sua opinião. Depois de ligeira troca de idéias, o Dr. Artur declarou que poderia ajudar a resolver o problema, mas que a tarefa pertencia-nos por inteiro. Por esse motivo não deveria interferir no assunto.

Fugindo-nos todas as esperanças, resolvemos descansar um pouco, continuando a viagem rumo à Estância de “Águas da Prata”, onde permanecemos durante vinte e cinco dias. Todavia, mau grado nosso intento, nada de melhor conseguimos para a saúde. E que a enfermidade tinha suas raízes na alma e esta, não encontrando meios de solucionar o grave problema da Instituição, sofria-lhe as consequências.  Amenizou-nos esse estado crítico o Dr. Raniere, nosso antigo companheiro do Grupo Espírita “André Luiz”, no Rio, do qual foi um ótimo Presidente.  Quase todos os dias trocávamos ideias em companhia  de sua boníssima esposa.

Terminado esse tempo, fomos os dois até Poços de Caldas, onde durante a nossa permanência de quatro dias, assistimos a um fenômeno original.

Determinada senhora residente naquela cidade. em épocas anunciadas por um Espírito que se dizia seu Guia Espiritual, ficava em aparente estado de gravidez por algumas horas. O fenômeno processava-se da seguinte forma:

No dia determinado, desde a manhã, colocava uma cama em um cômodo de um Centro Espírita dá localidade, onde a criatura se deitava, cercada de médiuns que se mantinham em concentração e, por, vezes, em oração.

Eram convidadas pessoas de destaque, inclusive médicos e cientistas, para assistir ao fenômeno: mais ou menos às 11 horas, um dos médicos presentes era chamado para medir o ventre da mulher. Este começava a crescer, paulatinamente, à vista de todos.

Não havia interrupção, para que todos em volta pudessem testemunhar o caso em apreço.

Lá pelo meio dia, a mulher entrava em contrações, iguaiszinhas às de uma parturiente. O fenômeno prosseguia, com intensidade cada vez maior, simulando um parto iminente.

Por volta das 13 horas começava o retraimento, devagarinho, enquanto um médico presente media-lhe o ventre, sempre a diminuir. Quando a pseudo-parturiente voltava ao estado normal, aproximadamente às 18 horas, as dores desapareciam e tudo o mais terminava. Esses acontecimentos prolongaram-se por alguns anos, segundo informações posteriores.

Durante aqueles quatro dias cobriu a cidade um nevoeiro tal, que os aviões ficaram impossibilitados de pousar. No quarto dia, por volta das 12 horas, desceu um avião com destino a Belo Horizonte. Aproveitamos a oportunidade e embarcamos rumo àquela cidade.

Duas horas após estávamos viajando em uma “jardineira” para Pedro Leopoldo, a fim de nos encontramos com Chico Xavier.

Nessa mesma noite assistimos a uma reunião, onde o Dr. Bezerra de Menezes enviou uma mensagem, aconselhando a Diretoria da “Casa da Mãe Pobre” a manter, enquanto pudesse, as possibilidades vigentes, mas, caso não fosse possível tal medida, que conservássemos os serviços do Hospital da Rua Frei Pinto, desfazendo-nos do imóvel da Rua Ibituruna.

Foi um alívio para todos os que nos apoiavam, possibilitando-nos aguardar o futuro na esperança de vencermos as dificuldades.

Essa viagem, denominada de histórica, representou para nós um verdadeiro martírio pelo motivo que a envolvia, qual seja, manter a propriedade da Rua Ibituruna nº 81.

Seu destino só foi selado em época posterior, quando fomos obrigados a vendê-la à Companhia Internacional de Seguros, possibilitando à Diretoria vencer as terríveis dificuldades em que a Instituição se encontrava, bem como ampliar a Assistência às crianças necessitadas.

Deus seja louvado!

Cumpre-nos, porém, o dever de fazermos uma ressalva.

Parece, à primeira vista, que o Dr. Lins de Vasconcelos cometeu um erro quando, tendo a possibilidade de ajudar na solução do problema, negara-se a cooperar. E preciso no entanto meditar sobre sua declaração, ao afirmar ele que “a tarefa pertencia-nos, portanto não deveria interferir”.

Na realidade, ele estava sendo inspirado.

Não devemos esquecer que estávamos sendo provados pela Espiritualidade maior. Foi-nos cometida uma grande tarefa, a qual deveríamos levar a cabo em toda a sua extensão.

Faz-nos lembrar o aluno na escola. Os professores lhe fornecem matéria com ligeiras explicações. Ao aluno porém cabe estudar a fundo as minúcias para depois submeter-se à prova dos exames. Frente à banca examinadora, ele vai provar se foi aplicado ao estudo e se venceu ou não em todas as matérias.

É nisto que consiste a prova em todos os atos de nossa vida, pequenos ou grandes. Todos eles se encadeiam para o mesmo fim – a perfeição moral.

Podemos vencer alguns, perigar em outros ou vencer todos eles, se tivermos coragem, determinação e boa vontade de servir.

O Senhor nos ilumine.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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