Uma reunião memorável


 


caratinga
                   Reprodução Web

Tremenda gripe levou-me a Caratinga. Deixando o ônibus, recolhi-me logo ao Hotel, com febre alta. Tinha a impressão de que agulhas ferozes me atraavessavam o cérebro de instante a instante.

Após duas horas de sono, acordei com a roupa toda ensopada de suor. Por último, embrulhei-me num lençol, pois não possuía mais roupa para mudar.

Na primeira noite, a Presidente do “Grupo Espírita Dias da Cruz”, Dona Maria, o médium principal do grupo, Antônio Sales e mais duas médiuns foram visitar-me. O Antônio aplicou-me passes e deixou-me dois vidros de remédios, um preparado pelos Espíritos e outro adquirido na farmácia da cidade, para serem tomados de meia em meia hora.

Todo esse arsenal resultou inútil. O febrão continuava, bem assim as transpirações. No sábado fui levado de carro para o Grupo Espírita. Os trabalhos, como sempre, começavam às 19 horas. Para não apanhar vento, o que poderia prejudicar-me, fui colocado dentro da cabine, onde os Espíritos materializados realizavam os tratamentos e trabalhos cirúrgicos.

Lá pelas tantas, o Espírito que atende pelo nome de Dr. Joseph, chamou-me para perto da mesa de curativos, onde se achava um cidadão deitado. Seguidamente mostrou-me um recipiente, onde se achava pequena quantidade de material branco como a neve e perguntou:

 “Você sabe o que é isto?”

Afirmei que sim. Era radium. Noutra oportunidade tinha-me colocado pequena porção na concha de uma das mãos. A seguir, o Dr. Joseph segurou uma lâmpada trazida do espaço, cuja cor variava entre o roxo e o rosa e que tinha o poder de penetrar no organismo das pessoas, talvez mais profundamente do que os raios X.  Colocou o citado aparelho a uns vinte centímetros da orelha do paciente que se achava em cima da mesa e indicou um objeto igual a uma pevide de amêndoa, mais ou menos do mesmo tamanho, e informou:

“Estamos frente a frente com um câncer. Os médicos da Terra não puderam curar o enfermo, mas com a graça de Deus, vamos exterminá-lo.” 

Firmando bem os olhos observei a carne, ou o que possa chamar-se de orelha, vermelhinha puxado ao róseo. Em determinado local lá estava o estranho objeto. O Dr. Joseph então segurou a pinça e cutucou a pevide; esta mexeu-se em uma das pontas, mas o restante continuava firme no local. Em seguida, mandaram-me novamente sentar. (Dois meses após, em outra viagem, soubemos que o homem citado estava radicalmente curado). 

Passados uns vinte minutos, foi a vez do irmão José Grosso também se materializar. Em pé, junto a uma das paredes e talvez a três metros de distância de onde me encontrava, dirigiu-me a palavra:

“Magalhães, desta vez consegui revestir-me de luz”. (Realmente seu organismo irradiava luz, um tanto fraca, mas dava para se ver o seu corpo inteiro). A seguir, ordenou-me:

“Levanta! ”

Levantei-me e alguém que nunca pude saber quem fosse, segurou-me a cabeça com ambas as mãos, jogando-a de um para outro lado. A seguir, deu-me um beijo no rosto, tão nítido que senti os lábios frios do Espírito e um odor um tanto desagradável – penso que do ectoplasma.

Tive a impressão de que o Espírito não tinha prática dos trabalhos de materialização, daí jogar-me  a cabeça de um lado para o outro.

A seguir, deixou-nos e desapareceu. Nesse exato momento, o José Grosso ordenou-me novamente:

“Magalhães, vem cá. Não tenhas medo!” Dirigi-me em sua direção e fiquei ao seu lado esquerdo. Minha cabeça ficava abaixo dos seus ombros, tal a sua altura. Foi quando ele passou sua mão direita por cima de meus cabelos e jocosamente anunciou:

“Olhem o tamanho dele”.

O pessoal presente riu-se à vontade! Aproveitei o momento e passei meu braço direito em torno dos seus costados, verificando que, apesar da altura, seu corpo era esguio. Encostei minha cabeça em seu peito e senti o coração pulsar.

Mandou-me abraçar outro Espírito, o Dr. Dias da Cruz, justamente o Patrono do Grupo, o qual era de compleição robusta. Este deu-se a conhecer quando afirmou:

“Sou eu, Magalhães, o Dias da Cruz”.

A voz do José Grosso parece um trovão. A do Dr. Dias da Cruz é cheia e grossa. Duas figuras desiguais no corpo e na voz. 

Não me puderam fazer o tratamento necessário, devido ao meu grave estado, informando que a enfermidade podia transformar-se em pneumonia. O Dr. Joseph convocou a Dona Maria e os médiuns para estarem no mesmo local, no dia seguinte, domingo, às 14 horas.

Nesse dia, à hora certa, lá estava todo o pessoal. Como são disciplinados! Nessa reunião não houve materialização, mas sim incorporação. Duas mãos, uma de cada médium, ficaram em cima da minha testa por largo tempo. A dor de cabeça melhorou, mas não cedeu de todo, com fisgadas mais suaves. Não tendo a enfermidade cedido, o Dr. Joseph determinou que às 19 horas do mesmo dia deveria ser realizada nova reunião e, à hora marcada, lá estava todo o pessoal. Deus lhes pague em bênçãos de misericórdia os seus cuidados.

Processou-se a nova materialização; senti então um fato sui generis. Algo que não posso descrever com exatidão. O meu peito parecia ter sido retalhado em todas as direções. Não eram cortes retos, mas em ziguezague. A dor era intensa, mas dentro em pouco estava tudo terminado e as dores do peito desapareceram. Por fim levaram-me novamente para o hotel. Chegando ao quarto tirei a roupa do corpo.

Que estranho! Por fora, a pele que recobre o peito nada sofreu. Tenho a impressão nítida de que retalharam o tórax do meu perispírito. Pois sofri dores horríveis no momento em que meu peito estava sendo retalhado.

Então melhorei consideravelmente. Todavia a dor de cabeça persistia, mais branda. Na segunda-feira, o amigo Manoel Ribeiro foi visitar-me à noite, entabulando amistosa palestra. Pouco depois chegou José Vasconcelos, médium de raras qualidades, que trabalhava no Grupo. Nosso amigo Manoel pediu ao José para dar-me uns passes, no que foi logo atendido. Esses passes terminaram definitivamente com a malfadada dor de cabeça. O apetite, no entanto, continuava nulo.

Na quarta-feira prosseguia sem apetite. Para comer um pouco de mingau era preciso misturar uma pitada de café, para lhe dar gosto mais agradável, assim mesmo era engolido à força. Nesse mesmo dia fui visitar nosso amigo Manoel Ribeiro e falamos sobre o milagre do passe que me libertou da dor de cabeça. Foi quando o amigo me revelou que o Guia Espiritual tinha-lhe afirmado que os passes aplicados por aquele médium alcançavam o perispírito.

Embarquei para o Rio no mesmo dia, às 08h40min. Quando cheguei em Além Paraíba, às 13:30 horas, tinha fome pela primeira vez em sete dias. E graças a Deus me restabeleci.

Que povo bom, disciplinado e trabalhador são os Espíritas de Caratinga!

Dona Maria Coutinho Muniz foi de uma dedicação a toda prova – costumamos chamá-la “Anjo de Caratinga” . O mesmo podemos dizer do médium Antônio e de todos os membros daquele abençoado Grupo de Amor e Luz.

Deus os abençoe em todos os dias da vida, são nossos sinceros votos.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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