Natal das Crianças nas Creches Isabel “a Redentora” e Marieta Navarro Gaio

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Divulgação CMP Por (Eni) Com muitas brincadeiras, músicas, danças e presentes as crianças  das Creches Isabel  “a Redentora”  de Teresópolis e Marieta Navarro Gaio sediada em Rio de Janeiro, foram contempladas Continue lendo >>>

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Creches realizam festa de encerramento do ano letivo na Casa da Mãe Pobre

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Creches da Casa da Mãe Pobre comemoram o dia das crianças

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Alunos do Instituto Stella Almeida – ISA, realizam importante visita  a CMP  e fazem doações

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Um barraco sui generis

barraco

                       Reprodução Web


 


Certa feita minha esposa foi abordada por uma desconhecida que lhe perguntou se ela conhecia uma mulher que morava na esquina e acrescentou: “Seu barraco é todo feito de caixotes de bacalhau!”

Comentando o fato, as duas se foram, trocando impressões sobre o palpitante assunto. Tratava-se de uma mulher de cor preta, pobremente vestida, que morava com a filhinha de dois anos dentro de um cercado feito de caixotes vazios.

Quando a esposa me relatou o fato, recebi a notícia com reserva, pedindo-lhe que explicasse o assunto com detalhes. Em face de minhas reticências, ela reagiu e continuou: “Você não acredita, não é? Era bom que fosse ver o caso de perto.”

Depois do almoço dispusemo-nos a ir ao local.

Quando chegamos na esquina das Ruas Sergipe com Teixeira Soares, na Praça da Bandeira, num terreno baldio, deparamos com um pequeno grupo de caixotes, em círculo, formando a moradia original. Encaramos a esposa e fizemos o seguinte comentário:

“Parece mentira, mas é verdade.”

Era realmente de espantar. Em plena cidade, em local altamente movimentado, lá estavam os caixotes, de mais ou menos oitenta cms. de altura, formando uma área de 1,50 por 2,00 metros, aproximadamente. ‘ Cobertura de papelão. Sim senhor, era mesmo de papelão!

” Como pode uma mulher viver aqui dentro?” inquiri.

“E não se esqueça de que ela tem uma filhinha”, acrescentou minha esposa, espantamo-nos ainda mais e redargüimos:

“Vamos ver de perto.”

Quando chegamos junto ao barraco móvel – porque era formado de caixotes soltos – a pobre criatura saiu de dentro engatinhando! Atrás dela veio a filhinha, a pequena Marlene. E a pergunta logo nos assomou aos lábios:

“Como é que a senhora consegue viver aí dentro?”

“Ué, gente, vivendo!” respondeu muito naturalmente. “Dormimos apertadas, mas dormimos … O senhor sabe, pobre tem de sujeitar-se ao que Deus dá. Se não posso pagar um quarto moro aqui mesmo!”

“E a alimentação?” indagamos.

“Faço uns biscatinhos por ai. Lavo alguma roupa e peço comida às famílias. E assim vamos vivendo … “

“Mas isso não é viver, é vegetar?” “Vegetar? Que é isso, moço?” Minha esposa atalhou:

“A senhora está grávida, não é verdade?”

A pobre criatura quis negar, mas em face da insistência e diante das evidências, fez um trejeito com os lábios, esboçou leve sorriso e respondeu, um tanto encabulada:

“É, moça, estou grávida, sim.” Minha esposa considerou:

“Santo Deus! Como é que você vai continuar a viver aqui, neste minúsculo barraco, com dois filhos?”

“Deus dá o jeito, dona. A gente tem que se sujeitar ao que Ele manda.”

Pensamos e pensamos. Por fim, oferecemos-lhe um quarto de madeira com banheiro que havia nos fundos do imóvel da Rua Ibituruna nº 81, que na época era propriedade da “Casa da Mãe Pobre”. Ela aceitou com satisfação.

No dia seguinte D. Adelaide estava instalada na nova residência. Quanto à alimentação conseguiu-a através do emprego que lhe oferecemos na Lavanderia da nossa Instituição. A filhinha agasalhou-se na Creche que funcionava no mesmo local da sua moradia e, no tempo próprio, deu à luz um menino, por sinal bastante forte, voltando ao trabalho após o tempo regulamentar.

Nessa época tínhamos como vigia da noite um rapaz chamado Antonio. Era um pouco desequilibrado, porém inofensivo. Malgrado essa falha era excelente criatura. Aconteceu, no entanto, que os dois se desentenderam e ele começou a espioná-la. Passados alguns meses, informou-nos que D. Adelaide andava cedendo seus favores a uns homens que trabalhavam nas obras do edifício existente em nosso terreno. Houve sindicâncias e foi constatado que a denúncia procedia. Em face desse detalhe, começamos a pensar em como resolver o problema. Tratava-se de uma mulher pobre, com dois filhinhos pequenos e que não tinha onde morar.

Reunida a Diretoria, esta resolveu pedir-lhe que descobrisse um barraco, a fim de que o comprássemos para ela. Os dias foram passando até que nos veio a notícia de que poderíamos construir um barraco no Morro dos Telégrafos, próximo à Quinta da Boa Vista.

Depois de algumas indagações, descobrimos que o Morro está sob a jurisdição de um Batalhão do Exército, cuja sede era junto ao citado Morro e que o local era utilizado para exercícios de tiro ao alvo.

Procuramos o Coronel Comandante que nos informou ter passado a direção do Morro para o Distrito da Prefeitura, sediado na rua São Cristóvão. Finalmente conseguimos a almejada concessão, mas, por infelicidade, construímos os primórdios do barraco em terreno pertencente a um grileiro.

O pseudo-proprietário solicitou que tirássemos a construção do local, alegando que o terreno era dele e se propôs ajudar a desmontá-lo. Descobriu-se outro local próximo e lá levantamos a casa, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Construção de pau a pique e barro, mas direitinho. A cobertura era de zinco e, finalmente, para lá se mudou D. Adelaide com os dois filhinhos.

Continuou ela trabalhando na lavanderia da Instituição. De manhã levava as crianças para a Creche da Maternidade e a tarde ia apanhá-los. Meses após engravidou novamente e deu à luz uma menina.

A rotina era a mesma, mas entre os seus defeitos, havia um bem perigoso: brigava por dá-ca-essa-palha, gabando-se de não levar desaforos para casa.

Devido ao seu gênio irascível, despediu-se do emprego duas vezes. Aconselhada com carinho, voltava a trabalhar.

Certo dia procurou-nos e desabafou intempestivamente:

“Vou sair da “Casa da Mãe Pobre”. Não quero mais trabalhar!”

“Por que vai sair da Casa, D. Adelaide? Olhe que a senhora tem três filhinhos para alimentar e vestir. “

“Não quero mais trabalhar. D. Mathilde “encarnou” em mim … “

” Encarnou” na senhora?! O que quer dizer com isso?

“Mathilde está me perseguindo … “

Entramos em detalhes e viemos a saber que D. Mathilde não perseguia ninguém. Era até boa demais para os empregados da Instituição. Tinha, sim, proibido brigas dentro da Lavanderia e D. Adelaide rebelou-se contra essa medida.

E lá se foi a criatura, desta vez para sempre, pois não voltou mais à “Casa da Mãe Pobre”.

Mas, muito esperta, arranjou logo um meio de vida. Andava pelas feiras mais próximas de seu barraco e, lá pelas onze horas, desejando os feirantes retirar-se, vendiam os legumes por qualquer preço. Então ela os comprava e revendia-os no Morro com lucro, daí tirava o necessário para si e os seus filhos.

Tempos depois procurou-nos, informando que os vizinhos tinham-lhe derrubado o barraco e não sabia o que fazer.

Fomos ao Morro, no local onde ela morava e indagamos pelo ocorrido. Informaram-nos que D. Adelaide brigava com todo o mundo, chegando a empunhar um facão para ameaçar de morte uma sua vizinha. Tendo em vista essa violência, os vizinhos reuniram-se e derrubaram-lhe o barraco, chutando-a da localidade. Ela mesma confirmou essas informações, dadas por alguns vizinhos e um pequeno comerciante das redondezas.

Face a tantas arbitrariedades, dissemos-lhe que nada mais podíamos fazer. Ela, então, desapareceu.

Passaram-se alguns anos, quando, certa feita, minha mulher a encontrou casualmente numa feira. Informou que era zeladora de um edifício, onde morava com seu três filhos, já crescidinhos.

Minha esposa, desde o início, desejara ficar com sua filhinha mais velha, ao que ela se opôs categoricamente.

E aqui termina a odisséia dessa criatura singular que, apesar de todas as dificuldades da vida, muitas delas criadas por ela própria, devido ao seu difícil temperamento, conseguiu sobreviver mantendo os seus filhinhos perto de si.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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