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Eurípedes Barsanulfo – parte IV


Capítulo XXXV


EURIPEDES_BARSANULFO1

Reprodução Web
Eurípedes Barsanulfo

“Disse que cerca de dez anos o professor Barsanulfo, recebendo a inspiração do Dr. Bezerra de Menezes, já falecido, tem tratado de várias pessoas de sua farrulia, aplicando remédios diversos, de uso interno e externo e passes magnéticos sempre gratuitamente; que sabe terem vindo muitos loucos para se tratarem com o professor Barsanulfo,saindo curados, o que o depoente pode afirmar porque de diversos tem tomado conta; que o professor Barsanulfo é chamado para assistir quase todos os partos nesta cidade, fazendo-os sob a inspiração do Dr. Bezerra de Menezes; que o depoente tem auxiliado diversas intervenções cirúrgicas feitas pelo professor Barsanulfo, até mesmo em pessoas condenadas pelos médicos.”

Como observam os leitores, a preocupação era não negar a ação do mundo espiritual. E algumas das verdades proclamadas comprometiam, inclusive, os depoentes. Que exemplo de fidelidade a Jesus!

A próxima testemunha foi Azarias Arantes, cuja cura já narramos. Maxirniliano Cláudio Diamantino, funcionário público, foi a quinta e última testemunha.
Não consta dos autos porque não lhe perguntaram, mas era católico e frequentava, assiduamente, a casa de Euripedes Barsanulfo.(12)

“Disse que há oito ou dez anos o professor Euripedes Barsanulfo exerce a mediunidade inspirado, segundo diz, pelo falecido médico Dr. Bezerra de Menezes, receita e aplica remédios a todas as pessoas que o procuram, sem delas receber remuneração alguma; que ainda, obedecendo ao espírito do Dr. Bezerra de Menezes, o referido professor tem procedido a diversas intervenções cirúrgicas, assistindo igualmente parturientes que o chamam; que em todas as operações feitas tem sido obtido muito bom êxito; que o professor Euripedes Barsanulfo mantém um colégio nesta cidade para educação da mocidade e que deste colégio tem saído a maior parte de moços e moças, preparados no curso primário, não sendo aconselhados pelo professor a seguirem a sua religião e sim a que quiserem adotar”.

Vemos por esses depoimentos que Euripedes Barsanulfo agia na condição de médium e que toda sua atividade era movida, única e exclusivamente, pela caridade.
Mas, constavam nos autos intervenções obstétricas, cirurgias,receituário e, assim, estava o médium perfeitamente enquadrado no código penal e ninguém,a não ser ele mesmo, poderia prever que não fosse condenado e preso. É nessa fase que Eurípedes Barsanulfo e Cairbar Schutel – outra vida também luminosa na História do Espiritismo – trocam correspondência de solidariedade. Aliás,esta jamais lhe faltou por parte do povo, pois chegou a receber do Estado de São Paulo e de Minas Gerais milhares de cartas consoladoras enquanto boletins e abaixo-assinados a seu favor corriam, de mão em mão. A denúncia do presidente do Círculo Católico de Uberaba serviu, pois, para incrementar a propaganda da Doutrina Espírita e mostrar o quanto era Eurípedes Barsanulfo querido e respeitado. A própria Câmara Municipal de Sacramento, ainda sob a presidência do coronel José Afonso de Almeida, uma semana após a abertura do processo criminal, homenageou o professor Eurípedes, lançando na ata do dia 29 de outubro um voto de pesar pelos acontecimentos (apenas um vereador recusou-se a assiná-la).

É também verdade que advogados, gratuitamente, e que pessoas de posse colocaram à disposição do médium centenas de contos de réis, mas Eurípedes Barsanulfo, agradecido, recusou as ofertas. Seu caso estava sob controle dos Mensageiros de Jesus. O que tinha a fazer, pois, era orar e aguardar os próximos acontecimentos.

O movimento maior em prol de Eurípedes Barsanulfo era em Uberaba de onde partira a denúncia.
E neste livro devia aparecer,em letras fulgurantes, o nome do jornalista João Modesto dos Santos por haver posto o “Jornal do Triângulo”, de sua propriedade, em defesa de Eurípedes Barsanulfo. Eis como o jornal justificava sua tomada de posição: “Bem sabemos que Eurípedes Barsanulfo está confiante na justiça de sua causa, bem sabemos que ele sorri às diatribes e invectivas que apareceram contra ele, bem sabemos que esse fato emocionante para todas as consciências livres, porque envolve uma questão de vida para a liberdade do pensamento, o deixa tranqüilo e não modifica em coisa alguma a sua vida cotidiana; porém a imprensa que deve orientar a opinião pública, a imprensa que prepara os grandes acontecimentos, a imprensa que é a tribuna de defesa dos fracos e oprimidos, não pode silenciar-se ante o atentado cruel que se prepara à liberdade de cultos, na liberdade de um moço que nada mais pede à sociedade que o direito de fazer o bem.

E, pois:
Não é um caso particular que o “Jornal do Triângulo” vem defendendo: quando saímos à liça,animava-nos a certeza de defender um justo e a certeza de defender um princípio básico, primordial, essencial nas democracias.

E, por isso:
Defendendo a causa de Eurípedes Barsanulfo, tornado agora um símbolo, nós diremos, como Ihrring, é o direito todo inteiro que se quer lesar e negar no seu direito pessoal, e é esse direito que vamos defender e restabelecer”.

Modesto dos Santos era um uberabense de grande valor. Seu jornal, que disputava os leitores com “Lavoura e Comércio” sofreu ameaças de empastelamento e, ainda assim, continuou a desenvolver a campanha de esclarecimento popular orientada por Lafayete Melo, Alceu de Souza Novaes, Robespierre de Melo e, entre outros, o professor João Augusto Chaves, diretor do centro espírita de Uberaba (centro citado, também, na denúncia do médico João Teixeira Álvares).

o “Jornal do Triângulo” era a tribuna dos espíritas, e, através de suas colunas, puderam inúmeros ex-alunos do Colégio Allan Kardec defender, também, mestre Eurípedes Barsanulfo. Seus nomes não devem ser esquecidos:
Antônio Pinto Valada, Jerônimo Cândido Gomide, Homilton Wilson, W. Rodrigues Citan, Zenon Borges e Mariana de Campos Libânio.

As Trevas agindo sobre o Presidente do Círculo Católico de Uberaba haviam conseguido uma vitória: o processo criminal. A Espiritualidade Superior, todavia, iria agir agora e de maneira surpreendente – o médium não seria julgado!

Ora, dois dias após o delegado recolher o depoimento de Eurípedes Barsanulfo e das testemunhas arroladas, foram os autos enviados ao Juiz Municipal de Sacramento, o Dr. Julio Bráulio Vilhena, que era católico; este, contudo, declarou-se amigo do réu e, pois, suspeito para pronunciar-se e determinou fosse o processo encaminhado ao seu substituto legal, o 12 Juiz de Paz, Adolfo Forrnin de Carvalho Paixão; no entanto este jurou, também, suspeição pelo fato de ser cunhado do novo escrivão do processo, Itagiba José Cordeiro …e ordenou fossem os autos remetidos ao substituto legal, o 22 Juiz de Paz, José Saturnino Julio da Silva, que também jurou suspeição: era cunhado de Eurípedes Barsanulfo.

O processo não chegava ao término. E o próprio escrivão Itagyba José Cordeiro acaba por confessar-se suspeito e redige, nos autos, os seguintes termos dirigidos ao Juiz Municipal: “Levo ao conhecimento de V. Sa. que o moço envolvido neste processo, além de ser meu amigo muito íntimo, foi meu colega e ultimamente meu professor, e por isso dou-me por suspeito por ter interesse particular na causa, o que juro”, etc. E foi o processo remetido ao 32 Juiz de Paz, Francisco Motta, que, inesperadamente, renunciou ao cargo …

Os autos passam de mão em mão e chegam ao Juiz de Paz Vespasiano Augusto, que recusa a denúncia contra Eurípedes Barsanulfo, alegando serem deficientes as informações prestadas por uma das testemunhas …

O processo vai para Uberaba e volta dias depois às mãos de Vespasiano Augusto que, de novo, recusa-se a dar seu pronunciamento. E chega, enfim, o dia 8 de maio de 1918: e o processo torna-se caduco! A Espiritualidade vencera as trevas.

A prescrição do processo foi celebrada, ruidosamente, em Sacramento. Aristógiton França, marido de Arísia (irmã de Eurípedes Barsanulfo) veio de Conquista e comprou um caixão funerário e escreveu na tampa: “Aqui jazem os restos mortais de João Pastelão”. O enterro simbólico não seria, pois, do processo, e, sim, do infeliz delator João Teixeira Álvares, presidente do Círculo Católico de Uberaba …

Foi em vão que Eurípedes Barsanulfo tentou impedir os excessos.
Os moços, a transbordar alegria, fizeram o féretro sair pelas ruas com o povo atrás, soltando rojões e gritando o nome de Eurípedes.
Nessa noite ninguém dormiu cedo em Sacramento …

Constatamos no arquivo de “Lavoura e Comércio” que, meses depois, o Dr. João Teixeira Álvares demitia-se do Círculo Católico. O motivo não foi divulgado, mas deve ter sido pressionado porque o beato, em seu comunicado na primeira página, fizera esta promessa ao povo de Uberaba:
Retiro-me à vida privada, nunca mais me intrometendo em assuntos desta Diocese.”

Nossos Comentários:

Após tomarmos conhecimento das atrocidades cometidas contra o grande médium Jonathan Koons – que foi obrigado a fugir com os seus oito filhos, deixando para trás a sua fazenda destroçada com a perda de todos os seus bens, como consta, com detalhes, no começo deste livro – vimos outros dramas como o vivido pelo Dr. Larkin, sua esposa e uma auxiliar, esta, médium de grandes possibilidades, a qual foi condenada a dois meses de prisão, perdendo, o Dr. Larkin, toda sua clientela, ficando na miséria com a esposa, que desencarnou em face de tantas desgraças.

Vimos os dissabores por que passaram as três irmãs da família Fox, duas das quais, na qualidade de médiuns, não se deixaram vencer, apesar de caírem na miséria.

Esses casos passaram-se nos Estados Unidos da América do Norte e foram essas criaturas que deram início ao Espiritismo naquele país.
Conhecemos, também, os infortúnios daquela irmã em Deus e na Doutrina, Elisabeth Eslinger, de origem alemã, que ficou na prisão durante 3 meses, e os de alguns outros infelizes, como José Pedro de Freitas, mais conhecido como Arigó, que também gramou a prisão, por duas vezes, deixando “ao Deus dará” sua esposa e filhos, e Edson Cavalcante de Queiroz, que foi assassinado, e que por esse acidente infeliz foi acusado, injustamente, pelo público, inclusive muitos espíritas, de ter prevaricado na Doutrina, quando, na realidade, mantinha-se, e à sua família, com os trabalhos realizados em seu consultório médico, exclusivamente.

Todos esses episódios estão registrados, com detalhes, neste livro e nos causaram grande tristeza.
Por último surge-nos um único dos grandes médiuns, que passou por todos esses transes, inclusive um inquérito movido contra ele, por um médico que presidia grande núcleo católico, o qual moveu céus e terras para levar à prisão o nosso irmão Benfeitor da Humanidade: trata-se do médium, professor e dono de um próspero colégio, localizado na cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, Eurípedes Barsanulfo.

Neste caso, porém, os acontecimentos tomaram rumos diferentes e o nosso irmão não chegou a ser julgado.
Chorei de emoção ao ler as ocorrências causadas por um processo infame, que prometia cadeia para uma vítima cuja vida era toda dedicada a favor dos sofredores de todas as camadas sociais e principalmente, dos pobres e estropiados, que por vezes não têm uma côdea de pão para matar a fome de seus filhinhos famintos.

O maravilhoso livro do escritor e médium, Jorge Rizzini, deveria ser lido por todo o mundo espírita, para levar coragem aos tímidos, convocando-os ao trabalho santo, na defesa e implantação do Espiritismo, nas Terras de Santa Cruz.
Honra ao Mérito.

Deus seja Louvado !

(12) Informação do casal  Edalides Millan e José Rezende da Cunha

 


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Em Prol da Mediunidade

Pedimos vênia à Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, para transcrever trechos do maravilhoso livro “Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade”, do escritor Jorge Rizzini.

Fonte: Em Prol da Mediunidade

 

 



 

 

CONTATO

Eurípedes Barsanulfo – parte III


Capítulo XXXV


Eurípedes Barsanulfo

Reprodução Web
Eurípedes Barsanulfo

De certo que não.
V. Excia permitiria que, na escola onde estão sendo educados seus filhos, se reunissem também doentes afetados de moléstias contagiosas e repelentes?
De certo que não.

Como, pois, V. Excia, não permitindo tais dislate para sua família própria, permiti-los para a grande família mineira de que V. Excia é também pai, devido ao elevado cargo que ocupa, de vigia e sentinela da nossa propriedade moral e material?

Sr. Presidente, V. Excia é responsável perante Deus pelo que passa na cidade de Sacramento, onde um doido que já quis espancar o pai, dirige uma Clínica e uma Farmácia que não paga direito ao Estado e dirige um Colégio, frequentando por mais de oitenta alunos de ambos os sexos!

Faça cessar essas anomalias; afaste, com sua mão protetora dos mineiros, dezenas de crianças que se destinam aos manicômios, nessa idade florida em que o amor desabrocha como uma flor.
Reside na cidade de Sacramento um deputado estadual, homem de bem, cidadão honesto e honrado pai de família. Interrogue esse representante do povo e nós estamos certos de que, católico como é, temerá a Deus e não enganará V. Excia. com relação aos fatos gravíssimos que ora denunciamos”.

Infeliz médico! Que indigência espiritual! Não lhe bastou descer tanto, moralmente, denunciando um homem, cuja vida era o próprio Evangelho. Era preciso ofendê-lo, chamando-o de “doido” e caluniá-lo afirmando que ‘Já quis espancar o pai” … E o Dr. João Teixeira Álvares ocupava a presidência de uma Instituição religiosa! Era ele, sem sombra de dúvida, a reencarnação de um juiz da temível inquisição espanhola.

Os espíritas de Uberaba e Sacramento não acreditavam que o presidente do Círculo Católico fosse capaz de uma atitude tão hostil. Quando, pois o jornal “Lavoura e Comércio” começou a ser distribuído no Triângulo Mineiro, muitos confrades se indignaram e alguns chegaram, mesmo, a pensar em desforra. Eurípedes Barsanulfo, porém, aconselhava:

– “Apaguem da mente a palavra vingança. Lembremo-nos de Jesus e oremos pelos nossos inimigos …
– Mas é preciso fazer a defesa! O senhor está em perigo, professor.
– Mas não pensem em atos de violência … Confiemos nos mensageiros de Jesus. Eles nos assistem.
Nossa melhor arma é sempre a prece. Irradiemos amor … “

O processo-crime pelo exercício ilegal da Medicina, porém, avizinhava-se. O Juiz de Direito Fernando de Melo Viana, que mais tarde se tornaria governador de Minas Gerais, de posse da denúncia despachara um ofício ao delegado Arnaldo Alencar de Araripe. Após considerações preliminares sobre a liberdade de cultos religiosos garantida pela Constituição Federal, adverte o
imparcial Juiz de Direito no referido ofício:

“Dadas estas instruções, vos requisito abrir inquérito para se apurar o que há de verdade e para que se não irrogue às autoridades uma inação criminosa, fugindo ao cumprimento do dever. Nestes fatos, porém, em que se envolvem pessoas respeitáveis das localidades como vereis pelos impressos juntos, é conveniente que os funcionários, que servem no mesmo ambiente sejam
afastados, para que tudo se apure e aclare com a imprescindível imparcialidade e sem paixões … “

O delegado, por sua vez, convocou o escrivão Adolfo Terra e deslocou-se para Sacramento, comarca, então, de Uberaba.
Eurípedes Barsanulfo por via mediúnica já sabia de sua vinda e convidou para testemunhar Manoel Correa, Lindolfo Fernandes, Antônio Gonçalves de Araújo, Maximiliano Cláudio Diamantino e Azarias Arantes. Toda verdade deveria ser proclamada no interrogatório’ ainda que comprometesse o médium.

A intimação foi entregue pelo escrivão Adolfo Terra: deveria o réu Eurípedes Barsanulfo comparecer no dia 22 de outubro, às dezenove horas ao paço municipal para depor.
Eurípedes Barsanulfo compareceu com as testemunhas.
Foram poucas as perguntas . porque, ao contrário do que o delegado esperava, o médium nada ocultou. Vejamos seu depoimento anotado pelo escrivão Adolfo Terra:

“Respondeu que nunca exerceu a Medicina e nem exerce e sim a mediunidade receitista por intermédio da qual prescreve o espírito de Adolfo Bezerra de Menezes medicamentos a quantos necessitam e procurem, os quais são gratuitamente e sem a mínima remuneração, nem pedidos ou exigências de gratificação, prodigalizados a todos.
E, novamente, nos autos a mediunidade é posta em evidência: Que acompanha o espírito do Dr. Bezerra de Menezes nas operações que tem procedido, conforme suas indicações, em tudo por tudo não agindo por si mesmo, senão que age como médium; que tem vários enfermos à procura da sua mediunidade para a recepção de socorros à sua saúde.”

Manoel Correa, português,com trinta e um anos de idade, viajante da loja de ferragens Silva & Parada, de Campinas, e que se casaria com Edirite, irmã de Eurípedes Barsanulfo, foi a primeira testemunha a ser ouvida pelo delegado Amaldo Alencar de Araripe; eis o seu depoimento:

“Disse que há quase dois anos sofre de uma erupção de pele que o tem feito correr os consultórios de grande número de médicos e várias termas, sem obter alívio; que achando-se de passagem nesta cidade de volta de Araxá, um amigo indicou-lhe o professor Eurípedes Barsanulfo, o que se deu há seis meses; que submetendo-se aos cuidados do referido professor, este receitou-lhe diversas pomadas para aplicações externas e várias drogas de sabor diferente, nunca lhe cobrando quantia alguma; que com a referida medicação, o depoente tem sentido consideráveis melhoras em sua saúde; que tem visto diversos doentes tratados pelo professor Barsanulfo, sabendo que o indivíduo Joaquim Sandoval, atacado de mania de perseguição e obsessão contra a fanulia, ficou completamente curado, depois de submeter-se aos cuidados do professor Barsanulfo.”

Lindolfo Fernandes era dentista e seu filho curado por Euripedes Barsanulfo estudava no Colégio Allan Kardec. Seu depoimento foi registrado pelo escrivão como se lê abaixo:

“Disse que é exato terem vindo e continuarem a vir pessoas de diversos lugares para se tratarem com o professor Euripedes Barsanulfo, que o faz gratuitamente não só quanto às consultas como também quanto aos remédios; que há cerca de três anos achando-se gravemente enfermo, em Uberaba, um seu filho, sem que obtivesse melhoras com o tratamento médico, durante cinco meses, procurou nesta cidade o professor Eurípedes Barsanulfo, que conseguiu a cura radical em pouco mais de um mês; que sofrendo há cerca de dezoito anos de várias manifestações mórbidas, entre as quais uma ferida próxima ao pavilhão auricular do lado esquerdo da face, recorreu depois de vários tratamentos improfícuos ao professor Eurípedes Barsanulfo, que obteve a sua cura em cerca de seis meses; que o tratamento consistia em medicações internas
e externas e aplicações de passes espíritas; que o depoente tem visto o referido professor fazer curativos, intervenções cirúrgicas e redução de fraturas, sabendo que o mesmo tem intervindo em diversos partos, sempre com a inspiração mediúnica do Dr. Bezerra de Menezes.”

Lindolfo Fernandes foi a única testemunha a ser reinquirida; certamente a seu próprio pedido, pois ao invés da cidade de Batatais citara no primeiro depoimento Uberaba no tópico referente à cura de seu filho – cura efetuada por Eurípedes Barsanulfo à distância. Aproveitou, então, o odontólogo a oportunidade para relatar outros fatos. Eis alguns dos que o escrivão Adolfo Terra anotou:

“Disse que os tratamentos espirituais empregados são feitos também no Colégio Allan Kardec, auxiliados pelos demais médiuns existentes no centro espírita, do qual é presidente o professor Eurípedes Barsanulfo; que os obsedados têm sido aqui tratados também com desvelo e que de entre muitos casos que tem presenciado, há um em Uberaba, de D. Maria Modesto, esposa do sargento Cravo, que aqui se tratou, tendo regressado para o seio de sua família no espaço de vinte dias; que também foi tratado um filho do depoente, quando em Batatais, portanto à distância e que desenganado, já obteve a cura e está freqüentando o Colégio Allan Kardec, que é aqui mantido pelo professor Eurípedes Barsanulfo, há dez anos; que sabe por observações que tem feito, que o professor Barsanulfo é médium e não médico, como querem alguns, e que tudo faz por amor à caridade, como verdadeiro apóstolo do bem, obedecendo a risco o que lhe determina o Dr. Bezerra de Menezes; que além dos doentes aqui tratados, também são muitos outros de fora, que pedem remédios por carta, só fornecendo nome, idade e residência e muitos têm sido curados admiravelmente.”

A terceira testemunha foi Antônio Gonçalves de Araújo, sapateiro, cujos filhos estudavam no Colégio Allan Kardec. Era primo de Eurípedes Barsanulfo.

 


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Em Prol da Mediunidade

Pedimos vênia à Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, para transcrever trechos do maravilhoso livro “Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade”, do escritor Jorge Rizzini.

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO

Eurípedes Barsanulfo – parte II


Capítulo XXXV


Eurípedes Barsanulfo Médium e Educador

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Eurípedes Barsanulfo, Médium e Educador

 

O Processo Criminal

“Dissemos que Eurípedes Barsanulfo sustentara dois debates.
O segundo foi com o Dr. João Teixeira Álvares, presidente do Círculo Católico de Uberaba, médico e pai do governador de Goiás. Em um comunicado publicado na primeira página de “Lavoura e Comércio” do dia primeiro de novembro de 1918 (número que examinamos no arquivo do jornal) informa o referido médico que o Círculo Católico fora por ele fundado em 1914 e que ocupara a presidência por quatro vezes consecutivas “no intuito exclusivo de prestar serviços à religião”.

Curioso o destino deste médico, de quem se servia agora o clero do Além para impedir a realização do trabalho missionário de Eurípedes Barsanulfo. Residindo embora, em Uberaba, tornar-se-ia o mais furioso obsessor do médium por dois motivos, que precisam ser apontados, desde já: líder do Espiritismo em uma região, outrora, eminentemente católica, Eurípedes Barsanulfo devolvera a saúde a dezenas de pessoas que nenhuma melhora haviam obtido no consultório do médico uberabense …

No comunicado a que fizemos alusão dizia o Dr. João Teixeira Álvares que o Círculo Católico fora fundado com o “intuito de prestar serviços à religião”. A frase é sublime, mas, o que entendia o médico por “serviços à religião”? É o que veremos a seguir.

Delfim Pereira da Silva, residente em Santa Maria e presidente do “Centro Espírita Fé e Amor” (centro onde Eurípedes Barsanulfo desenvolvera a mediunidade), compreendendo a necessidade da difusão do Espiritismo achou por bem lançar o jornal “Alavanca”. Seria semanal e impresso em Santa Maria.

O novo órgão sob sua direção e trazendo, semanalmente, artigos inéditos de autores residentes em outros Estados, entre os quais o esforçado confrade baiano J. Pamphiro, veio à luz no dia dois de novembro de 1913. Ora, em um de seus números fora estampado um trecho de “Obras Póstumas” em que Allan Kardec afirma que Jesus não é Deus. O jornal por vias indiretas chegou às mãos do Dr. João Teixeira Álvares, o qual, pelo “Lavoura e Comércio” fez a réplica, sem esquecer de injuriar os espíritas.

Eurípedes Barsanulfo, então, baseado em “Obras Póstumas” redigiu o artigo “Deus não é Jesus e Jesus não é Deus” – primeiro artigo de uma série. Nova réplica brutal do médico acompanhada de novas injúrias, mas, os argumentos do Dr. João Teixeira Álvares terminaram logo e Eurípedes Barsanulfo, por mais de um ano, defendeu sua tese, levando luz para os leitores católicos arejados que haviam acompanhado a polêmica desde o início.

DEUS, a belíssima prece que é, também, um poema de elevado valor literário e cuja leitura nos causa uma suavíssima descarga fluídica, foi publicado nesta fase, em “Alavanca” (janeiro de 1904) e faz parte da polêmica. Vamos transcrevê-Ia para a satisfação de nossos leitores. Ouçamos o Apóstolo da Caridade:

“O Universo é obra inteligentíssima; obra que transcende a mais genial inteligência humana; e como todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, é forçoso inferir que a do Universo é superior a toda inteligência; é a inteligência das inteligências; a Causa das causas; a Lei das Leis; o Princípio dos Princípios; a Razão das Razões; a Consciência das Consciências; é DEUS!  Nome mil vezes Santo que Newton jamais pronunciava sem se descobrir.

DEUS! Vós que vos revelais pela natureza, vossa filha e nossa mãe, reconheço-vos eu, Senhor!
Na poesia da Criação, na criança que sorri, no ancião que tropeça, no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no apóstolo que evangeliza!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irmã, na justiça do justo, na misericórdia do indulgente, na fé do ímpio, na esperança dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos íntegros!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! No estro do vate, na eloquência do orador, na inspiração do artista, na santidade do moralista, na sabedoria do filósofo, nos fogos do gênio!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! na flor dos vergéis, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados, no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das franças, na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! nos lindos antélios, no íris multicolor, nas auroras polares, no argênteo da lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das constelações!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! na formação das nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das humanidades, na maravilha, no esplendor, no sublime do infinito!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! com Jesus, quando ora:
“PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS” … ou com os anjos quando cantam: “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS” … Aleluia!”

Chega a impressionar-nos que esta prece de Eurípedes Barsanulfo não haja tocado o coração do presidente do Círculo Católico de Uberaba. Pelo contrário: irritou-o, ainda mais. Ele desistira da polêmica por falta de argumentos, mas, quatro anos depois, em 1917, voltou à carga com uma violenta campanha contra o Espiritismo, através de boletins do Círculo Católico e das colunas de “Lavoura e Comércio”, taxando os espíritas de “infames”, “famigerados”, “feiticeiros”, “inimigos acérrimos da religião e da moral”,  “prosélitos da demonolatria”, etc.

O silêncio dos espíritas pareceu-lhe covardia e, então, o médico beato descarregou de uma vez só todo o seu ódio, fazendo uma denúncia pelo ”Lavoura e Comércio” do dia sete de outubro de 1917; jornal na época sob a direção de Quintiliano Jardim, seu fundador.

A denúncia foi dividida em duas partes. A primeira é a reprodução de um tremendo libelo contra a Doutrina dos Espíritos publicado no jornal “União”, do Rio de Janeiro, do dia 19 de agosto de 1917. Seu autor, é óbvio, não teve a coragem moral de assiná10. O libelo tem por título “Seita Maldita”, e contém trechos, assim:

” … O espiritismo, como tantos outros crimes, tende a alastrar-se pelo Brasil, semelhante a um vírus pestilento que se inocula pela nossa população menos culta, produzindo males que nem se pode enumerar”

E mais:
“Que a polícia tome nota da decisão do Supremo Tribunal, fechando esses Centros e Escolas Espíritas, onde, a par da imoralidade e do mercantilismo, campeia a loucura em todas as suas perigosas formas. Fechar esses antros de miséria, processando os seus diretores e proprietários, será o maior e mais patriótico serviço que nos poderá prestar a polícia,cumprindo assim a sua alta missão de zelar pela moral e pelos bons costumes.

Esmaguemos com o peso da lei esses farinheiros.”
A segunda parte da denúncia foi redigi da pelo próprio presidente do Círculo Católico de Uberaba. Vamos transcrevê-la, integralmente, pois faz parte da História do Espiritismo.

E mais:
Engrandece-a!
“No Rio de Janeiro, o Supremo Tribunal condena o Espiritismo como contrário às leis do país e nega aos espiritistas toda e qualquer garantia para celebração das suas sessões, por serem essas sessões um atentado contra a Constituição.

Como se compreende, então,que, nesta cidade de Uberaba, a polícia permita que os espiritistas levantem um templo?
Como se compreende que o Governo do Estado, no mais incrível dos descuidos, consinta que o Sr. Eurípedes Barsanulfo mantenha na vizinha cidade de Sacramento uma Clínica Espírita e um Colégio Espírita, a famosa Escola Allan Kardec?

As Leis de Minas serão diferentes das que regem as decisões do Supremo Tribunal?
O nobre povo de Sacramento é talvez, do Estado de Minas, o que mais sofre com o Espiritismo.
A cidade está invadida de tuberculosos, morféticos, loucos e outros doentes repugnantes, que vão se tratar com o Sr. Barsanulfo.
Este reúne tais enfermos afetados de moléstias contagiosas no salão da Escola Allan Kardec, onde inúmeras crianças se reúnem também, com o risco de receberem, no organismo tenro, horripilantes afecções. E o nosso Governo conhece tudo isto e permite semelhante anomalia!

Digo que conhece porque o Governo tem um inspetor ambulante e este, com certeza, deve ter levado ao conhecimento das autoridades competentes a existência dessa escola, que é um antro diabólico no qual se atiram as inocentes criancinhas inexperientes e indefesas, inoculando-se no espírito teorias errôneas, uma seita anti-social e maldita e o que é mais grave – uma seita condenada pelas leis do país!

Nós levamos esses fatos ao conhecimento do Sr. Delfin Moreira, Presidente do Estado, e pedimos para ele urgentes providências, fazendo-lhe a seguinte ponderação: V. Excia. permitiria que seus queridos filhinhos fossem educados segundo as teorias espíritas?

 


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Em Prol da Mediunidade

Pedimos vênia à Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, para transcrever trechos do maravilhoso livro “Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade”, do escritor Jorge Rizzini.

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO