Tag Archives: Dr. J. Larkin

Os Campeões da Nova Era

Irmãs Fox

Foto: Acervo CMP
As Irmãs Fox


Capítulo X


Em continuação ao estudo que estamos realizando, sobre a história do Espiritismo e o sacrifício dos seus medianeiros, vamos relembrar o trabalho pioneiro dos que deram os primeiros passos para que o Espiritismo surgisse no mundo, a saber:

O Dr. J. Larkin, em 1844, Jonathan Koons, em 1852, já comentados em outro local, segundo a abalizada informação de Ernesto Bozzano, e, nessa mesma época, 1848, as pioneiras irmãs Fox, Margarida e Catarina, – com respectivamente 14 e 11 anos de idade, então residentes na localidade de Hydesville, Condado de Waine, Estado de Nova York, Estados Unidos da América do Norte.

As duas meninas e suas famílias também começaram a arrotear o terreno para que surgisse no mundo o Espiritismo Cristão.

Homério de Oliveira

Para conhecimento de nossos leitores, vamos transcrever partes do alentado e primoroso artigo “Crônicas/Casos/Artigos”, escrito pelo renomado escritor Homério de Oliveira, com a necessária vênia do autor e do jornal que o publicou, “O Semeador”, do Estado de São Paulo, no mês de abril de 1993, na pág. 12:

“As Meninas de Hydesville”

“Sempre tive grande admiração pelos valorosos pioneiros da nossa Doutrina. (Sim, os pioneiros foram os desbravadores que abriram, com amor e sacrifício, as primeiras veredas do materialismo). O Espiritismo sempre foi muito combatido. Os espíritas eram chamados de loucos e colocados à margem da sociedade. Espiritismo era coisa do demônio. Nestas circunstâncias, duras e espinhosas, foram as jornadas dos primeiros médiuns e dos primeiros divulgadores da Doutrina.

Os fenômenos mediúnicos sempre existiram, mas só com os primeiros albores do Espiritismo, com cautela, passaram a ser analisados e observados. No palco das revelações primeiras, valiosa foi a colaboração das Irmãs Fox. Para as pessoas que não conhecem os fatos relacionados com as Irmãs Fox, vamos trazer algumas informações sobre as manifestações que ocorreram na tosca cabana de Hydesville, em Rochester, Estado de Nova York, nos idos de 1848.

As Irmãs Fox, Margarida e Catarina – ambas médiuns às grandes heroínas, passaram a figurar na história do Espiritismo, como elementos, aliás de citação obrigatória, justamente quando se verificaram em Hydesville, Estados Unidos, os célebres fenômenos de ruídos e pancadas, “raps”, cuja repercussão deu motivo a uma bibliografia hoje numerosa. As Irmãs Fox eram de origem protestante, pois a família, pelo menos em parte, pertencia à denominação metodista. Quando surgiram as primeiras provas de mediunidade no seio da família, através de inesperados e surpreendentes fenômenos, ainda não existia formalizada a Doutrina Espírita. Os fenômenos a princípio, foram objeto de curiosidade popular, mas a verdade é que, depois, passaram a ser motivo de interesse científico, tanto na América do Norte como na Europa. A Doutrina Espírita, também com base nos aludidos fenômenos, surgiu mais tarde, com o conjunto de obras que constituem a Codificação de Allan Kardec. Criou-se, assim, a palavra Espiritismo, juntamente com o corpo de Doutrina organizada pelo Mestre de Lyon.

As Irmãs Fox eram ainda bem jovens, quando ocorreram os fatos de 1848: Margarida tinha 14 anos e Catarina estava com apenas 11 anos. Ambas foram os instrumentos dos fenômenos e ambas se submeteram às mais severas e rigorosas experimentações, justamente para a comprovação dos fenômenos mediúnicos. Depois de tantas pesquisas e de exaustivos comentários, bem assim de sérias ponderações de eminentes professores e outros cientistas, a verdade, como a luz do sol, brilhou e foi proclamada pelo jornalista Horácio Greefley, Diretor do “New York Tribune”, onde se acha a expressiva conclusão:

“Passamos três dias a operar com elas (Irmãs Fox) e seria a maior das covardias não declarar que estamos convencidos, sem a menor dúvida, da integridade e boa-fé que resplandeceram nas experiências. Qualquer que seja a origem dos ruídos, afirmamos que não eram frutos de fraudes cometidas pelas senhoritas em cuja presença se produziram.”

Antes das Irmãs Fox, muitos casos de “raps” ou golpes medi anímicos já haviam sido observados em diversos pontos do mundo, sem que, porém, se lhes descobrisse a causa. É longa a história de “casas mal-assombradas”, “pancadas misteriosas” e fenômenos análogos. Mas os acontecimentos de Hydesville, entretanto, tiveram uma repercussão muito maior, em razão das circunstâncias em que ocorreram.

Assim sendo, quem era, afinal, o responsável pelas repetidas pancadas na cabana de Hydessville, uma vez que ficou claro e provado não ser mistificação, nem haver intervenção de qualquer força natural?  Eis aí o ponto nevrálgico da questão. Havia. pois, uma entidade, um ser inteligente que respondia, por meio de pancadas na mesa, a todas as perguntas que lhe eram dirigidas. segundo o processo de linguagem convencionada, e as resposta’ não eram desordenadas, ma, coerentes e objetivas.

Sim, era um Espírito, finalmente o Espírito revelou suo identidade, com pormenores ;’ tudo se confirmou posteriormente. Uma das meninas Fox.; sabendo que se tratava de um Espírito, em tom jocoso, o chamava de Mr. “Split-Foot” (Senhor Pé Rachado).”

em-prol

Em Prol da Mediunidade

 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 

 



 

 

CONTATO

Remontando às Origens – parte IV (final)


 


Capítulo VIII

espiritos

Reprodução Web

Ainda que as personalidades dos mortos, que se manifestavam assim pertencessem a todas as classes da sociedade, elas se mostravam acordes em exortar o médico a fazer conhecer, publicamente, as manifestações espíritas que se verificavam em sua e insistiam para que convidasse pessoas a assisti-las, porque, diziam elas, havia soado a hora em que os homens deviam se convencer, pelos fatos, da existência e da sobrevivência da alma. A este propósito, elas prediziam o inicio iminente de uma nova época em que a humanidade inteira reconheceria a possibilidade de se comunicar com os espíritos dos mortos e em que essas comunicações seriam livremente praticadas em todas as regiões da Terra, época de transformação e de renovação para o progresso dos povos.

Apesar dessas exortações renovadas com persistência, o Dr. Larkin, com a aprovação de sua esposa, continuava absolutamente contrário à divulgação dos fatos e se guardava de convidar alguém para assisti-los, pois temia, com efeito, comprometer seriamente a sua reputação profissional, arruinando-se e arruinando a sua família.

Foi então que o espírito do grumete imaginou o meio de obrigar o médico a se curvar à vontade das inteligências espirituais e esse resultado alcançou, ainda que de modo pouco confortável para a pobre sonâmbula, da qual ele deslocou, em um instante, os braços, os joelhos, os fêmures, reduzindo-a a um monte quase disforme de membros torcidos, sem que, todavia, ela experimentasse qualquer dano.

O Dr. Larkin, embora fosse um hábil cirurgião, viu-se impotente para colocar, nos seus lugares, todos esse membros contorcidos, tendo que chamar um dos seus colegas, em seu auxílio.

Quando os esforços dos dois práticos conseguiram reconstruir o corpo da sonâmbula, e o cirurgião ajudante ia despedir-se, o “grumete” se manifestou de novo, ordenando ao segundo médico que não partisse. Tudo ia ser feito de novo. E isto dizendo, deslocou logo todos os membros de Mary Jane sob o olhar estupefato da nova testemunha.

É preciso aditar que o fenômeno se renovou por várias vezes, disso resultando que o Dr. Larkin viu-se obrigado a deixar entrar em sua casa outras testemunhas.

Não foi mais possível guardar segredo sobre o que se produzia e logo toda a região soube dos acontecimentos que ali se verificavam.

Como acontece comumente em tais circunstâncias, os cochichos sobre esses fenômenos autênticos, passando de boca em boca, se transformaram e se deformaram, ganhando feição de romances diabólicos e fantásticos nos quais a calúnia e o escândalo se infiltraram malignamente, o que fez com que a reação clerical não tardasse a se fazer sentir vigorosamente.

Assim, começaram as primeiras perseguições contra a desgraçada família.

Em dezembro de 1847 nove senhores, dirigidos por um pastor protestante, se apresentavam no domicílio do Dr. Larkin, declarando-se representantes de uma Comissão de Inquérito constituída com o fim de investigar os boatos  escandalosos que circulavam na cidade, envolvendo práticas ocultas que tinham lugar na casa. O Dr. Larkin, sem contestar validade dessa arbitrária Comissão de Inquérito, embora sem aceitá-la, acolheu o grupo amistosamente e descreveu serenamente as fases evolutivas e fenômenos que se produziam em sua casa, abstendo-se de comentar. A Comissão não satisfez com as suas explicações e se reportou aos boatos desagradáveis que circulavam na região, exigindo que o médico declarasse culpado ou demonstrasse a sua inocência.

O Dr. Larkin indignou-se com essas exigências e recusou a  responder, porém ofereceu-se a hospedar em seu lar, durante uma semana, duas ou três pessoas indicadas pela Comissão.

O oferecimento era mais do  que razoável, mas os seus membros não o aceitaram, declarando que pretendiam introduzir os inquisidores na residência do Dr. Larkin a qualquer hora do dia e da noite. E o fraco médico rendeu-se às suas pretensões.

Resultou daí que, durante vários meses, a infeliz moça foi torturada, dia e noite, por toda a sorte de imposições insolentes e audaciosas, por ordens peremptórias para que evocasse tal ou qual espírito indicado pelos inquisidores ou deslocasse os seus próprios membros, ou ainda que reproduzissem, de imediato, os fenômenos de batidas, ruídos, deslocamentos de móveis, transportes de objetos.

A tranqüilidade doméstica da desgraçada família não existia mais. Ninguém tinha o direito de cumprir os seus afazeres. Enquanto isso a reputação do Dr. Larkin suportava um rude golpe.

Não podendo suportar por mais tempo tais vexames, o médico  reuniu finalmente um pouco energia e declarou aos inquisidores improvisados que exigia se fizessem investigações sistemáticas de maneira científica. Se visse atendida a sua proposta, não permitiria mais que se introduzissem na casa dele, quem quer fosse.

A firmeza do Dr. Larkin teve um feliz resultado, pois os inquisidores aceitaram a sua proposta. Indicaram para uma empreitada de uma semana o Ver. Thacher e a sua esposa.

Esse pastor pertencia à ortodoxia mais rígida e se revelara um implacável adversário das práticas “tenebrosas”, ocorridas na residência do Dr. Larkin. Desde a primeira tarde de sua chegada, propôs que as pessoas se reunissem em tomo do leito da moça, enquanto ele fazia as invocações rituais. Mary Jane caiu em transe sonambúlico e orou a Deus em seu favor com um tal fervor de sentimento e tanta elevação de pensamento que os olhos do pastor e de todos os presentes encheram-se de lágrimas.

Começava-se sob felizes auspícios.

Durante a semana de sua permanência na casa, o Sr. e Srª Thatcher tiveram numerosas oportunidades de observar toda a sorte de manifestações e assim declararam ao Dr. Larkin estar inteiramente convencidos da sinceridade e da pureza das suas e das intenções de sua família, bem como da autenticidade dos fenômenos supranormais que eram produzidos por intermédio da sonâmbula.

Limito-me a relatar uma única das manifestações a qual assistiram os representantes da Comissão de Inquérito.

Certo dia em que o Rev. Thatcher, com a sua esposa e o casal Larkin se achavam perto da cama de Mary Jane que, em estado sonambúlico, respondia aos seus pedidos, o reverendo tirou o lenço do bolso para se assoar, mas uma força desconhecida o arrancou de suas mãos e o lenço subitamente desapareceu.

Ninguém se mexera no quarto e o olhar do reverendo estava, no momento, fixo na sonâmbula, o que demonstra que nenhum movimento dela lhe teria escapado.

O Rev. Thatcher obtemperou que o incidente tinha certamente uma causa sobrenatural e que, se o fenômeno pudesse ser investigado de um modo correto, teria uma decisiva importância para o inquérito de que estava encarregado.

Propôs então ao Dr. Larkin que se retirasse com ele para um outro cômodo, encarregando as duas senhoras de procurar o lenço, examinando, com cuidado, a moça, sua cama, suas roupas e o quarto todo.

Assim se fez, com resultado negativo, depois do que as senhoras transportaram a jovem para um outro dormitório.

O Rev. Thatcher e o Dr. Larkin, deram, por sua vez, minuciosa busca no quarto, depois de tomarem a precaução de fechar-lhe a porta.

Quando ficaram bem certos de que o lenço desaparecera levado por uma força sobrenatural, as pessoas reuniram-se de novo em torno do leito da sonâmbula. tomada, no momento, pelo grumete, que exprimiu ruidosamente seu contentamento pela confusão geral, acrescentando que o lenço “ele o havia transportado para o seu país, a Alemanha”.

Então o Dr. Larkin evocou o espírito de “Katy”, que vinha quase sempre pôr em ordem o tumulto das manifestações. E “Katy” se apresentou, mas quando foi interrogada a respeito do lenço desaparecido, respondeu nada saber a respeito. Se desejavam reavê-lo, a título de complemento de prova, deviam dirigir-se diretamente ao espírito que produzira o fenômeno.

O Rev. Thacher se interesso vivamente pelo fato e propôs que se seguisse o conselho de “Katy’.

Evocou-se novamente o espírito do grumete que depois de ter-se divertido a expensas do comissário inquisidor e de ter-se feito rogar longamente, prometeu trazer de volta o lenço no decorrer da noite, por volta de uma hora e meia da manhã. No que concerne à hora incômoda fixada pelo grumete para a restituição, importa notar que, quando prometia alguma coisa, cumpria escrupulosamente a sua palavra, mas gostava de marcar encontros em horas tão incômodas para gozar, como um garoto, do transtorno que causava ao seu semelhante.

Desde o momento em que o grumete fez a promessa até o cumprimento da mesma, por um excesso de precaução, não deixaram a moça sozinha. Foi novamente revistada no seu leito, igual cuidado tomando-se em relação à cama.

Em seguida, os experimentadores se colocaram em torno da mesma, revezando-se em algumas horas de sono.

Por volta de uma hora da madrugada, o espírito de “Katy” se manifestou pedindo que todos se conservassem acordados, pois que os “espíritos” tinham a obrigação de devolver o lenço.

Então as senhoras puseram a moça sentada na cama e estenderam os seus braços e mãos sobre os lençóis. Em seguida ligaram os seus braços às barras da  cama, com dois guardanapos, e maneira a imobilizá-los.

O grupo permaneceu em pé ao redor da sonâmbula, colocando-se o Rev. Thatcher aos pés da cama; para melhor fiscalizá-la de frente. Em dado momento fez-lhe uma pergunta e isso fazendo, estendeu para a frente a mão aberta, na qual, inesperadamente, surgiu o lenço desaparecido.

Ouviu-se ao mesmo tempo a voz do grumete que, rindo estrepitosamente, dirigiu ao reverendo estas palavras: “Eu vos devolvo este pedaço de pano que quereis conservar”. Tudo foi obra de uma fração de segundo; um momento antes a mão do clérigo estava vazia e um segundo após segurava o lenço desejado.

Ninguém o vira chegar, pois tinha-se materializado na própria mão do Rev. Thacher que, imediatamente, consultou o seu relógio. Os ponteiros marcavam exatamente uma hora e meia da madrugada. Alguns dias após, o Rev. Thatcher enviou uma circular a todos os pastores protestantes da região, descrevendo-lhes os fenômenos aos quais havia assistido, confessando-lhes, circunspectamente, sua convicção de que tinham origem sobrenatural. Esclareceu que o Dr. Larkin e a sua família não eram culpados de nenhuma fraude, de nenhuma mistificação, de nenhuma conivência e que os fenômenos produzidos em sua casa eram dignos de “uma investigação científica séria e cuidadosa”, acrescentando que todo o pesquisador tinha o dever de entregar-se a esses estudos com espírito sereno, despojando-se de toda a prevenção, de toda idéia preconcebida, e pedia a formação de uma comissão de inquérito composta de ministros do culto.

É de presumir-se que uma declaração tão explícita em favor da autenticidade dos fenômenos, assinada por quem mais os combatera, resolveria definitivamente o infeliz debate. Mas aconteceu algo de contrário e pior.

“Nenhum dos interessados levou em consideração a circular do Rev. Thatcher e alguns dias após, o Rev. Horace James – cujo nome é digno de ser transmitido à posteridade por sua infâmia – avocou a si os poderes legais e civis, necessários para liquidar a questão. (Não devemos nos esquecer de que o Espiritismo estava em sua fase de embrião).

Foi o verdadeiro difamador da família Larkin, cujo chefe quis aniquilar a qualquer preço.”

Praticamente não lhe concedeu defesa e jogou contra ele toda a população.

Não achando no Código Penal nenhum artigo que pudesse condenar o Dr. Larkin, foi-lhe infligida uma penalidade moral que, em virtude da época e da região em que o caso se passou. importava em sua ruína. Foi expulso da Igreja a qual pertencia, até que se decidisse a fazer uma declaração – retratação completa das práticas sacrílegas – segundo o pensamento deles – nas quais havia tomado parte.

Já idoso e sem meios de viver. assistiu ao falecimento da esposa. Srª Larkin, ralada de tanta, infâmias e sofrimentos.

Por fim, para não morrer de fome, o Dr. Larkin assinou: maldito documento de retratação.

A infeliz médium, Mary Jane, foi presa, sobre a imputação de necromancia. Embora fosse doente, foi arrastada diante do Tribunal e condenada a dois meses de prisão.

E o Dr. Larkin foi barbaramente difamado, perdendo totalmente a sua clientela. Foi um golpe terrível em sua vida.

Toda essa desgraça deve-se ao fato de ele e a médium exercerem o intercâmbio com nossos irmãos da Espiritualidade – o futuro Espiritismo.

Apesar de todas essas perseguições, a Doutrina dos Espíritos implantou-se no mundo, sob a égide de Allan Kardec e por obra  e graça de Deus, prossegue sua rota impetuosa em várias nações da Terra.

O Brasil acha-se à frente, atendendo a sua responsabilidade de ser o portador da missão que Jesus Cristo lhe concedeu: ser o porta-estandarte da implantação do Cristianismo no mundo da atualidade.

Deus seja louvado!

 



… pág. 1 2 3 4


 

 

em-prol

Em Prol da Mediunidade

 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO

Remontando às Origens – parte III


 


Capítulo VIII

koos

Reprodução Web

Praticamente perdera todos os seus bens materiais, produto de longos anos de luta contra a natureza renitente da montanha, com seus invernos impiedosos e a rejeição da terra mal ferida pela civilização.

Todavia não está vencido. Vai começar a sua vida de missionário, vai transmitir aos homens, seus irmãos, as verdades que os espíritos superiores lhe haviam ensinado. É homem rijo! Enquanto lhe restar um sopro de vida, Jonathan Koons vai proclamar as revelações espíritas.

De aldeia em aldeia, de cidade em cidade, a família Koons vai oferecer sua medi unidade ao exame do público, sem jamais receber a paga de um simples “penny”. “Dai de graça o que de graça receberdes”.

Pobre, muitas vezes incompreendido, na dolorosa solidão dos que decidem viver por um ideal, Jonathan Koons foi o maior propagandista que o Espiritismo teve nos dias heroicos em que um outro singelo povoado, Hydesville, abalava a opinião pública americana.

Na história do Espiritismo, como tantos outros pioneiros, Koons avança em suas veredas missionárias e desaparece no horizonte do tempo.

Nenhum autor informa onde recebeu da terra o lençol amigo para o seu corpo cansado. Mas Nandor Fodor sustenta que, recusando-se energicamente a vender suas excelentes faculdades, ensinando, pregando, deixando o público perplexo assistir às maravilhas do fenômeno mediúnico – só ele capaz de provar a mais alta verdade, a da sobrevivência, com todas as suas implicações, vivenciais e morais – Jonathan Koons chegou ao seu amargo fim.”

Comentamos:

A vida continua e o Espiritismo se expande, cada vez mais, acompanhado de perto pelo martírio dos médiuns, devido à cegueira dos homens, grande parte, segundo expressões de Jesus Cristo, ouvidos de ouvir, mas não olhos de ver, mas não veem”.

Deus se apiede deles, cujo futuro cheio de urzes, os ensinará escolher o melhor caminho.

Pedimos novamente à Editora “O Clarim”, para transcrever este importante trabalho.

O Caso Dr. J. Larkin

Sobre esse grande  homem Ernesto Bozzano traz ao nosso conhecimento o seguinte:

“Não temos necessidade , recordar aqui que as manifestações supranormais, em todas as suas formas, se registraram em  todas as épocas e no meio de  todos os povos. Não é também o caso de acrescentar que o mesmo  aconteceu invariavelmente com todas as categorias de manifestações mais ou menos ocultas da  natureza, que não chegaram a se impor definitivamente: dos povos e dos eruditos e,  conseguinte, a se transformar em um novo ramo do saber humano, senão quando os tempos estiverem maduros para colhe-las. A respeito devo assinalar uma circunstância interessante: é que  chegado o momento em que deve aparecer uma nova ordem de manifestações, essas iniciam o seu surto, muitas vezes em seguida a incidentes mais ou menos insignificantes ou banais, que teriam passado despercebidos em outros momentos e que, por isso mesmo, não fazem pressagiar a grande importância que as manifestações que veiculam estão destinadas a ter na história do progresso humano.

No que concerne aos fenômenos mediúnicos, vemos que, no século que precedeu o nascimento do Espiritismo, assistiu-se à produção de grandes manifestações dessa natureza, que não conseguiram, entretanto, sacudir definitivamente a indiferença dos povos. É o que se pode dizer em relação às visões de Emmanuel Swedenborg, às diferentes experiências supranormais de Yung  Stillign, Lavater, Eschenmayer, Zschoke, Eckartshansen, Schuumam, Wermer, Gassner, Oberlin.

Igualmente com referência às famosas experiências do Dr. Justinus Kerner, com a “Vidente de Prevorst”  (um caso de primeira ordem e que agrupa quase toda a fenomenologia mediúnica), aos fenômenos tão importantes que se realizaram espontaneamente de 1838 a 1848, em várias comunidades dos Quakers, às experiências autenticamente espíritas de Alphonse Cahagnte, com a sonâmbula Adéle Maginot (1845/1848) e, finalmente, quanto às visões supranormais e os volumes de revelações transcendentais do célebre vidente norte-americano, Andrew Jackson Davis.

De qualquer modo, os nomes desses precursores são conhecidos de todos e ficaram devidamente registrados na história do movimento espírita. Não se pode dizer outro tanto de um outro precursor absolutamente digno de ser lembrado e cujo nome permanece negligenciado, para não dizer, esquecido de todos. Quero falar do Dr. J. Larkin, um médico bem conhecido nos Estados Unidos, o qual, entre 1837 e 1848 fez pesquisas sobre o magnetismo animal, obtendo manifestações supranormais muito notáveis, cuja natureza, nitidamente espírita, leva a afirmar que, se tivessem sido divulgadas tanto quanto o mereciam, o movimento espírita em lugar de datar das “batidas” de Hydesville, com as Irmãs Fox, dataria das experiências magnéticas do Dr. J. Larkin.

Fala-se dele e das suas experiências nas revistas espíritas que aparecem nos Estados Unidos no começo do Movimento. A revista “The Spiritual Telegraph” (1852-1857) reivindica para ele o direito de ser registrado entre os precursores mais notáveis do Espiritismo Moderno. Entre os historiadores do Movimento, a srª Emma Harding-Britten é a única a citá-lo em sua obra” Modern American Spiritualism”.

Eis, em resumo, a história do caso em questão:

“Pelo ano de 1837, o Dr. J. Larkin, um prático da cidade de Wrentham (Massachusetts), começou a interessar-se pelos fenômenos do Magnetismo Animal, visando nele o que podia ser utilizado para tratamento das enfermidades.

E não tardou a perceber que ele próprio era dotado de poder necessário a tornar-se operador.

No decurso de suas experiências metódicas, teve ocasião de observar que os seus sonâmbulos não somente eram capazes de diagnose, de prognóstico e de prescrições muito eficazes para o tratamento de seus doentes, mas que, de tempos em tempos, eles se aventuravam em excursões espantosas no passado e no futuro de seus pacientes.

Em 1844, uma jovem doméstica, chamada Mary Jane, que ele tomara ao seu serviço, passou a ter graves síncopes que procurou tratar pelo magnetismo animal.

Registrou primeiramente um:a melhora sensível nas suas condições de saúde, mas, após algum tempo, começou a mostrar-se c1arividente, de forma a descreve: minuciosamente a gênese e as fases atuais e futuras de sua própria doença e das moléstias dos clientes do doutor.

Quando o Dr. Larkin deparava casos de enfermidades difíceis de diagnosticar, mergulhava Mary Jane em estado de sonambulismo por meio de passes magnéticos e  logo a moça fornecia-lhe, minuciosamente, o diagnóstico é enfermidade. Acrescentando a prescrição médica cujo efeito e infalível.

Até aí tratava-se apenas experiências que o Dr. Larkin, por iniciativa própria, propunha-se obter. Mas sucedia produzirem-se outras manifestações absolutamente espontâneas, não intencionais, e que colocavam  em sério embaraço o experimentador.

Uma primeira variedade do gênero consistia na produção de  batidas muito fortes, intimamente relacionadas com a fase especial do sono magnético, no decurso do qual Mary Jane se tornava  clarividente.

Mas o Dr. Larkin não chegava a compreender qual era a natureza desse relacionamento. De qualquer modo, notava que as batidas ressoavam nos móveis e objetos que se encontravam excessivamente longe da sonâmbula, para que se pudesse supor que ela os produzia, o que era aliás, confirmado pela circunstância de os seus membros se manterem constantemente imóveis, A única relação que ele podia estabelecer e essa fase especial do sonambulismo e os fenômenos questão, implicava uma  possibilidade que o médico se recusava a tomar em consideração, visto que envolvia a aceitação de certas afirmações sonâmbula, segundo as quais, havia ao lado dela uma “fada”  de beleza maravilhosa e de bondade angelical. Teria ainda de aceitar sem discussão a afirmativa de  que a sonâmbula era, muitas vezes cercada de uma multidão de outras “fadas” semelhantes a “Katy”, embora menos resplandecentes e menos poderosas, e admitir que era “Katy”  quem diagnosticava as enfermidades e indicava o tratamento adequado. Mais do que insto, a sonâmbula via em “Katy” o seu “anjo guardião”.

Entretanto, as perplexidades nas quais se embaraçava o Dr. Larkin para chegar a explicar esses mistérios não se limitavam a isto. Ele assistia a manifestações que tendiam a fazer supor que a sonâmbula fosse muitas vezes tomada por influências inferiores e frívolas, em contraste gritante com as manifestações boas e elevadas já descritas.

Com efeito, ao passo que, sob a influência de “Katy”, a sonâmbula se mostrava amável e afetuosa, e ainda capaz de discutir as questões filosóficas mais difíceis e perturbadoras, acontecia ser tomada por outra influência muito vulgar, embora não essencialmente má.

Nessas circunstâncias, a sonâmbula se exprimia por frases rudes, entremeadas de ditos vulgares, assim como por uma gíria da pior espécie, enquanto ruídos assustadores ouviam-se no aposento, móveis agitavam-se, deslocavam-se, e objetos pesados eram transportados de um canto para outro.

Em uma dessas circunstâncias, toda a família do Dr. Larkin acorrera para perto do leito da sonâmbula. Embora a porta do aposento permanecesse fechada, um pesado ferro de engomar, vindo da cozinha, caiu no meio deles. Ora, a cozinha situava-se na outra extremidade da casa.

Então a Srª Larkin convidou a entidade operante a contar onde o tinha apanhado. O ferro desapareceu sob o olhar de todos e, ainda que as portas estivessem fechadas, foi encontrado de novo na cozinha.

Quando se pedia à sonâmbula explicações a esse respeito, ela respondia que as manifestações eram produzidas pela intervenção de um grumete que ela via a seu lado e que a obrigava a exprimir-se no seu jargão e a blasfemar como ele blasfemava quando vivo.

Certo dia o Dr. Larkin, com outros colegas da Faculdade de Medicina, foi a um banquete oficial que se realizou em um lugar situado a uma trintena de milhas de sua residência. Quando estava de volta, no meio da noite, sua esposa pediu-lhe que fosse ao quarto de Mary Jane, que espontaneamente havia caído no sono magnético e desejava falar com ele. Logo ao entrar foi saudado pelo “grumete” com uma grande explosão de risos, seguida de uma descrição humorística de todas as cerimônias a que havia assistido e de todos os incidentes verificados durante o jantar, entre os quais o seguinte: “O guloso do Dr. Larkin ficara contrariado duas vezes durante a refeição. A  primeira porque o salmão estava quase cru e a segunda porque, porco assado acabara antes do chegar ao seu lugar na mesa”.

Além de “Katy”, das “fadas’ e do “grumete”, várias outras entidades se manifestaram, declinando seus nomes e justificações indicando as regiões em que haviam nascido e falecido e fornecendo detalhes minuciosos sobre acontecimentos de suas vidas terrenas.

O Dr. Larkin, que era um pesquisador meticuloso e sistemático, transcrevia esses dados em um registro especial, no qual, no decurso de alguns anos, acumulou informações biográficas relativas e acontecimentos da existência terrestre de da existência  terrestre de 270 espíritos de mortos, informes que se encarregava de investigar alternadamente, concluindo sempre pela veracidade dos dados obtidos, até mesmo nas circunstâncias mais insignificantes, o que triunfou sobre o seu cepticismo levando-o à convicção de  espíritos de pessoas morta se  comunicavam por intermédio de sua sonâmbula, Mary Jane, conclusão que tinha a grande vantagem de resolver. definitivamente, outras questões de difícil interpretação, até então impenetráveis à razão do Dr. Larkin.

Esta, por exemplo: embora a sonâmbula fosse iletrada e desprovida de imaginação, quando falava sob a influência de certas personalidades, sua conversa tomava-se impecável pela forma e maravilhosa pela elevação do pensamento.

Em outras ocasiões, ela mostra possuir vocabulário tecnológico, científico e filosófico.

 



… pág. 1 2 3 4


 

em-prol

Em Prol da Mediunidade

 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO