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Do país da luz

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És facilmente irritável. Precisas combater tenazmente essa fraqueza da tua vontade.

Chico Xavier
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Quem apostoliza precisa mais de humildade, do que de violência; mais de autoridade do que de cólera. Foi pela humildade que o Mestre conquistou o mundo; foi pela humildade que os seus discípulos consolidaram a doutrina.

Francisco Xavier, só e humilde, conquistou mais almas para o Cristianismo do que todos os cruzados,com os seus aguerridos exércitos e as sua poderosas armadas.
O pobre só se impunha pela simplicidade e pela verdade; os guerreiros pela tirania e pela chacina. Um era o amor e a paz, os outros eram o terror e a desolação; um levava a esperança, os outros o desespero; um levava o alivio às dores, os outros faziam dores para que não havia alivio; por isso o hábito roto e as sandálias humildes do apóstolo ficaram sendo veneradas, e as reluzentes armaduras dos príncipes rapaces e fanáticos, execradas.

Uma idéia, ainda que má, exposta em tranqüila prédica, é mais suscetível de converter incrédulos, do que a mais pura idéia, imposta com intolerância.
Perdoa que nós insistamos de vez em quando nestes conselhos. São indispensáveis. Não há ai quem tão limpo esteja dos maus assomos da vaidade e da irritabilidade, que receba sempre, a sangue frio, os golpes vibrados por quem saiba ferir aquelas duas fraquezas espirituais.

Companheiro. E’ incontroverso que depois que da Terra sai, alguma coisa aprendi mais do que o que nela sabia. Este novo pecúlio de saber seria talvez proveitoso a refundição da minha obra ai.

Tenho refletido muito nisso, por vezes. Sempre que encontro na Terra um médium bom, crio desejos de fazê-lo;

– e agora; que tenho assistido ao desabrochar das tuas faculdades, mais uma vez pensei, com interesse, na possibilidade de fazer esse trabalho de melhoramento, de aperfeiçoamento.

Penso, porém, ao mesmo tempo, que me devo contentar com o que deixei feito.

Assim como é, tem servido bem para o fim a que a destinaram os Espíritos que a ela presidiam, e os que se me seguirem ai, que busquem, no campo especulativo, o que por mal meu e dela lhe possa faltar ainda.

No campo experimental, ilustres e prestantíssimos sábios se lhe tem avantajado em muito.

A parte experimental é, porem, efêmera. Boa para a conquista, não tem, todavia, qualidades de estabilidade e de conservação. Como fenômeno experimentado, entra na ordem das coisas concretas, e para estas coisas, o aperfeiçoamento é mais sensível, porque a natureza delas e mais precária.

Uma obra experimental de grande atualidade e verdade hoje, daqui a dez anos será velha, se a não acompanhar, como parte integrante e auxiliar, a feição abstrata e ideal.

Os meus livros, no que tem de prático, sob o ponto de vista experimental, estão antiquados e suplantados, de há muito, por dezenas de outras obras de mais incontestado e incontestável valor, daquela ordem de estudos. O que, porém neles existe da parte moral e de ensinamento, ainda não foi nem será facilmente sobrepujado. E’ que, neste campo, eles estão com a verdade, e a verdade, apresentada sob que aspecto for, e sempre a verdade. E’ tão nova hoje, como no tempo do Cristo, como no tempo dos profetas, como em qualquer tempo.

Como disse Littré na sua comunicação: – sobre filosofia, o homem esta hoje tão adiantado como há milhares de anos.

Ora a filosofia e a verdade espiritual na Terra.

Sendo assim, para que hei-de mexer na minha obra?

O que tem de bom, há-de ser bom sempre. O que não é bom já esta destruído pelo tempo e substituído vantajosamente por todos os trabalhos dos que, com mais valor, me sucederam.

Se, porém, eu reconhecer necessidade e oportunidade para dizer alguma coisa de novo e de útil, o farei; assim como terei sempre grandíssimo prazer em te responder sobre qualquer assunto, ou sobre qualquer detalhe, em que me dês a satisfação de me consultares. Digo-te isto despretensiosamente. Não me ofereço. Conselhos não se oferecem.

Ponho-me à tua disposição, para te utilizares do meu préstimo e da minha experiência, se nisso vires alguma vantagem; mas não me magoarei se me não utilizares.

E que Deus te ilumine sempre a estrada a percorreres.

Lisboa, 6 de Maio de 1907.


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Autor: Fernando de Lacerda

Fonte: Do país da Luz Vol 2 via Vade mecum espirita


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Em Prol da Mediunidade

 

Do país da Luz e Fernando de Lacerda, citados no livro Em Prol da Mediunidade, Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

Do país da Luz


 


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ALLAN KARDEC

Foi o compilador e principal evangelizador da doutrina espírita. Os seus livros são o
reposlt6rio da filosofia espírita, ao mesmo tempo que contem seguras indicações para base do estudo experimental do Espiritismo.

Agora, depois de reconhecido por ti, apraz-me, sinceramente, louvar-te pela tua obra de propaganda e de divulgação.
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São volvidos poucos anos após aquele em que tomei sobre mim o pesado encargo de coordenar e publicar os ensinamentos dados pelos Espíritos; e foi necessária não pequena dose de energia e coragem moral para arrostar contra a ignorância de uns, contra a indiferença de outros, e, acima de tudo, contra a maldade daqueles a quem a santidade e pureza da doutrina revelada podia prejudicar. Eles, os meus conselheiros e amigos de então, e agora meus companheiros, não me abandonavam nunca; e ao seu auxílio, autorizadíssimo e potente, eu devi, em grande parte, o ter força e vontade para arrostar com todas as campanhas que se me moveram.

Eu, porem, era nada. Simples instrumento da vontade do Mestre e dos seus obreiros, dei o meu nome e a minha ação material para a grande obra.

Talvez ainda desse menos do que tu.

Eu dava o estudo, a compilação, e tu dás a própria ação.
Tu e eu, porém, como todos aqueles que se dedicam com fé e com amor à grande causa do aperfeiçoamento humano, somos meros trabalhadores da obra imortal. Em nada nos devemos desvanecer, e em nada temos que vangloriarmo-nos de méritos que não possuímos.

Só temos e que dar louvores e agradecimentos a quem, para esta ação meritória nos escolheu, sem pensarmos, entretanto, se somos melhores ou piores do que aqueles que para tanto não foram escolhidos.

Do mesmo madeiro se tira pau para esculturas, santas e para formas de calçado; e, por ter diverso destino, não deixou de ter sido alimentado pelas mesmas raízes, criado no mesmo solo e ferido pelo mesmo lenhador. E sucede, por vezes, que a parte a que coube o altar e a adoração, não é a mais sã nem a mais limpa no tronco. Não te envaideças, pois, pela faculdade que possuis.

Extrai dela, sempre que possas, o que de melhor ela possa dar. Não te deixes cegar pela lisonja nem dai nem daqui; assim como te não deixes intimidar com os doestos, as críticas, e, porventura, os insultos com que sejas acolhido. Recorda-te que a vida ai é uma simples transição. Tudo, obedecendo a uma lei comum, transita e passa. O que se demora e fica, ou pelo menos nos dá a impressão da paragem, é a verdade. Ora, a verdade esta na doutrina que servimos, e todo aquele que bem a serve, dela receberá recompensa.

Se te malsinarem, apiada-te de quem o fizer; se responderes, sê sereno, e não olvides nunca que responderas a quem é mais infeliz do que tu, porque ainda lhe não chegou a hora de conhecer a verdade.

 


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Autor: Fernando de Lacerda

Fonte: Do país da Luz Vol 2 via Vade mecum espirita


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Em Prol da Mediunidade

 

Do país da Luz e Fernando de Lacerda, citados no livro Em Prol da Mediunidade, Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

As mulheres Médiuns


Capitulo XIV


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Pedimos vênia à Diretoria da FEB para transcrever alguns lances do primoroso livro do escritor, Carlos Bernardo Loureiro “As Mulheres Médiuns”, tendo em vista sua importância literária, que nos mostra o sacrifício de algumas médiuns, de valor incontestável, na época em que o Espiritismo começava a lançar raízes no mundo em que vivemos.

Tomamos a liberdade de recomendar a todos os espíritas conscientes, a leitura desse livro, para tomarem conhecimento do trabalho realizado por nossas irmãs em Humanidade e, se possível, seguirem o seu exemplo.

Além dos nomes mencionados no transcurso deste modesto trabalho, acrescentamos outros, que vêm a seguir.

“A Cabana do Pai Tomás”

sergio cardoso a cabana do pai tomas

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Deve-se a essa revolução o fim do cativeiro dos nossos irmãos de cor naquele grande país e é muito importante, para nós, os espíritas, tomarmos conhecimento desse fato histórico da Humanidade.

Pelo que se lê no livro, através das declarações da própria Senhora Harriet, não foi ela a sua autora. Um escritor desencarnado, portador de grande inteligência, desejando concorrer para a libertação desses nossos irmãos, aproveitou a mediunidade daquela irmã, que ela mesma Ignorava possuir.

Lendo o texto em estudo, chegamos a essa conclusão.

Assim, seguem abaixo as narrativas da grande médium.

Histórico

“Harriet Elizabeth Beecher-Stowe, filha do casal Lyman Beecher e Roxana Foot, nasceu em Litchfield, Estados Unidos, em 14 de junho de 1811, e faleceu em Hartford, Connecticut, a 1 º de julho de 1896.

Seus pais eram descendentes dos fundadores de New Haven. Depois da morte de sua mãe, em 1815, estudou num colégio de Hartford onde mais tarde viria a lecionar. Em 1832, seu pai mudou-se para Cincinnati, Ohio, levando consigo toda a família.

Ali seria o berço do primeiro livro da autora, que ela começou _ “ver” e “ouvir”. Era um romance emocionante sobre escravidão e suas visões ela foi passando para o papel. Assim surgiu o famoso romance abolicionista A Cabana do Pai Tomás, que alcançou incrível repercussão e determinou a Guerra de Secessão, a qual se prolongou por três anos (1861 -1864) e em que os Estados abolicionistas do Norte, lutando contra os escravagistas de. Estados do Sul, venceram e aboliram a escravidão nos Estados Unidos da América do Norte.

O meio familiar em que viveu Harriet Beecher-Stowe, pode ser considerado como favorável  a  intervenções espirituais. A propósito o Prof. James Robertson, em artigo publicado na célebre revista “Ligth”, afirma que o marido da médium, o Prof. Steewe, era vidente. Ele via, muitas.vezes, ao seu redor, fantasmas de maneira tão nítida e natural que por vezes, lhe era difícil discernir os encarnados dos desencarnados.

E relativamente ao seu grande romance, eis o que a referida revista publica em 1898:

A Srª Howard, amiga íntima da Srª Beecher-Stowe, forneceu essas curiosas indicações pertinentes às modalidades nas quais o famoso romance foi escrito. As duas amigas estavam em viagem e pararam em Hartford para passarem a noite em casa da Sr. Perkins, irmã da Srª Stowe. Elas dormiram no mesmo quarto. A Srª  Howard deitou-se imediatamente e ficou, do seu leito, observando sua amiga ocupada em pentear, automaticamente, seus cabelos anelados, deixando :transparecer em seu rosto intensa concentração mental. Neste ponto, a narradora continua assim: ‘Finalmente Harriet pareceu sair desse estado e disse-me: ‘Recebi, nesta manhã, carta do meu irmão Henry que se mostra bastante preocupado a meu respeito. Ele e que todos esses elogios, que esta notoriedade que se criou em torno de meu nome, produzam efeito de provocar em mim uma chama de orgulho que possa prejudicar minha alma de cristã’ .  Isto dizendo, pousou o pente, exclamando: ‘Meu irmão é, incontestavelmente, uma bela alma porém, ele não se preocuparia  tanto com este caso. Se soubesse que este livro não foi escrito por mim`. -‘Como? perguntei eu, estupefata, não foi você quem escreveu a Cabana do Pai Tomás? – ‘Não, respondeu ela, – não fiz outra  coisa senão tomar nota do que vi’. – ‘Que está dizendo? Então você nunca foi aos Estados do Sul?’ – ‘É verdade, todas as cenas do romance, uma após outra, se me desenrolaram diante dos olhos e eu descrevi o que via’. Perguntei ainda: ‘Pelo menos você regulou a sequência dos acontecimentos?’ – ‘De modo nenhum, respondeu-me ela. Annie me censura por ter feito morrer Evangelina (personagem do romance). Ora, isto não foi por minha culpa; não podia impedi-lo. Senti-o mais do que todos os leitores de minha história. Foi como se a morte tivesse atingido uma pessoa de minha família. Quando a morte de Evangelina se deu eu fiquei tão abatida que não pude retomar à pena por mais de duas semanas.’ Perguntei-lhe então: ‘E sabia que o pobre pai Tomás devia, por sua vez, morrer?’ – ‘Sim, respondeu-me ela, disto eu sabia desde o princípio; porém ignorava de que morte iria morrer. Quando cheguei a este ponto da história, não tive mais visões durante algum tempo’.”

Na mesma prestigiosa revista, relata-se o seguinte episódio.

“Certa tarde, a Sr. Beecher-Stowe passeava sozinha, como de hábito no parque. O capitão X viu-a, aproximou-se dela e, descobrindo-se respeitosamente, disse-lhe: – ‘Na minha mocidade, li também, com intensa emoção, A Cabana do Pai Tomás. Permita-me apertar a mão da autora do célebre romance’ . A escritora, septuagenária, estendeu-lhe a mão, notando, entretanto, vivamente: – ‘Não fui eu quem o escreveu’.

‘Como, não foi a Srª?’  perguntou o capitão, surpreso. ‘Quem o escreveu então?’ Ela respondeu: – ‘Deus o escreveu. Foi Ele quem mo ditou’ .”

As visões de Harriet Beeecher-Stowe guardam certa analogia com as que ocorriam com os romancistas Charles Dickens e Honoré de Balzac. Eles viam desfilar, subjetivamente, cenas e personagens que tinham imaginado. “A diferença entre as de ambos os gênios da literatura e as da Srª Beecher-Stowe observa, oportunamente, o Prof. Ernesto Bozzano – parece, então, consistir nesta última circunstância: eles assistiam ao desenvolvimento dos acontecimentos que sua imaginação consciente tinha criado, ao passo que a Srª Beehcer-Stowe assistia, passivamente, ao desenrolar de eventos que não tinha criado e que estavam, muitas vezes, em oposição absoluta à sua vontade,pois que, por ela, não teria feito morrer duas santas personagens do romance’. O que prova que célebre escritora era médium escrevente, circunstância que se acha confirmada por fatos assinalados na sua biografia, segundo os quais ela era sujeita a “fase de ausência psíquica” que eram, com toda verossimilhança, estados evidentes de transe.”

“Por outro lado – observa o Prof. Emesto Bozzano – notarei a que a exclamação da Sr.  Beecher-Stowe ‘Deus o escreveu!·. subentende que o ditado mediúnico se realizou sob forma anônima, isto é, que o agente espiritual, que operava, ocultava a própria identidade, limitando-se. ao que parece, a cumprir na Terra a Missão de que se encarregara: a de contribuir, eficazmente. graças a uma narrativa emocionante e pungente, para a obra humanitária da redenção de uma raça oprimida”.

O que aconteceu com a Srª  Beecher-Stowe aconteceria. guardadas as devidas proporções, com Antônio de Castro Alves.

Assim como a médium norte-americana jamais esteve no Estados do Sul, onde se consolidou a escravidão, também o poeta baiano, segundo consta. jamais pôs os pés em um navio negreiro. Ambos, contemporâneos, descreveram, em prosa e verso, o drama fantástico e absurdo de seres humanos que eram tratados como animais. A obra psicografada pela Srª Beecher-Stowe comoveu toda a grande nação americana, conseguindo despertar o sentimento de solidariedade e respeito à pessoa, assim como a poesia candente de “Navio Negreiro”, Escravos” e “Vozes D’ África”, sensibilizou o povo brasileiro, levando-o a assumir franca posição favorável à abolição da escravatura. Teria sido Castro médium? Acreditamos que sim.

O ser  espiritual que o inspirou, e identificou, contribuiu, competentemente (assim como a entidade anônima da Srª Beecher-Stowe), para a erradicação de uma das mais aberrantes e terríveis “chagas da Humanidade”. Os planos espirituais superiores “agem onde querem”, isto é, em qualquer lugar, em todas as latitudes terrenas, universalizando, de forma silenciosa, a mediunidade, segundo já preconizou o Professor Humberto Mariotti. Deduz-se, daí, que o processo mediúnico é, realmente, como afirmou o Mestre Allan Kardec, um atributo eminentemente humano, que se projeta, sob os auspícios dos seres invisíveis, em meio às sociedades terrenas, contribuindo para o crescimento ético e espiritual, a despeito de certas e acacianas “disposições em contrário”.

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Em Prol da Mediunidade

 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

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