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Remontando às Origens – parte III
31 de janeiro de 2014 Creche “Isabel a Redentora”, Teresópolis, RJ

 


Capítulo VIII

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Reprodução Web

Praticamente perdera todos os seus bens materiais, produto de longos anos de luta contra a natureza renitente da montanha, com seus invernos impiedosos e a rejeição da terra mal ferida pela civilização.

Todavia não está vencido. Vai começar a sua vida de missionário, vai transmitir aos homens, seus irmãos, as verdades que os espíritos superiores lhe haviam ensinado. É homem rijo! Enquanto lhe restar um sopro de vida, Jonathan Koons vai proclamar as revelações espíritas.

De aldeia em aldeia, de cidade em cidade, a família Koons vai oferecer sua medi unidade ao exame do público, sem jamais receber a paga de um simples “penny”. “Dai de graça o que de graça receberdes”.

Pobre, muitas vezes incompreendido, na dolorosa solidão dos que decidem viver por um ideal, Jonathan Koons foi o maior propagandista que o Espiritismo teve nos dias heroicos em que um outro singelo povoado, Hydesville, abalava a opinião pública americana.

Na história do Espiritismo, como tantos outros pioneiros, Koons avança em suas veredas missionárias e desaparece no horizonte do tempo.

Nenhum autor informa onde recebeu da terra o lençol amigo para o seu corpo cansado. Mas Nandor Fodor sustenta que, recusando-se energicamente a vender suas excelentes faculdades, ensinando, pregando, deixando o público perplexo assistir às maravilhas do fenômeno mediúnico – só ele capaz de provar a mais alta verdade, a da sobrevivência, com todas as suas implicações, vivenciais e morais – Jonathan Koons chegou ao seu amargo fim.”

Comentamos:

A vida continua e o Espiritismo se expande, cada vez mais, acompanhado de perto pelo martírio dos médiuns, devido à cegueira dos homens, grande parte, segundo expressões de Jesus Cristo, ouvidos de ouvir, mas não olhos de ver, mas não veem”.

Deus se apiede deles, cujo futuro cheio de urzes, os ensinará escolher o melhor caminho.

Pedimos novamente à Editora “O Clarim”, para transcrever este importante trabalho.

O Caso Dr. J. Larkin

Sobre esse grande  homem Ernesto Bozzano traz ao nosso conhecimento o seguinte:

“Não temos necessidade , recordar aqui que as manifestações supranormais, em todas as suas formas, se registraram em  todas as épocas e no meio de  todos os povos. Não é também o caso de acrescentar que o mesmo  aconteceu invariavelmente com todas as categorias de manifestações mais ou menos ocultas da  natureza, que não chegaram a se impor definitivamente: dos povos e dos eruditos e,  conseguinte, a se transformar em um novo ramo do saber humano, senão quando os tempos estiverem maduros para colhe-las. A respeito devo assinalar uma circunstância interessante: é que  chegado o momento em que deve aparecer uma nova ordem de manifestações, essas iniciam o seu surto, muitas vezes em seguida a incidentes mais ou menos insignificantes ou banais, que teriam passado despercebidos em outros momentos e que, por isso mesmo, não fazem pressagiar a grande importância que as manifestações que veiculam estão destinadas a ter na história do progresso humano.

No que concerne aos fenômenos mediúnicos, vemos que, no século que precedeu o nascimento do Espiritismo, assistiu-se à produção de grandes manifestações dessa natureza, que não conseguiram, entretanto, sacudir definitivamente a indiferença dos povos. É o que se pode dizer em relação às visões de Emmanuel Swedenborg, às diferentes experiências supranormais de Yung  Stillign, Lavater, Eschenmayer, Zschoke, Eckartshansen, Schuumam, Wermer, Gassner, Oberlin.

Igualmente com referência às famosas experiências do Dr. Justinus Kerner, com a “Vidente de Prevorst”  (um caso de primeira ordem e que agrupa quase toda a fenomenologia mediúnica), aos fenômenos tão importantes que se realizaram espontaneamente de 1838 a 1848, em várias comunidades dos Quakers, às experiências autenticamente espíritas de Alphonse Cahagnte, com a sonâmbula Adéle Maginot (1845/1848) e, finalmente, quanto às visões supranormais e os volumes de revelações transcendentais do célebre vidente norte-americano, Andrew Jackson Davis.

De qualquer modo, os nomes desses precursores são conhecidos de todos e ficaram devidamente registrados na história do movimento espírita. Não se pode dizer outro tanto de um outro precursor absolutamente digno de ser lembrado e cujo nome permanece negligenciado, para não dizer, esquecido de todos. Quero falar do Dr. J. Larkin, um médico bem conhecido nos Estados Unidos, o qual, entre 1837 e 1848 fez pesquisas sobre o magnetismo animal, obtendo manifestações supranormais muito notáveis, cuja natureza, nitidamente espírita, leva a afirmar que, se tivessem sido divulgadas tanto quanto o mereciam, o movimento espírita em lugar de datar das “batidas” de Hydesville, com as Irmãs Fox, dataria das experiências magnéticas do Dr. J. Larkin.

Fala-se dele e das suas experiências nas revistas espíritas que aparecem nos Estados Unidos no começo do Movimento. A revista “The Spiritual Telegraph” (1852-1857) reivindica para ele o direito de ser registrado entre os precursores mais notáveis do Espiritismo Moderno. Entre os historiadores do Movimento, a srª Emma Harding-Britten é a única a citá-lo em sua obra” Modern American Spiritualism”.

Eis, em resumo, a história do caso em questão:

“Pelo ano de 1837, o Dr. J. Larkin, um prático da cidade de Wrentham (Massachusetts), começou a interessar-se pelos fenômenos do Magnetismo Animal, visando nele o que podia ser utilizado para tratamento das enfermidades.

E não tardou a perceber que ele próprio era dotado de poder necessário a tornar-se operador.

No decurso de suas experiências metódicas, teve ocasião de observar que os seus sonâmbulos não somente eram capazes de diagnose, de prognóstico e de prescrições muito eficazes para o tratamento de seus doentes, mas que, de tempos em tempos, eles se aventuravam em excursões espantosas no passado e no futuro de seus pacientes.

Em 1844, uma jovem doméstica, chamada Mary Jane, que ele tomara ao seu serviço, passou a ter graves síncopes que procurou tratar pelo magnetismo animal.

Registrou primeiramente um:a melhora sensível nas suas condições de saúde, mas, após algum tempo, começou a mostrar-se c1arividente, de forma a descreve: minuciosamente a gênese e as fases atuais e futuras de sua própria doença e das moléstias dos clientes do doutor.

Quando o Dr. Larkin deparava casos de enfermidades difíceis de diagnosticar, mergulhava Mary Jane em estado de sonambulismo por meio de passes magnéticos e  logo a moça fornecia-lhe, minuciosamente, o diagnóstico é enfermidade. Acrescentando a prescrição médica cujo efeito e infalível.

Até aí tratava-se apenas experiências que o Dr. Larkin, por iniciativa própria, propunha-se obter. Mas sucedia produzirem-se outras manifestações absolutamente espontâneas, não intencionais, e que colocavam  em sério embaraço o experimentador.

Uma primeira variedade do gênero consistia na produção de  batidas muito fortes, intimamente relacionadas com a fase especial do sono magnético, no decurso do qual Mary Jane se tornava  clarividente.

Mas o Dr. Larkin não chegava a compreender qual era a natureza desse relacionamento. De qualquer modo, notava que as batidas ressoavam nos móveis e objetos que se encontravam excessivamente longe da sonâmbula, para que se pudesse supor que ela os produzia, o que era aliás, confirmado pela circunstância de os seus membros se manterem constantemente imóveis, A única relação que ele podia estabelecer e essa fase especial do sonambulismo e os fenômenos questão, implicava uma  possibilidade que o médico se recusava a tomar em consideração, visto que envolvia a aceitação de certas afirmações sonâmbula, segundo as quais, havia ao lado dela uma “fada”  de beleza maravilhosa e de bondade angelical. Teria ainda de aceitar sem discussão a afirmativa de  que a sonâmbula era, muitas vezes cercada de uma multidão de outras “fadas” semelhantes a “Katy”, embora menos resplandecentes e menos poderosas, e admitir que era “Katy”  quem diagnosticava as enfermidades e indicava o tratamento adequado. Mais do que insto, a sonâmbula via em “Katy” o seu “anjo guardião”.

Entretanto, as perplexidades nas quais se embaraçava o Dr. Larkin para chegar a explicar esses mistérios não se limitavam a isto. Ele assistia a manifestações que tendiam a fazer supor que a sonâmbula fosse muitas vezes tomada por influências inferiores e frívolas, em contraste gritante com as manifestações boas e elevadas já descritas.

Com efeito, ao passo que, sob a influência de “Katy”, a sonâmbula se mostrava amável e afetuosa, e ainda capaz de discutir as questões filosóficas mais difíceis e perturbadoras, acontecia ser tomada por outra influência muito vulgar, embora não essencialmente má.

Nessas circunstâncias, a sonâmbula se exprimia por frases rudes, entremeadas de ditos vulgares, assim como por uma gíria da pior espécie, enquanto ruídos assustadores ouviam-se no aposento, móveis agitavam-se, deslocavam-se, e objetos pesados eram transportados de um canto para outro.

Em uma dessas circunstâncias, toda a família do Dr. Larkin acorrera para perto do leito da sonâmbula. Embora a porta do aposento permanecesse fechada, um pesado ferro de engomar, vindo da cozinha, caiu no meio deles. Ora, a cozinha situava-se na outra extremidade da casa.

Então a Srª Larkin convidou a entidade operante a contar onde o tinha apanhado. O ferro desapareceu sob o olhar de todos e, ainda que as portas estivessem fechadas, foi encontrado de novo na cozinha.

Quando se pedia à sonâmbula explicações a esse respeito, ela respondia que as manifestações eram produzidas pela intervenção de um grumete que ela via a seu lado e que a obrigava a exprimir-se no seu jargão e a blasfemar como ele blasfemava quando vivo.

Certo dia o Dr. Larkin, com outros colegas da Faculdade de Medicina, foi a um banquete oficial que se realizou em um lugar situado a uma trintena de milhas de sua residência. Quando estava de volta, no meio da noite, sua esposa pediu-lhe que fosse ao quarto de Mary Jane, que espontaneamente havia caído no sono magnético e desejava falar com ele. Logo ao entrar foi saudado pelo “grumete” com uma grande explosão de risos, seguida de uma descrição humorística de todas as cerimônias a que havia assistido e de todos os incidentes verificados durante o jantar, entre os quais o seguinte: “O guloso do Dr. Larkin ficara contrariado duas vezes durante a refeição. A  primeira porque o salmão estava quase cru e a segunda porque, porco assado acabara antes do chegar ao seu lugar na mesa”.

Além de “Katy”, das “fadas’ e do “grumete”, várias outras entidades se manifestaram, declinando seus nomes e justificações indicando as regiões em que haviam nascido e falecido e fornecendo detalhes minuciosos sobre acontecimentos de suas vidas terrenas.

O Dr. Larkin, que era um pesquisador meticuloso e sistemático, transcrevia esses dados em um registro especial, no qual, no decurso de alguns anos, acumulou informações biográficas relativas e acontecimentos da existência terrestre de da existência  terrestre de 270 espíritos de mortos, informes que se encarregava de investigar alternadamente, concluindo sempre pela veracidade dos dados obtidos, até mesmo nas circunstâncias mais insignificantes, o que triunfou sobre o seu cepticismo levando-o à convicção de  espíritos de pessoas morta se  comunicavam por intermédio de sua sonâmbula, Mary Jane, conclusão que tinha a grande vantagem de resolver. definitivamente, outras questões de difícil interpretação, até então impenetráveis à razão do Dr. Larkin.

Esta, por exemplo: embora a sonâmbula fosse iletrada e desprovida de imaginação, quando falava sob a influência de certas personalidades, sua conversa tomava-se impecável pela forma e maravilhosa pela elevação do pensamento.

Em outras ocasiões, ela mostra possuir vocabulário tecnológico, científico e filosófico.

 



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Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

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