Rádio Rio de Janeiro

posto-seis

                           Reprodução Web


 


Nosso velho amigo e companheiro de lutas redentoras, Geraldo de Aquino, tem um coração enorme. Não sabemos como essa peça anatômica cresceu tanto. Não é elogio, não, pois ele está cumprindo um dever, dever sagrado de todo espírita cristão.

Naquele bom tempo – princípios de 1940 – quando éramos mais moços, encontramo-nos certa feita, na “Hora Espiritualista João Pinto de Souza”, dirigida por seu saudoso fundador. Naquela recuada época, a Hora Espiritualista funcionava na Rádio Copacabana, no Posto Seis da Praia de Copacabana.

Todos os domingos era certo o nosso encontro na Estação de Rádio e voltávamos juntos para casa, pois ambos morávamos na Zona Norte do Rio. Enquanto eu falava a propósito da “Casa da Mãe Pobre” e da Doutrina, o Geraldo fazia apelos pelo “ar” em favor dos desprotegidos da sorte. E as ofertas iam chegando para o Geraldo. Roupas usadas, sapatos, pernas mecânicas, algum dinheiro e muitas outras utilidades, a ponto de profetizarmos que, a continuarem os seus apelos, teria ele de comprar um caminhão para apanhar as doações.

O Geraldo considerava exagero o que eu dizia, mas o fato era real e o tempo nos deu razão.

“Como é bom o povo carioca!” exclamava ele.

“Quantos corações se abrem para ajudar os semelhantes!” E acrescentava: “Creio que não há no mundo povo mais dadivoso que o brasileiro e talvez não haja igual! Na sua maioria, os imigrantes que aportam no Brasil são contagiados pelos brasileiros e, dentro em pouco, estão também ajudando os menos felizes! Deus seja louvado!”

Deveres imperiosos forçaram-nos a retirada da Hora Espiritualista, mas o Geraldo perseverou e, tempos após, o incansável João Pinto de Souza faleceu.

A herança de toda aquela responsabilidade coube ao Geraldo de Aquino. De todos os companheiros que lá trabalhavam e dos que frequentavam a Hora Espiritualista, nenhum outro quis carregar aquela pesada cruz. Dinheiro não havia, pois o saudoso João Pinto de Souza andava sempre solicitando auxílio aos amigos para pagar os compromissos assumidos pela Rádio. Que o diga o velho amigo Geraldo, pois somente ele teve a coragem de arcar com toda a responsabilidade e a promessa que fez a si mesmo de continuar a manter esse enorme e pesado compromisso. Note-se que, àquela época, o movimento espírita era muitíssimo menor do que na atualidade, dificultando todas as iniciativas. Por esse detalhe se pode avaliar a coragem de Geraldo, testemunhada posteriormente quando se lhe meteu na cabeça a ideia de comprar a Emissora, empreendimento que somente as grandes fortunas poderiam levar a bom termo.

Os comentários acima vêm a propósito do grande auxílio que ele vem proporcionando à “Casa da Mãe Pobre” quando, possivelmente em 1969, foi pelo Geraldo, oferecido à nossa Instituição, a título absolutamente gracioso, um espaço de quinze minutos semanais para propaganda e pedidos de auxílio para ajudar a manutenção da nossa Entidade.

Deus lhe pague em bênção de misericórdia tão grande esmola e lhe proporcione os melhores bens da vida. São os nossos ardentes votos.


 


ri_1

CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...