Pensamentos escritos por Carlos Eduardo


 


Querida Mamãe e querido Papai, nossas preces estão reunidas rogando aos Mensageiros de Jesus por nossa paz.

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      Foto: Acervo CMP
“Julga-se que a liberação do corpo mais pesado significa emancipação plena, entretanto, a chamada “morte” não expressa qualquer supressão de laços do pensamento”.

Conquanto esteja escrevendo a duas mãos, com outras mãos a  me protegerem os movimentos, sinto-me em casa para endereçar-lhes minhas notícias, reafirmando os recados que já transmiti.. Compreendo, Mãezinha, a lesão que sofremos. A desencarnação é uma espécie de cirurgia, especialmente em nossas forças psicológicas.

Julga-se que a liberação do corpo mais pesado significa emancipação plena, entretanto, a chamada “morte” não expressa qualquer supressão de laços do pensamento. Escorados em  Papai,  principalmente, estamos nós dois no processo de libertação espiritual um do outro. O seu coração pulsa no meu e as minhas  idéias ganham curso em seu cérebro.

Não sei ainda onde termina a sua influência em mim, tanto quanto não ignoro que o seu entendimento ainda não consegue precisar onde acaba o influxo de minhas vibrações afetivas em seu mundo sentimental.

Já me fiz sentir através da estimada Marli e das faculdades, mediúnicas do Papai, no entanto, solicitei esta chance de reiterar as minhas palavras, de modo a solicitar-lhes confiança em Deus e na vida. Minha memória está nítida. Hoje, 22, assinala o mês que nos falta para completar um ano inteiro de saudades enormes.

Minhas recordações estão seguras. Adormeci, depois das Preces habituais, com a intuição de que algo extraordinário estava para  acontecer. Antes havia falado aos pais queridos de minha fase de desligamento natural de todas as questões que me pudessem prender à existência física. Aquilo não era uma fantasia de menino religioso. Lá dentro – dentro de meu íntimo – chegara a. certeza de que o meu tempo na estância terrestre estava a escoar-se. O coração me contava toda a ocorrência próxima e não me enganei.

Dormi como de hábito, e me senti num sonho de alta beleza. Sentia-me leve, respirando certo ar puro a que não me achava habituado, no cotidiano. Muitos amigos me assistiam, ou,  qual, refletia naquela hora, devia eu estar assistindo a muitos amigos.

Conheci para logo o nosso querido amigo Dr. Bezerra e procurava adivinhar os nomes de outros amigos e benfeitores presentes, junto de mim. Rearticulando as imagens que recolhera dos meus dias de atividade em nosso querido Grupo “Regeneração”, reconheci o Dr. Alcides de Castro, a cujo nome  tanto me afeiçoara e um impulso natural me arrastou para o abraço ao Dr. Dias da Cruz, que reconheci, de imediato, guiado por uma inclinação irresistível.

Estava consciente e alegre. Entre as paredes de meu quarto havia uma festa de luz para a qual não me preparara.

Ansioso, embora tranquilo, se pudermos dizer que a paz coexiste com a inquietação, notei que uma senhora de semblante calmo e doce veio abraçar-me e disse com voz clara: Querido Carlos, você será bem-vindo ao lar dos Lauff! Estranhei o que ouvia, quando, perplexo, vi meu corpo repousando, à maneira de  uma escultura de células que estivesse me esperando.

Recordei o regaço de Mamãe Edda e o colo da Vovó Júlia, quando criança e enlacei-me com a senhora cujo olhar me cativara com a ternura irradiante, em que se expandia. E fiz isso, porque ninguém naquela festa improvisada necessitaria explicar-me o acontecido. Minha ligação com a vida física terminara.

Não me situava num sonho. Identificava-me por dentro de uma realidade a que não me competia resistir. Apesar de tanto socorro, no entanto, ao cientificar-me de que a minha própria desencarnação se complementara, um abatimento difícil de explicar me dominou todas as forças.

Quis encaminhar-me para outros setores de casa, abraçar os pais e as irmãs queridas, mas o impacto daquela revelação me imobilizava e recebendo passes de auxílio de amigos presentes, realmente entrei num torpor diferente do sono comum. Soube, depois, que fui transportado para o lar hospital do “Regeneração”,  onde acordei além de algum tempo cuja duração não consigo ainda determinar. Ainda assim embora as minhas expectativas de menino desejoso de retorno ao campo doméstico, não me demorei a registrar-lhes as orações em meu auxílio. Pude entrar em contato com todos de casa e agradeço o carinho das lembranças com que me reconfortavam. Surpreendi os pais queridos e os avós, por vezes chorando em separado, ao me lembrarem a viagem de volta à Espiritualidade e uni meus votos  os votos da família querida, porque se pediam a Deus por minha paz, era minha obrigação rogar aos Céus pela tranquilidade dos meus entes queridos.

Temos vivido assim, nestes onze meses de união diferente, mas tanto quanto procuram readaptação à vida física, busco de minha parte reaver a espontaneidade que me deve caracterizar em meu novo modelo de existência.

Agradeço ao Papai Aurílio quanto faz por sustentar-nos firmes na fé em Deus e em nós mesmos e agradeço à Mamãe Edda este clima de incessante amor em que nos entrelaçamos nos mesmos sentimentos, procurando ansiosamente a fórmula de amar-nos sem demasiado apego, a fim de que a nossa renovação se faça mais rapidamente.

Querida Mamãe, nossa querida Scheilla, nossa querida Lívia, e nossa querida Liliane estão aí requisitando-nos atenção e presença.

O vovô João e a vovó Júlia com os meus outros avós, permanecem ao nosso lado, esforçando-se por atenuar o rigor das saudades muitas e, com a bênção do Pai Celeste com o carinho do Papai Aurílio venceremos as nossas dificuldades, cicatrizando as feridas da separação que nos remanescem da imensa dor de nos distanciarmos uns dos outros por força dos Desígnios Divinos. Sei que o seu coração deseja um filhinho e tudo será examinado com tempo e discernimento, mas se puder aceitar-me um pedido queria vê-la operosa na homeopatia em auxílio às crianças.

O trabalho em semelhante seara de amor aos nossos irmãos pequeninos reconstituiriam os nossos vínculos de presença  constante.

Mamãe, estou em nossa família do “Regeneração”, mas, perdoe-me se lhe disser que anseio trabalhar ao seu lado na pediatria exclusivamente homeopática, a fim de servirmos a tantas crianças que precisam preservar a saúde e a própria normalidade

da existência física, em nos referindo ao futuro. O nosso caro amigo Dr. Bezerra já me disse que os pequeninos necessitados de curativo são igualmente não somente irmãos, mas também filhos de sua ternura materna, à maneira de rebentos do seu querido coração.

Não desejo estagnar meus estudos e justamente na homeopatia é que reencontro campo mais propício ao desenvolvimento de minha nova fase de serviço. A saudade é nossa, saudade que se nos fará bênção de alegria quando estivermos juntos à cabeceira dessa ou daquela criança doente, diligenciando o encontro de recursos para liberá-la de qualquer comprometimento com as medidas violentas que tantas vezes desfiguram as esperanças de uma vida simples e sã.

Converse com Papai a esse respeito. Não se sinta machucada ou inerte. Nós ambos temos vivido nestes onze meses na clínica das orações de quantos se interessam por nossa felicidade.

As irmãs queridas se habilitam para o futuro próximo.

O Papai se orienta por diretrizes profissionais seguras e constantes, e nós dois podemos iniciar o trabalho socorrista aos nossos irmãos que se encontram na primeira fase do curso de experiências na Terra. Nosso trabalho será uma estrela que, começando a brilhar na creche do “Regeneração” se estenderá depois, criando-nos a alegria de plantar muita alegria para os outros.

Desculpe-me se penso nisso, mas reafirmo que os nossos ideais se interligam e o serviço ao próximo, no alcance daquilo que se nos faça possível, é a receita mais eficiente para a restauração definitiva de nossas forças.

Já que esta carta se alonga por demais, envio muitas lembranças às meninas, à vovó Júlia e ao vovô João e ao vovô Silvério com a vovó Maria.

Quero dizer a meu pai que tenho recebido muito auxílio de amigos espirituais que velaram por ele na infância, destacando o irmão Salustiano, o irmão Netto, o Padre Francisco de Paula Victor e o Dr. Augusto Silva e desejo seja dito a vovó Júlia e ao vovô João que a vovó Maria Lauff tem sido aqui em meu auxílio outra mãe pelo coração.

Se eu pudesse queria que a felicidade fosse aqui uma árvore a agasalhar a todos. Meus agradecimentos à nossa querida irmã Leda e aos queridos irmãos Paulo e Rosina e aos irmãos outros que nos acompanham nesta noite de paz.

A família na Vida Espiritual se desdobra. Por isso temos conosco nestes minutos inesquecíveis, o tio Alcides, a tia Thereza, a tia Emília; a tia Therezinha, a tia Lili e muitas outras criaturas benditas do nosso abençoado “Lar de Regeneração”.

Estou muito sensibilizado para dizer “até depois”.

Afinal, a gente nunca se separa. Não será melhor afirmar – “todos estamos juntos?”.

Papai querido e querida Mamãe Edda, vejam-me no amor com que os tenho incessantemente na memória e recebam juntos o coração inteirinho do filho que lhes deve tanto e que através do amor que me dispensam, passará a dever-lhes  muito mais.

Um beijo de respeitoso carinho e de muita gratidão do filho agradecido. Carlos.

Carlos Eduardo.

Mensagem recebida pelo querido médium Francisco Candido Xavier em reunião realizada em 22.10.81, em Uberaba-MG

Pensamentos escritos por Carlos Eduardo em 2/11/80, 20 dias antes do desenc.

“A paz espiritual é o maior tesouro do homem. Feliz é aquele que, ao deitar sua cabeça no travesseiro, após sentida oração, consegue dormir na santa paz de Deus. ”

“A luz que nos leva  Aos páramos da beleza  É a voz da consciência

Em comunhão com o bem”.

ESCLARECIMENTOS

Carlos Eduardo Frankenfeld de Mendonça – Nasceu em 18/9/65 e desencarnou em 22/11/80

Pais: Aurílio Morais de Mendonça (Engº) e Edda Frankenfeld de Mendonça (médica).

Irmãs: Scheilla, Lívia e Liliane;

Avos maternos: Júlia e João Frankenfeld

Avós paternos: Maria e Silvério de O. Mendonça

Bisavós: materna: Maria Lauff, nascida na Tchecoslováquia e desencarnada no Brasil em 1970.

Grupo Espírita Regeneração – Fundado pelo Dr. Bezerra de Menezes em 1891. Funciona na R. São Francisco Xavier 609 – Rio de Janeiro.

Espíritos mencionados: Dr. Alcides de Castro. Presidente do Regeneração de 1948 até 1964 quando desencarnou no Rio de Janeiro;

Dr. Dias da Cruz ilustre médico homeopata.- Desencarnou  no RJ. na década de 30;

Irmão Salustiano, Irmão Netto, Padre Francisco de Paula Victor e Dr. Augusto Silva – Benfeitores da Região de Boa Esperança Sul de Minas, terra natal do pai de Carlos Eduardo.
Tia Thereza (desencarnada em 1973); Tia Emília (desencarnada em 1969); Tia Therezinha (desencarnada em 1977); Tia Lili (desencarnada em 1975), todas ligadas ao Regeneração.

Pessoas mencionadas: Irmã Leda (Dra. Leda Pereira da Rocha – atual Presidente do Regeneração)

Irmãos Paulo e Rosinha – Diretores do Regeneração.

Irmã Marly, também do Regeneração e a quem foi revelada existência anterior de Carlos Eduardo na qual foi ele ilustre médico homeopata e político no Rio de Janeiro.

Anotações:

1 – Comunicou-se psicofônicamente através do pai 3 dias após o desencarne e posteriormente após 7 meses.

2 – sua mãe guardava a intenção de adotar um recém-nascido.

 


Fonte:  Folder da Casa da Mãe Pobre



 

 

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