Otília Diogo

otilia

                      Reprodução Web


Capítulo XXII


A Editora Cultural Espírita Ltda., então com sede na cidade de São Paulo, lançou na década de 60, o livro sob o título “Otília Diogo e a Materialização de Uberaba”, de autoria do jornalista e escritor Jorge Rizzini. É um trabalho sobre a médium mineira da cidade de Andrada, MG, e inicialmente foi publicada pelo jornalista e escritor  Jorge Rizzini. É um trabalho sobre a médium mineira na cidade de Andrada, MG, e inicialmente foi publicada pelo jornalista Salomão  Schuartzman, repórter da revista “Fatos e Fotos”, edição de 3 de agosto de 1963.

Eis o relato do referido repórter, transcrito por Rizzini na obra supracitada:

“Quero relatar de maneira minuciosa tudo que eu vi na sessão espírita do Centro Paz e Amor, na cidade de Andrada, no interior de Minas Gerais, no dia 17 de julho último (1963). Eu e Geraldo Mósi, dois descrentes em matéria de Espiritismo, viajamos mais de 400 quilômetros para comprovar a materialização de um Espírito e trazer aos leitores de “Fatos e Fotos” o relato honesto dos 120 minutos  que passamos no interior da case número 138, da Rua do Mercado.

Em toda a minha vida, eu jamais havia assistido a qualquer trabalho dessa natureza. Movia-me o desejo da reportagem, tão somente, imbuído de um respeite simples que todos guardamos dentro de nós quando nos defrontamos com algo desconhecido. Confesso que, de início, antes que começasse a sessão, alimentei a vontade de descobrir uma possível fraude. Meus olhos bailaram de cá para lá, de baixo para cima, procurando um teto falso, um túnel, um buraco, uma porta secreta, qualquer coisa, enfim, que me levasse a pôr em dúvida a seriedade daquele espetáculo. Nada encontrei. A médium, uma mulher baixa, magra, aparentando 30 anos, naquela quarta-feira, com 38 graus de febre, voz fina de mulher do interior, usando um vestido largo, e um suéter grosso e sapatos baixos, dava-me a idéia de qualquer coisa incomum. Seu nome: Otília Diogo. Casada, mãe de duas filhas.”

“Éramos, numa sala de uns vinte e cinco metros quadrados, 34 pessoas, entre homens e mulheres. O silêncio era total. A voz de Antenor era forte, mas simpática. Durante 30 minutos, ele falou na bem-aventurança da vida extraterrena. Também um capítulo do Evangelho foi lido. Quando se deu por satisfeito e antes que todos passássemos a uma outra sala, três passistas percorreram um por um dos assistentes – nós dois, inclusive – fazendo gestos sobre as nossas cabeças, tirando os maus fluidos que porventura tivéssemos trazido. Benzidos, penetramos na sala onde se daria a materialização.”

“A minha expectativa aumentava. Subi até o tablado e examinei o local onde Otília já estava. pois, assim que a sessão começasse uma cortina a separaria de todos nós, a fim de que lá não penetrasse a mínima réstia de luz. O teto era de cimento, como as paredes, que também não tinham o menor defeito, rachadura ou porta. Algumas garrafas com água ficavam ao seu lado, colocadas pelos crentes esperançosos de que o Espírito ali pusesse remédios divinos para os seu males físicos. Uma vitrola e alguns discos também se encontravam perto da médium; era para o Espírito tocar a música que desejasse.”

“Eu sabia que essa irmã Josefa tinha vindo da Alemanha, com 17 anos, entrando para um convento na cidade de Itu, no interior de S. Paulo, lá conheceu um padre. Dessa ligação ilícita nasceu Otília. Irmã Josefa morreu há quase nove anos. Tempos depois de sua morte, seu Espírito passou a se manifestar na filha. Otília começou a desenvolver a mediunidade E a primeira materialização de sua mãe foi conseguida há quatro anos, quando Josefa apareceu, dizendo, entre outras coisas:

– Quando passei para o lado de cá, a única virtude que trouxe foi a de ter tido uma filha.”

” … Ordens severas haviam sido dadas no sentido de que somente se tirassem fotografias depois da autorização do próprio Espírito. Do contrário, a luz do “flash” cegaria para sempre a médium. Obedecemos para evitar qualquer tragédia.”

“De repente, em meio à escuridão, vislumbrei um vulto branco. Era o Espírito que aparecia e que se anunciava como irmã Josefa. Todos renderam graças a Deus. Fiquei extático. A preocupação de descobrir qualquer indício de embuste tirou-me o medo, mas não vi nenhuma mistificação. E a Irmã Josefa lá estava com uma pequeníssima parte de seu rosto e a laringe iluminadas por uma luz fosforescente. Não se lhe viam os olhos, a boca e o nariz. A luminosidade diminuta de uma parte de sua laringe, repito, era o que se enxergava. E Josefa falou.

Josefa falou com um sotaque alemão que me surpreendeu. Abençoou a todos e disse estar satisfeita com a presença de dois homens de imprensa que ali tinham vindo conhecê-la. Para cada frase, ele repetia: “Viva Jesus, viva Jesus!”

Antenor destacou-se da assistência e perguntou se o fotógrafo poderia tirar umas chapas. Irmã Josefa, numa voz muito meiga, envolvente, disse:

– Sim, e por que não?

O “flash” explodiu pela primeira vez dentro daquela colossal escuridão. Na claridade momentânea, vi o Espírito materializado numa vestimenta branca, comprida, tocando o chão.

“Graças a Deus”, repetia a assistência. “Viva Jesus”, repetia sempre Irmã Josefa. Eu não queria acreditar no que via. Mas via! Não podia deixar passar aquela chance de entrevistar um Espírito. Tateei na escuridão a mão de Antenor Rossi, que sentava próximo de mim, e perguntei-lhe se poderia conversar com a Irmã Josefa; ele transmitiu minha pergunta e obtive a autorização. Levantei-me e falei:

– Vim de longe para falar com a senhora …

– Viva Jesus!

– … e quero saber se tenho bons fluidos para isso.

-Ótimo.

– A senhora nasceu onde?

– Na Alemanha.

– E onde morreu?

– Em Campinas.

– Qual o número do seu túmulo?

– Número dez.

Nesse instante, minhas pernas tremeram. Vacilei e me sentei. Mas meu espanto foi ainda maior quando a Irmã Josefa se dirigiu a uma moça que me acompanhava (e que ninguém dali conhecia, absolutamente). Eu sabia que ela tinha perdido seu pai, há sete meses. E Irmã Josefa lhe disse, estendendo-lhe uma cruz:

– Entregue esta cruz à mocinha que perdeu o pai há pouco tempo.

– Antenor entregou a cruz.

A moça perguntou se o pai estava bem.

– Está bem e agora estará melhor, porque andará comigo – disse Irmã Josefa, enquanto sua testa se movia para cima e algumas vezes para o lado.

Novamente o “flash” espocou e, a todo instante, Irmã Josefa repetia: “Viva Jesus”. As preces eram continuadas. De repente, a música do disco: voz de Inesita Barroso, cantando uma modinha típica em que falava de Deus. Assistência em silêncio, desta vez. Irmã Josefa abençoa a reportagem de “Fatos e Fotos” e diz que gostou muito do fotógrafo. Pergunta-lhe o nome. Mósi, do fundo da sala, ensaia um “Geraldo”. Antenor repete: Irmão Geraldo.

O Espírito materializado avisa que vai embora. O plasma está acabando. Todos renderam graças a Deus e a luz é ligada novamente. No aclarar-se a sala. já não se vê mais a Irmã Josefa. Desapareceu.

Meus olhos ardem. A cortina é aberta e a médium é libertada. sob a minha vista. Nenhum buraco no chão, nenhum sinal de vestimenta branca, nenhum teto falso, nada, nada. Otília ainda se debate. Estrebucha. É acalmada. Um líquido branco – o plasma – escorre de sua boca. Mósi fotografa sobre o tablado. Eu acabara de assistir a um espetáculo raro, como jamais sonhei ver! Durou noventa minutos – noventa minutos de escuridão total. Saí da sala perguntando-me se tudo era mesmo verdade. Não sabia responder. Vi, ouvi, senti. E agora?”

“A reportagem de Salomão Schuartzamn (repórter, insisto. que não é espírita) – esclarece o jornalista e escritor Jorge Rizzini – além de esplêndida divulgação doutrinária teve outro mérito: chamou a atenção de dezenove médicos para a pesquisa dos menos ectoplasmáticos. Essa equipe médica, que se vem reunindo na cidade de Uberaba, consultório de Waldo Vieira (o conhecido psicólogo que é também odontólogo e doutor em medicina) já examinou diversos médiuns de vários Estados e já comemorou, exaustivamente, a fenomenologia apresentada pela sensitiva Otília Diogo.O resultado dessa pesquisa será, em breve, apresentado ao público em uma obra revolucionária (Jorge Rizzini estava  referindo à obra “Otília Diogo e a Materialização de Uberaba, de sua autoria) que podemos considerar, desde já, clássica dentro da bibliografia fenomenológica espírita – não obstante  os ataques que lhe promoveram repórteres da revista Cruzeiro” quer pela imprensa, quer  pela televisão.”

Em seguida, o jornalista e escritor Jorge Rizzini, refere-se aos trâmites da sessão de materialização o de que fora testemunha ocular, realizada sob as expensas da  faculdade mediúnica “Otília Diogo. Conta ele:

“Dias após fazer publicar em um seminário de São Paulo uma sobre Dª. Otília Diogo e as materializações através de sua mediunidade (éramos, então, chefe de reportagem da revista “Edição Extra”) foi o autor deste livro convidado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira para assistir, em Uberaba (MO), sessões com a referida médium de efeitos físicos. Era o primeiro contato que teríamos com Dª. Otília Diogo e ansiávamos por ele. Minha incumbência específica era registrar em um documentário cinematográfico o encontro da médium com os médicos, com Chico, com Waldo, etc. E, assim, ampliar a “Filmoteca Allan Kardec”, criada por nós.”

E prossegue o autor de “Kardec, Irmãs Fox e Outros”:

“Nessas sessões de Uberaba, que meses depois se transformariam em escândalo nacional e, por fim, em formidável publicidade em beneficio do Espiritismo, estariam presentes os dezenove médicos. Além de Dª. Otília Diogo, também seria experimentado o médium Antônio Alves Feitosa, de São Paulo.

No dia marcado, em companhia do psiquiatra Alberto Calvo, dirigi-me a Uberaba, levando comigo a aparelhagem de filmar.

E o jornalista e escritor Jorge Rizzini descreve os trâmites da sessão de que participou:

“A sessão a que assisti, foi realizada no pequeno consultório médico de Waldo Vieira. E em condições capazes de evitar possibilidade de fraude. Rigorismo absoluto, inclusive entre os próprios médicos. Basta recordar que a ninguém foi permitido entrar na sala dos trabalhos trazendo lenço e nem relógio de pulso.  Quanto à médium Otília Diogo, devia trocar de roupa; ao invés do vestido colorido que usava, devia ela vestir uma camisola negra, exclusivamente.”

“Penalizou-me ver Dª. Otília Diogo naquela situação humilhante: vestida com roupa preta, dentro de uma jaula e algemada, como uma criminosa. Mas, ela mesma pedira aos médicos rigor excessivo na fiscalização de sua pessoa, e esse pedido ela o fez com espontaneidade admirável, pois, médium autêntica que é, sujeita-se a tudo, sem nada temer.”

“Tudo pronto, os médicos sentaram-se em seus lugares. Waldo Vieira leu um trecho do Evangelho, abrindo, em nome de Deus, a reunião e, em seguida, foi apagada a lâmpada do consultório. A sala ficou em escuridão total.

A pedido, Francisco Cândido Xavier, ao nosso lado, fez uma lindíssima prece, citando várias  vezes o nome de Jesus …



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Pedimos vênia à Diretoria da FEB para transcrever alguns lances do primoroso livro do escritor, Carlos Bernardo Loureiro “As Mulheres Médiuns”, tendo em vista sua importância literária, que nos mostra o sacrifício de algumas médiuns, de valor incontestável, na época em que o Espiritismo começava a lançar raízes no mundo em que vivemos.

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

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