O abrigo para crianças, em Teresópolis

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                      Reprodução Web


 


Provavelmente em 1936. tentamos dar início a um Abrigo para crianças na cidade acima citada, onda tínhamos abraçado o Espiritismo. Para esse fim, trocamos idéias com o confrade Antônio Vieira, residente naquela cidade.

Este comunicou-se com outro confrade, o qual, entusiasmado com a idéia, prometeu doar pequena casa para os primeiros passos da Instituição.

A fim de dar mais ênfase à idéia e também a título de propaganda do Espiritismo, o irmão Vieira sugeriu que realizássemos uma Concentração. Para tal fim conseguiu o salão do Cinema Império, único na época existente na cidade, localizado na Av. Delfim Moreira. na praça principal da Várzea.

De acordo com o combinado, ele e seus amigos ofereceram um almoço e nós ficamos com a incumbência de organizar no Rio uma caravana de espíritas de alto gabarito.

No dia marcado seguiram do Rio 22 confrades. alguns deles bons oradores. Lembramo-nos dos nomes do Brigadeiro Telêmaco Gonçalves Maia, Dr. Azevedo Silva, Dr. Hernani Sant’ Ana, Alberto Nogueira da Gama, Dr. Lamounier Foreis, etc,.  Após o almoço, fomos todos para o citado cinema. As 15 horas começaram a reunião. Para se aproveitar melhor o tempo, foi combinado que cada orador teria 10 minutos para falar, visto haver hora determinada para a entrega do salão. Para maior garantia foi destacado um companheiro que, com o relógio na mão, puxava o paletó dos oradores, quando terminavam os 10 minutos programados.

Mais ou menos meia hora após o início da solenidade. o doador da casa onde se iniciaria o Abrigo entrou no recinto, acompanhado por dois companheiros destacados para esse fim.

Anunciada a chegada do bom homem, uma salva de palmas acolheu-o com carinho, Subindo ao estrado, falou alto e em bom som, que oferecia uma de suas propriedades – casa e terreno – para a instalação de um Abrigo para crianças desvalidas. Suas palavras provocaram alegria geral.

Terminada a solenidade, todos foram visitar a casa que acabava de ser oferecida, formando um cortejo feliz e alvissareiro.

O Dr. Azevedo Silva, advogado e escritor, ficara encarregado de elaborar o estatuto da futura Entidade. Dois meses depois, telefonou para o doador, que também era advogado, este o convidou para subir a Serra para almoçarem juntos e concretizarem a missão de que foram incumbidos.

Terminado o repasto foram para a varanda, onde comentaram os fatos que se prendiam à doação, enquanto tomavam o cafezinho.

Relatamos ó caso tal qual o Dr. Azevedo nô-lo contou mais tarde.

Lá pelas tantas, o Dr. Azevedo tirou do bolso do paletó o esperado Estatuto e o entregou ao seu anfitrião.

Iniciando a leitura, o doador discordou de alguns tópicos, enquanto o Dr. Azevedo alegava que a peça em questão estava perfeita. A disputa acabou transformando-se em séria polêmica, ocasionando a ruptura do acordo firmado.

E assim morreu nosso sonho, depois de tão laboriosamente preparado.

Com a derrocada, lá se foi nossa primeira esperança de fundar um Abrigo para crianças desvalidas.

Essa experiência amarga ofereceu-nos motivos para meditação. Trouxe também ao nosso conhecimento o que representa para as criaturas humanas a ação destruidora do chamado amor próprio. E o quanto é necessário cultivar a humildade, como base de todas as realizações, aliada, naturalmente, à vontade de servir.

Bendito seja o Senhor!


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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