Memórias de um suicida


 


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No ano de 1944, a médium Yvonne do Amaral Pereira, orientada pelos Espíritos Bezerra de Menezes e Charles, dirigiu-se à Federação Espírita Brasileira, levando dois livros, de sua lavra mediúnica, para exame, no intuito de posterior publicação.

No topo da escadaria principal, encontrou o Sr. Manuel Quintão, na época, um dos diretores e examinadores das obras literárias que chegavam à Federação. Tão logo tentou explicar o seu objetivo, teve cortada a sua palavra por ele que lhe afirmou que ali somente entravam livros mediúnicos de Francisco Cândido Xavier.

Ademais, ele estava muito ocupado, tinha duzentos livros para examinar, traduzir e não dispunha de tempo para mais…

Recém-chegada ao Rio de Janeiro, a médium ficou chocada. Mesmo a tentativa favorável do Dr. Carlos Imbassahy, a seu favor, naquele momento, resultou inexitosa. O Sr. Quintão se manteve na mesma posição.

Yvonne se retirou. Pensou que poderia se tratar de uma grande mistificação e, assim, chegando à sua residência, tomou de uma caixa de fósforos e dos originais dos dois livros e se dirigiu ao quintal, a fim de os queimar,  pois nem mesmo tinha um local conveniente para guardá-los.

Ao riscar o fósforo, viu, no entanto, o braço e a mão de um homem, transparentes e levemente azulados estendidos, como num gesto de proteção às páginas. Ao seu ouvido, uma voz assustada lhe dizia que esperasse e guardasse as obras.

Ela identificou a voz como sendo a de Bezerra de Menezes.

Transcorrido algum tempo, em certa manhã, enquanto orava, o Espírito Léon Denis, o grande apóstolo do Espiritismo, se lhe apresentou e lhe disse que um dos livros estava incompleto e ele ali estava para o refazer.

E, naquele mesmo momento, começou a grande revisão e complementação da extraordinária obra Memórias de um suicida.

Yvonne entendeu, então, que o Sr. Quintão havia sido inspirado pelos amigos espirituais para não receber o livro, quando ela fora à Federação. O Espírito Camilo, que o escrevera, não o completara devidamente, não lhe dera feição doutrinária, o que, agora, Léon Denis vinha fazer.

Concluída a revisão, Yvonne retornou à Federação, que frequentava semanalmente. Paternalmente recebida pelo Presidente, Dr. Wantuil de Freitas, tendo-lhe narrado o que sucedera da primeira vez, recebeu dele os parabéns pela sua postura.

Dispôs-se a analisar as obras, com espírito de atenção e fraternidade. Contudo, uma outra dificuldade agora se apresentou: era necessário fosse tudo datilografado, para maior comodidade do exame.

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