Natal das Crianças nas Creches Isabel “a Redentora” e Marieta Navarro Gaio

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Divulgação CMP Por (Eni) Com muitas brincadeiras, músicas, danças e presentes as crianças  das Creches Isabel  “a Redentora”  de Teresópolis e Marieta Navarro Gaio sediada em Rio de Janeiro, foram contempladas Continue lendo >>>

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Creches realizam festa de encerramento do ano letivo na Casa da Mãe Pobre

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Creches da Casa da Mãe Pobre comemoram o dia das crianças

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Alunos do Instituto Stella Almeida – ISA, realizam importante visita  a CMP  e fazem doações

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Por (Eni) Alem  das relevantes doações que são importantes na nossa rotina diária, demonstraram enorme amor e carinho  para nossos idosos e crianças assistidas em nossas instituições. Os alunos Continue lendo >>>

 

Maldito preconceito

 


 


mulher grávida

            Reprodução Web

Estávamos no final do ano de 1964. Certo dia, fomos avisados de que determinado cidadão desejava falar-nos, ao qual atendemos com todo o respeito. Tratava-se de abalizado médico que há longos anos, possivelmente doze, havia estagiado na Maternidade “Casa da Mãe Pobre”.

Logo de início reconhecemo-lo. Chamemo-lo de Doutor “F”, para evitar constrangimentos. Após toucarmos idéias sobre os tempos idos, informou ser Diretor de um Hospital em sua cidade do interior e Deputado Estadual. Mais algumas confidências e, por fim, o motivo pelo qual veio ao Rio.

“Senhor Presidente – começou o Doutor “F” – o que me traz à sua presença é um caso melindroso e de muita importância para a nossa família. Trata-se de uma de minhas irmãs, vítima de um celerado.”

“Celerado?” interrompemos. 

“Sim – continuou ele – porque o homem que promete casamento a uma moça, abusa dela e depois foge ao compromisso, verdadeiramente é um celerado. E é justamente o que se passou com minha irmã”.

E continuou:

“Embora originário do Estado … , minhas atividades profissionais fixaram-se mais ao sul.” (Não mencionamos o nome da localidade para evitar prejuízos morais às citadas criaturas).

Em sua minuciosa exposição, esclareceu mais o seguinte:

“A família de meus pais é uma das mais importantes, ou talvez a mais importante em todo o nosso Estado. O Sr. compreende o escândalo que um caso desses poderá causar em nossa terra, no seio de nossa família.”

E prosseguiu:

“Atendendo ao chamado urgente de meu pai, compareci imediatamente ao meu torrão natal, ocasião em que ele me relatou a difícil situação criada por minha irmã. Por sorte – aditou – minha mãe acha-se enferma e internada num hospital, o que proporcionou meios de esconder-lhe a terrível situação.”

Adivinhando o que o visitante iria propor  adiante, indagamos:

“Há quantos meses sua irmã engravidou?” “Cinco”, respondeu o Dr. “F” e continuou:

“Ao tomar conhecimento do assunto, sugeri ao meu pai fazer uma cesariana na gestante, para tirar o feto, o que seria fácil e resolveria o problema, mas meu pai não aceitou a sugestão. E profundamente religioso e professa o catolicismo, o que o levou à negativa. Mas, muito aflito, pediu-me para ajudá-lo a resolver esta infelicidade.”

Atalhando, sugerimos:

“Por que não obrigam o causador desse incidente a casar com a moça?”

“Essa medida foi tentada por meu pai – esclareceu o homem. Após forçar o causador do delito a ir à sua presença, ameaçou-o, inclusive de sangrá-lo, o que realmente seria feito. Mas, depois de algumas promessas evasivas, o miserável desapareceu sem deixar vestígios. Por outro lado, ao tomar conhecimento dessa resolução, minha irmã afirmou que jamais se casaria com quem a enxovalhou, negando-se a assumir a responsabilidade. Essa atitude jogou por terra todas as nossas esperanças.”

“E agora?” Perguntamos, já adivinhando algo que pairava no ar. “Em que lhe podemos ser útil?”

O moço logo desabafou:

“Quando meu pai colocou o caso em minhas mãos, disse-lhe, desde logo, que só tínhamos uma alternativa: Transportar minha irmã para lugar ignorado, onde ela daria à luz a criança. A este meu alvitre papai cedeu, com a condição de deixá-la ao abrigo de uma casa de absoluta confiança. Após curta meditação, surgiu-me o nome e então respondi que havia uma Maternidade, no Rio, que preenchia todas essas condições, ou seja, a “Casa da Mãe Pobre”, onde fiz o meu estágio de obstetra. Lá estará resguardada como em nossa própria casa, pois conheço bem os seus dirigentes.”

Voltando-se para nós, terminou:

“Eis o motivo de minha presença”. Raciocinando sobre o assunto, chegamos à conclusão de que algo deveríamos fazer em benefício da moça e da família que ela representava. Era um caso de consciência, que punha à prova nossas reservas morais.

“Aceitamos a responsabilidade. Pode trazer sua irmã”

“J á está aqui,” respondeu o interlocutor.

Ato contínuo dirigiu-se à parte externa do prédio, onde há uma sala de estar e voltou trazendo-a pela mão. Os dois foram levados a um gabinete, onde iniciamos agradável diálogo com a moça, na tentativa de captar-lhe a simpatia, o que felizmente conseguimos. Depois veio a Administradora, Dona Mathilde, criatura simples e humana, a quem apresentamos a gestante, pondo-a à vontade. Em seguida lembramos-lhe a possibilidade de colocá-la numa casa de família até terminar o prazo da gestação a que ele anuiu.

Uma semana após surgiu essa oportunidade, mas ela negou-se a deixar a Maternidade, alegando que já se tinha habituado ao ambiente.

Despedindo-se, o irmão da jovem ficou de escrever-lhe vez por outra, mas esqueceu o compromisso.

Para lhe dar assistência pré-natal, foi escolhido o Dr. Francisco Castro, médico de toda a confiança e competência profissional.

Passaram-se quatro meses e a jovem dá à luz uma robusta menina, em parto normal, sem complicações, graças a Deus!

Incontinente foi enviado telegrama para o irmão da parturiente.

Os dias foram passando, mais de um mês, e já estava uma carta pronta para lhe ser enviada, quando ele apareceu. Desculpou-se pela demora, assim como por não ter escrito à irmã durante todo aquele tempo. E foi logo dizendo que a criança seria entregue à família de um oficial da Marinha, que a adotaria como filha.

Essa resolução angustiou-nos, de vez que tínhamos conhecimento do extremado amor da parturiente à filhinha. Como estava na hora do almoço, fomos para casa, mas não nos saía da cabeça o trauma moral que semelhante atitude causaria à infeliz mãezinha. Foi quando nos veio à mente que a mãe da criança era de maior idade.

Logo que chegamos em casa telefonamos para Dona Mathilde, ordenando-lhe as seguintes medidas:

Se a genitora fosse contrária à separação da filha, ninguém poderia obrigá-la a ceder a essa barbaridade, nem mesmo o irmão ou qualquer pessoa de sua família. De agora em diante – concluímos até que as coisas se resolvam, mãe e filha ficariam debaixo de nossa responsabilidade. Ato contínuo mandamos notificar o irmão da novel mãezinha, o qual tinha ficado na Maternidade, dessa nossa atitude.

Daí a instantes, Dona Mathilde informou-nos que a mãe da criança tinha-se debulhado em lágrimas, face à exigência do irmão, negando-se a entregar-lhe a filhinha. Em seu socorro tinha comparecido o Dr. Castro, que a assistira durante o pré-natal e a partejara, o qual exprobou a atitude do irmão da moça, convencendo-o a desistir do seu tenebroso intento. E também lhe tinha feito sentir que se no seu Estado natal predominam tais preconceitos, aqui, no Rio de Janeiro, essa intolerância já tinha acabado.

No dia seguinte, o Deputado médico solicitou mais uma fineza. A irmã seguiria com ele para a cidade onde ele residia, cujo Estado ficava longe de sua terra natal. Uma vez em sua casa, pediria à sua esposa para adotar a criança como filha. Com essa medida visava não só a aliviar a responsabilidade de sua irmã, como também deixá-la perto da filhinha. O caso ficaria intra-muros e ninguém tomaria conhecimento do assunto. A criança continuaria na “Casa da Mãe Pobre” debaixo da nossa responsabilidade e aos cuidados de D. Mathilde, até ele alcançar seus objetivos junto à esposa.

Era uma saída honrosa para a moça, desde que ela consentisse.

Posta a par da situação e face às circunstâncias, a jovem mãe aceitou o alvitre.

No dia seguinte embarcaram os dois para a distante cidade onde o médico residia.

O tempo que ele calculou para resolver o caso com a esposa foi de um mês. Todavia tinham-se passado cinco meses e nada de notícias. Essa situação inquietava-nos, mas íamos aguardando com paciência.

Em determinado dia deu-se o inesperado. Dona Mathilde recebeu telegrama comunicando que a genitora da criança chegaria ao Aeroporto às 13 horas do dia seguinte, pedindo que fossem buscá-la nesse local.

Mas não chegou na hora marcada. Inspirada, Dona Mathilde esperou-a e já passava das 16 horas quando a criatura apareceu. Magra, abatida, nem parecia ser a mesma. Quando deu com os olhos em Dona Mathilde estacou e ficou paralisada, chorando como criança. Seguiram-se abraços e carinhos e lá se foram para a “Casa da Mãe Pobre”, pois a inditosa mãe estava ansiosa para abraçar a filhinha. Depois vieram as confidências.

Contou a infeliz a sua odisséia, informando que quando chegou à casa do irmão, a cunhada recebeu-a com frieza. Para moradia, destinaram-lhe pequeno quarto existente nos fundos do quintal, ficando separada do seio da família. Para todos os efeitos, a pobre mãe era uma estranha, amargando sua infelicidade longe da filhinha querida.

Uma empregada levava-lhe a alimentação. Por essa empregada soube que o irmão tinha espalhado o boato de que ela era cancerosa, evitando-lhe por esse meio todo o contato com o mundo exterior.

Tempos após, a cunhada foi acometida de grave enfermidade e nessas circunstâncias o marido enviou-a ao Rio, a fim de consultar-se com médico especialista. A mãe da criança pediu-lhe a fineza de levar algumas roupinhas para a filha, que ela mesma havia confeccionado, e ao mesmo tempo fazer-lhe uma visitinha. Embora contrafeita, a cunhada anuiu. Na volta para sua terra natal a cunhada passou pela Maternidade “Casa da Mãe Pobre” e entregou na portaria o embrulho de roupas e uma cartinha para Dona Mathilde, seguindo viagem sem visitar a menina.

Em determinada época, a mãe da criança enfermou, sendo transportada pelo irmão para o Hospital onde ele era Diretor. Seus colegas constataram que ela sofria dos rins. Medicaram-na e optaram por sua internação, onde ela também ficou isolada.

Embora os medicamentos aplicados fossem para os rins, correu célere a notícia de que a pobre criatura era cancerosa.

Com o correr dos dias a paciente travou relações amistosas com uma das enfermeiras que a assistiam, a qual revelou-se carinhosa e humana. Entre as duas nasceu mútua amizade. Num impulso corajoso, a paciente revelou à enfermeira que não era cancerosa, do que esta já vinha desconfiando; nessa altura confiou-lhe toda a sua desdita. Impressionada com a revelação, a citada enfermeira prometeu ajudá-la.

Impressões e alvitres foram trocados entre ambas. E dessas conversas íntimas surgiu a idéia de a moça entregar à enfermeira um relógio-pulseira com brilhantes, única jóia que possuía. Aproveitando-se da ausência do irmão, numa das muitas viagens que ele fazia ao interior do Estado, a jóia foi vendida e com o produto da venda a enfermeira comprou uma passagem de avião para o Rio de Janeiro.

LIVRE DO ALGOZ

O avião fez escala em São Paulo, onde todos os passageiros desembarcaram por algum tempo. E aconteceu o inesperado. A moça nunca tinha viajado sozinha de avião e, ao deixá-lo, encaminhou-se para o salão de espera, jogando-se em cima de uma poltrona; vendo a demora, foi ao balcão indagar os motivos. A moça que a atendeu arregalou os olhos, espantada, e informou-a de que o avião já tinha partido para o Rio. E perguntou-lhe:

“Por que a senhora não compareceu à chamada?”

A passageira ficou estarrecida e caiu em pranto. pois só lhe restavam poucos cruzeiros.

Levado o assunto ao conhecimento da direção da Empresa, seu dirigente, penalizado, mandou fornecer-lhe outra passagem.

Esse incidente causou-lhe o atraso de mais de três horas, justamente o tempo em que Dona Mathilde ficou esperando.

Foi acolhida na “Casa da Mãe Pobre” com todo o carinho, ficando provisoriamente no Hospital, até que a situação fosse resolvida.

 



 

 

CONTATO


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