Justino Augusto dos Santos


Capítulo XXVII


JOÃO-DE-FREITAS-1

Reprodução Web
Dr. João de Freitas

Foi o fabuloso médium que serviu ao bondoso Espírito Dr. João de Freitas para este operar e curar um robusto rapaz, João Cláudio, alto funcionário do Banco que na atualidade se chamava “BANERJ” , e que estava desenganado por dois médicos da Terra, tendo em vista a gravidade do seu estado de saúde.
Segue abaixo o relato dessa maravilhosa cura, testemunhada por minha pessoa.

Cura Singular

A “Casa da Mãe Pobre”, tinha adquirido o imóvel da Rua Ibituruna, 81, RJ. Para fazermos propaganda da Instituição e angariar algum dinheirinho, organizamos quatro festas em quatro domingos, no local, durante o mês de novembro de 1951. Um grupo de companheiros nos secundava nesse trabalho e entre eles se encontrava a senhorita Luzia e seu irmão João Cláudio. No último dia das festividades nenhum dos dois compareceu. Estranhando o ocorrido, telefonamos na segunda-feira para a senhorita Luzia e ela nos informou que, na véspera da festinha, seu irmão amanhecera muito doente. No decorrer do diálogo, disse-nos que, durante ligeira madorna, o enfermo tínhamos visto ao seu lado e que lhe teríamos asseverado que ele não ia falecer.

Compreendemos que deveria ser a presença do meu espírito, enquanto dormia, e este detalhe deu-nos a compreender que o caso era sério fazendo com que o fato não nos saísse da memória durante todo aquele dia.
Terça-feira tornamos a telefonar e a senhorita Luzia informou-nos que os dois médicos que assistiam seu irmão tinham poucas esperanças de salvá-lo.

Ficamos alarmados e perguntamos se aceitava o concurso de um médium espírita que vinha servindo de medianeiro a grandes médicos da Espiritualidade, inclusive no caso de enfermidades graves. Ela anuiu imediatamente, ficando combinado que o acompanharíamos à sua residência no dia seguinte, mas ressalvamos que somente poderíamos lá chegar às 22h, após os trabalhos da nossa Reunião Espiritual.
Respondeu-nos que o fato de irmos tão tarde não tinha importância pois que, nos três dias antecedentes, ninguém dormira em sua casa.

À hora combinada lá estávamos eu e o Sr. Justino Augusto dos Santos, médium curador, na casa do enfermo, onde estavam também os médicos que o assistiam.
Logo que entramos na residência, e após os cumprimentos, as duas irmãs de João Cláudio foram nos informando do seu estado. Havia quatro dias que ninguém descansava, revezando-se no atendimento ao enfermo.
Informaram também que, na noite de sábado para domingo, uma hemorragia constante não parava de jorrar sangue pela uretra e pelo ânus. No domingo o médico empregou todos os esforços para debelá-la, mas em vão.

Na segunda-feira, levou um colega e ambos providenciaram uma radiografia que acusou uma úlcera no estômago, tendo perfurado uma veia, através da qual o sangue jorrava continuamente.
Foram realizadas algumas transfusões desse elemento precioso, mas o que saía superava o que entrava. Momentos antes de nossa chegada, os médicos tinham constatado que ele não possuía mais que um milhão e meio de glóbulos vermelhos, quando, em seu estado normal, deveria ter mais de seis milhões.
Constatada a causa do mal, chegaram à conclusão de que deveriam operá-lo, mas a sua debilidade era tão grande que recearam por sua vida. E assim tinha chegado àquele estado.

Naquela noite, o médico assistente avisara a uma das irmãs que não havia possibilidade de recuperação. Que a família se preparasse para o pior. A seguir, despediram-se os dois e com eles também saíram os vizinhos que estavam no recinto.
Para encorajar os familiares, dissemos-lhes que naquela noite todos iriam dormir. Mas, no íntimo, não estávamos seguros da nossa afirmativa.
Chegou finalmente o momento de começarmos a agir. Eram precisamente 23 horas. Perguntamos ao médium, Sr. Justino, quem ficaria no quarto do enfermo durante as aplicações do passe. Informou que seria a senhorita Luzia, sua mãe e eu.

Dirigimo-nos para o quarto.
Ao entrar vislumbrei logo João Cláudio, que me dirigiu algumas palavras. Sua voz era débil e aconselhei-o a ficar calado.
Rapaz alto, cheio de corpo, tez rosada. Naquele momento, porém, sua pele assemelhava-se a de um defunto.
O Sr. Justino fez a prece inicial, começando desde logo a aplicação dos passes. Mais ou menos quinze minutos após, o Sr. Justino fez nova prece, já agora agradecendo às Potestades do Céu a operação que estava sendo realizada. No primeiro instante duvidamos, mas logo nos ocorreu que o médium era uma dessas pessoas que falam pouco, para não errar. Daí a minutos o enfermo começou a ressonar.

Nesse momento a senhorita Luzia, alarmada, nos cochichou ao ouvido que o irmão estava morrendo. (Toda a família era católica).
Nós a acalmamos, garantindo-lhe que ele estava dormindo, com a graça de Deus! Mais alguns instantes e o médium deixou o enfermo e foi dar passes em sua mãezinha, que logo adormeceu na cadeira de balanço, onde estava acomodada. A seguir, fez a prece final, agradecendo a Deus o êxito do trabalho realizado.
Saímos do aposento e então, eufóricos, confirmamos para as duas irmãs:
– Nós não dissemos que esta noite todos iam dormir?

E assim foi. Já na rua perguntamos ao Sr. Justino os motivos que o levaram a afirmar que o doente havia sido operado, ao que ele respondeu que tinha visto uma luz tão forte que não a pôde encarar, deduzindo que somente poderia proceder de um espírito muito elevado do Mundo Maior!
Em consulta posterior que fez ao seu guia espiritual, este ordenou-lhe que aplicasse mais vinte passes no enfermo, um em cada dia, para completar a cura.
Dois dias após aquela noite feliz, o médico de João Cláudio, notando que não o tinham chamado, “nem mesmo para dar o atestado de óbito”, foi à sua casa. Quando entrou, o morto-vivo estava tomando uma suculenta canja de galinha.

– O que houve? – indagou perplexo.
A mãe do rapaz não sabia o que responder. Limitou-se a informá-lo de que, no dia seguinte àquela noite em que o filho tinha sido desenganado, ele acordou, depois de um longo sono, pedindo algo para comer …
O médico fitou o cliente um tanto desconfiado, e saiu-se com esta:
– É, os remédios tiveram ação retroativa …
Dias depois, ele e o colega quiseram operar o paciente, informando-o que era necessário extirpar aquela parte do estômago onde se localizava a úlcera.

Indagando do seu guia espiritual sobre o assunto, já agora a pedido do enfermo, o médico do espaço deu parecer negativo, afirmando que ele estava curado, não mais necessitando ser operado.
Graças ao seu concurso nas festas em favor da “Casa da Mãe Pobre”, João Cláudio, pôde conhecer o Sr. Justino, recebendo a ajuda de Deus, através da sua abençoada mediunidade, e assim gozar saúde por muitos e muitos anos.
Isto nos dá a convicção de que realmente “É dando, em favor dos infelizes, que também recebemos as graças divinas. “

Comentário Final:

Justino Augusto dos Santos, era um homem humilde e prestimoso, proprietário de modesta barbearia de onde conseguia ganhar algo para seu sustento, da esposa e dos numerosos filhos e filhas.

Portador de potente mediunidade curadora, atendia a inumerável quantidade de criaturas, duas vezes por semana, nas Reuniões Espíritas costumeiras, e reservava os sábados e domingos para socorrer os enfermos, acamados em seus lares, ou idosos que não tinham condições de se locomoverem fora de suas residências.
O caso que acabamos de relatar é típico e prova o quanto intencionados que oferecem suas belas faculdades e sua vida em favor das criaturas humanas, em sentido absolutamente gracioso.

Certa feita, uma paciente pediu-lhe seu concurso num caso todo especial: casada, havia alguns anos, não tinha obtido a graça de gerar um filho ou filhinha.
Orientada por uma amiga, começou a frequentar o nosso Grupo Espírita, na Rua Frei Pinto, 81, RJ, e, consequentemente, a receber os benéficos passes aplicados pelo irmão Justino.
Passam-se os tempos durante os quais nasceu-lhe o desejo de pedir o auxílio do Sr. Justino para, com os passes, auxiliá-la a conceber.

Respondendo ao apelo, o nosso amigo informou:
– Pedir eu posso, porque Deus nos faculta essa possibilidade. Quanto ao resultado, somente as Autoridades Divinas poderão dar a última palavra. Se a Srª não tem conseguido essa graça, motivos sérios devem existir, mas podemos tentar, com o auxílio de nossas preces.
E começou a aplicar-lhe uma série de passes, pedindo aos seus Guias Espirituais auxiliassem aquela irmã.

Alguns meses após, ela.engravidou e deu à luz um menino, robusto e cheio de vida.
Uma outra mulher, funcionária da “Casa da Mãe Pobre”, e que dirigia a Creche da Instituição localizada na Rua Frei Pinto, 75, RJ, com algumas dezenas de crianças, filhos de mães sem recursos, também se lamentava de não possuir filhos, apesar de casada.
Em certa época adoeceu.

Recorreu à Previdência Social, onde foi medicada por duas vezes, mas não obteve resultado satisfatório. Lembrando-se do sucesso que outras criaturas vinham obtendo com os passes do Sr. Justino, apesar de ser católica e o médium, espírita, pediu-lhe que lhe aplicasse alguns passes.
Não somente se viu livre dos seus padecimentos como também engravidou e deu à luz uma menina, cheia de vida. Dois anos após, nasceu-lhe outra criança.
Sou testemunha dos dois casos porque conhecia as duas mulheres.
O médium, no entanto, vinha sofrendo, havia muitos anos, de uma bronquite asmática que, por fim, se transformou em tremenda enfermidade.

Os ataques da doença se sucediam provocando-nos compaixão. Deu entrada, por algumas vezes, no Hospital Casa de Portugal.
Obtendo melhoras, voltava a sua missão de médium curador, ajudado pelos bondosos Médicos da Espiritualidade, mas a terrível bronquite continuava a sua faina.
Sua missão estendeu-se por quase 60 anos, durante os quais atendeu a milhares de criaturas humanas, padecentes, a título inteiramente gracioso.

Por fim, já com 93 anos de idade, faleceu, deixando filhos e filhas, numerosos netos e bisnetos.
Sofreu horrivelmente, mas jamais deixou de atender, aos que, enfermos, pediam o seu concurso.
Deus o tenha em sua Glória, bem assim a sua bondosa esposa.
Enfermidades e sacrifícios, tem sido o fim de muitos médiuns de grande projeção.
O Senhor dos Mundos os proteja em todos os dias da vida.
É o que lhes almejamos.

 


 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

 

 

 



 

 

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