Joana d’ Arc – parte III

joana-3

                                                                       Reprodução Web


Capítulo IX


A Prisão de Joana

“Fracassado o cerco da Charité, Joana foi chamada à Corte.
Bem depressa, porém, a inação começa a pesar-lhe, e ei-la novamente deixando-se arrebatar por seu ardor.

Abandona o Rei aos prazeres festas em que se comprazia e à frente de uma tropa que lhe era decidida voa para Compiégne, então assediada.

E aí que lhe sucede cair prisioneira do Conde de Luxemburgo, do partido da Borgonha. Durante uma das sortidas, que constantemente fazia, o governador da Cidade, Guilherme Flavy, mandou arriar o rastilho, e a heroína, não podendo mais na praça, foi capturada.”

“Durante seis meses, andou de prisão em prisão, por Arrás, Drugy, Crotoy, até que a 21 de novembro, em obediência, às intimações prementes e cominatórias da Universidade de Paris, foi vendida aos ingleses, seus inimigos cruéis, por dez mil libras tornesas, além de uma renda consignada ao soldado que a prendera.”

Em Poder dos Ingleses

“Joana está nas mãos dos ingleses. Amordaçada, para que não possa falar às populações, conduzem-na bem escoltada ao castelo de Ruão. E lançaram-na num calabouço, encerrada numa gaiola de ferro. “
“Forjaram-na para mim” – informa ela a Léon Denis, através um médium, quando esse grande escritor andava colhendo dados, para escrever a triste história daquela nobre e infeliz criatura. E acrescenta:

“Era uma espécie de gaiola, em que me meteram e na qual fiquei extremamente comprimida. Puseram-me ao pescoço uma grossa corrente, outra na cintura e outras nos pés e nas mãos.

Teria sucumbido a tão horrível aflição se Deus e meus Espíritos não me houvessem prodigalizado consolações. Nada é capaz de pintar a tocante solicitude deles para comigo e os inefáveis confortos que me deram. Morrendo de fome, seminua, cercada de imundícias, machucada pelos ferros, tirei de minha fé a coragem de perdoar a meus algozes. “

E o excelente escritor comenta: “Procedimento atroz! Joana é prisioneira de guerra, é mulher e a enjaulam, como se fosse uma fera.”

“Pouco mais tarde, é certo, os ingleses se contentaram com o prendê-la pelos pés a uma pesada trave por duas fortes correntes.

Assim começa uma paixão de seis meses – paixão sem exemplo, na história …

“Vigiavam-na dia e noite dentro do cárcere.”

“Os miseráveis a atormentavam com os maus tratos. Muitas vezes procuravam violentá-la e como não o conseguissem batiam-lhe brutalmente.”

“Sozinha, entre aqueles infames, não consentia em abandonar as vestes masculinas e este ato de pudor lhe era profligado como um crime.”

Comentamos:

Como resistir a tantas infelicidades?

E Léon Denis, informa:

“Nessas horas terríveis, que lhe causavam mais horror que a própria morte, o invisível intervém.”

“Uma legião radiosa se introduz na gélida e sombria prisão. Seres que só ela vê e aos quais chama “seus irmãos do paraíso”, vêm cercá-la, amparando-a e dando-lhe as forças necessárias para resistir ao que teria sido um sacrilégio abominável.”

O Processo

“Chegamos agora ao processo.”

“Lembremos um fato. Há 26 de maio de 1430, três dias depois da captura de Joana, o vigário geral do inquisidor -mor da França. residente em Paris, escrevia ao Duque de Borgonha, suplicando e ordenando que, sob as penas de direito, lhe enviasse presa, uma certa mulher chamada Jehanne, a Pucela, veementemente suspeitada de crimes cheirando heresia, a fim de comparecer perante o promotor da Santa Inquisição.”

“No caso da Pucela, (ou seja Joana d’ Arc) não era unicamente um bispo que punha a Santíssima Inquisição em movimento, ( … ) era Universidade de Paris. Atrbuindo-se o privilégio de conhecer das causas relativas às heresia dos seus pareceres, reclamados de todas as partes, faziam fé por toda face do mundo em que a cruz fora plantada.

“Depois de se entender com os doutores e mestres da Universidade de Paris, o bispo de Beauvais surgiu, a 14 de julho, no acampamento de Compiegne e reclamou a Pucela como pertencente a sua Justiça. Apresentava em apoio da reclamação, as cartas, que a Alma Mater (3) endereçara ao Duque de Borgonha e ao senhor de Luxemburgo.

Era a segunda vez que a – Universidade reclamava Joana, ao duque.
”Pierre Cauchon, Bispo de Beauvais, instruiu, em pessoa, e dirigiu o processo.”

“Era de direito que nos processos de heresia, as decisões e julgamentos fossem tomados e pronunciados, por dois Juízes”.

“Quando o bispo Pierre Cauchon estava impedido, entrava em ação o bispo João Lemaître, vice inquisidor.”

“Os bispos de Thérouanne, de Noyon e de Norwich, também tomaram parte nas admoestações à Pucela.”

E Léon Denis continua:

“Nenhum, dentre tantos clérigos eminentes, se mostrou imparcial. Todos eram partidários dos ingleses e inimigos de Joana.”

Comentamos:

Este livro não está sendo levado a efeito unicamente para mostrar ao mundo a monstruosidade cometida contra uma donzela, que estava defendendo um ideal superior, e outros médiuns injustiçados, mas, sim, para provar à humanidade que a maioria dos grandes médiuns tem sido sacrificada porque uma grande parte do povo desconhecia as verdades santas da Lei de Deus, contidas no Evangelho de Jesus Cristo.
Naquela época -14º século – ainda se ignorava essa verdade e à Igreja Católica Romana não convinha que a mediunidade de Joana se espalhasse pelo mundo, tirando-lhe a possibilidade de continuar a dominar os povos, explorando-os em seu proveito. E ela continua, na atualidade, seguindo o mesmo caminho, só que agora, com a vinda ao mundo do Espírito de Verdade, prometido por Jesus Cristo, quando da sua maravilhosa passagem pelo planeta, a humanidade está se emancipando dessa “tutela” e caminhando com seus próprios pés.

O que estamos trazendo ao conhecimento do público, representa pouco mais de 10% das atrocidade praticadas contra aquele espírito jovem e varonil, a chamada Pucela.

Os que desejarem conhecer toda a verdade sobre esse hediondo crime, devem ler na íntegra o importante livro editado pela FEB, “Joanna d’Arc”, de Léon Denis, um dos maiores escritores do Espiritismo, o qual contém por extensão toda a verdade sobre essa mancha que paira sobre os que a levaram ao cadafalso. Vale a pena tomar essa resolução, para conhecimento de um dos maiores crimes contemporâneos da história da humanidade.

Ruão – O Suplício

E Léon Denis, continua com as citações:

“Estamos em 30 de maio de 1431. O drama toca ao desenlace. São oito horas da manhã. Todos os sinos da grande cidade normanda dobram lugubremente.

É o dobre fúnebre, o dobre  a finados.

Anunciam a Joana que sua última hora soara.

“Ai de mim! – exclama chorando – trataram-me horrível e cruelmente; é preciso que meu corpo, intacto e puro, jamais conspurcado, seja hoje consumido e reduzido a cinzas! Ah! Preferia que me decapitassem sete vezes a ser assim queimada … Oh! Invoco a Deus por testemunha das grandes ofensas que me fazem!”

Fazem-na entrar na carreta sinistra e a tétrica procissão encaminha para o local do suplício. Oitocentos soldados ingleses a escoltam. ( … ) O cortejo desemboca na Rua Écuyère, na praça do Vieux-Marché, onde se erguem três palanques.

Os prelados e oficiais tomam lugar em dois deles. O cardeal Winchester, revestido da púrpura romana ocupa o seu trono.

Lá estão também o bispo Beauvais e o de Bolonha. Entre os palanques, avulta a fogueira de aterradora altura. É um monte de lenha dominando toda a praça. Querem que suplício seja longo, a fim de que a virgem, vencida pela dor, grite, implorando graça, renegue de sua missão e de suas vozes. (Vozes dos espíritos superiores).

Lêem o libelo acusatório, composto de setenta artigos, nos quais se acumulou tudo quanto o ódio mais venenoso pode imaginar para desnaturar os fatos iludir a opinião e fazer da vítima um objeto de horror. Joana se ajoelha.”

“Ela então se dirige a Isambard de La Pierre e diz:- Eu vos peço, ide buscar-me a cruz da igreja mais próxima; quero tê-la erguida bem defronte dos meus olhos, até ao último instante.

Quando lhe apresentam a cruz, cobre-a de beijos e de pranto.
No momento em que vai morrer de uma morte horrível, abandonada por todos, quer ter diante de si a imagem desse outro supliciado – Jesus Cristo – que, nos confins do Oriente, e de um monte, deu a vida em holocausto à verdade”.

“Os carrascos põem fogo à lenha e turbilhões de fumaça se enovelam no ar. A chama cresce, corre, serpenteia por entre as pilhas de madeira. O bispo de Beauvais acerca-se da fogueira e grita-lhe:

-Abjura?

Ao que Joana, já envolvida num círculo de fogo, responde:

– Bispo, morro por vossa causa, apelo do vosso julgamento para Deus.
As labaredas rubras, ardentes, sobem, sobem mais e mais e lambem-lhe o corpo virginal. ( … )

Ei-la que se torce nas ataduras de ferro.”
Depois, em voz estridente, lança à multidão silenciosa, aterrorizada, estas retumbantes palavras.

– Sim, minhas vozes vinham do Alto. Minhas vozes não me enganaram. Minhas revelações eram de Deus. Tudo que fiz fi-lo por ordem de Deus.

“E ecoa um grito sufocado, supremo apelo da mártir de Ruão, ao mártir do Gólgota: JESUS!”

E nada mais se ouviu.”

Comentamos:

E é assim o final dos grandes médiuns, cada qual com a sua dose de sofrimento.
Depois de Joana d’ Arc ter unido os povos da França, que se achavam esparsos e sem rumo; ter levantado o moral do seu exército, levando-o a derrotar o seu inimigo secular, a Inglaterra, obrigando-a a fazer a paz, para terminar a terrível carnificina, que se vinha prolongando havia perto de cem anos, e levado ao trono, após sua coroação, o Rei Carlos VII, foi aquela heroína presa pelo exército inglês que, a seguir, a entregou à famigerada “Santa Inquisição”, entidade sinistra, criada e mantida pela Igreja Católica Romana, que dirigia os seus destinos.
Joana foi acusada de “feiticeira”, por ter declarado em público, inúmeras vezes, que obedecia às vozes do Céu Espíritos Superiores – que a guiavam em todos os atos de sua vida.

Para os inquisidores, os que recebiam e transmitiam as vozes do Céu eram médiuns e, portanto, seus inimigos, pois eles, os dirigentes do Catolicismo de Roma, não acreditam na Lei das Reencarnações.

Baseados na “lei dos homens”, que condena a feitiçaria, os inquisidores torturaram a pobre moça, Joana d’ Arc, durante meses e meses, para lhe arrancar confissões.

Depois de a martirizarem por longo tempo, condenaram-na à morte infamante através a fogueira.

E foi assim que a heroína, que por várias vezes arriscou sua vida em favor do povo francês e de seu soberano, encontrou a morte nas mãos de carrascos cruéis.

O Senhor dos Mundos a tenha em sua Glória!

(3) Alma Mater deve ser a Universidade de Paris. Naquele tempo, as escolas superiores e universidades estavam debaixo da autoridade do Catolicismo

 



… pág. 1 2 3


 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

CONTATO

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...