Jazida de pedra em Teresópolis

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                              Reprodução Web


 


Nas proximidades de 1963, começamos os preparativos para dar início à Pedreira da “Instituição Maria de Nazareth”, na rua Dr. Oliveira, s/n – terreno próprio – na cidade de Teresópolis.

Informados na Prefeitura local de que inicialmente cumpria pedir licença ao DOPS, em Niterói, entramos logo com a documentação necessária.

A seguir, essa repartição enviou o processo para o Quartel General do Exército, no Rio, para se pronunciar a respeito. Dali partiram as ordens para o Tenente responsável da localidade, a fim de inspecionar o local e dar a sua opinião. Depois de aprovado na Região Militar, voltou o processo ao DOPS em Niterói, para o prosseguimento. Aprovado, finalmente, foi enviado para a Prefeitura de Teresópolis, a fim de nos concederem a esperada licença. Justamente nessa oportunidade surgiu a primeira pedra no nosso caminho; o Prefeito do Município negou-nos a necessária autorização. E não adiantaram pedidos de pessoas influentes.

Esse contratempo levou-nos à conclusão de que somente poderíamos contar com a licença da Pedreira, no futuro governo do município.

Na reunião anual do Conselho Deliberativo da Instituição, relatamos este fracasso, com imenso pesar.  No final da reunião, uma luz surgiu das trevas, trazendo-nos novas esperanças. Dona Alda Caminha, destacado Membro do referido Conselho, desviou-nos para um canto do salão e pediu-nos para relatar-lhe detalhadamente o que estava acontecendo.

Após as necessárias explicações, afirmamos-lhe que o único empecilho do momento era o Prefeito do Município. Inclusive havia rumores sobre a existência de interesse em beneficiar alguém, escusamente, o que, posteriormente, foi confirmado. Foi quando ela nos informou que iria tentar remover o impasse.

Mais ou menos um mês depois dessa troca de idéias, fomos convidados à residência de Dona Alda, onde nos encontramos com o Coordenador do Governo do então Estado do Rio.

Após os cumprimentos e nova série de informes, a citada autoridade mandou que o procurássemos em sua casa, no domingo seguinte, a 18 quilômetros de Teresópolis. Na data aprazada, reunimo-nos no local combinado e rumamos para o terreno onde existia a enorme jazida de pedra. Por obra de Deus, ou do acaso, no trajeto, encontramo-nos com o Prefeito que viajava de carro em sentido contrário. Nosso companheiro Jorge Vaz, que guiava o jipe em que viajávamos, fez sinal para o carro do Prefeito e este parou.

Frente a frente o Prefeito e o Coordenador do Estado, depois dos cumprimentos usuais, este último perguntou dos motivos que o levaram a negar a licença para o funcionamento da Pedreira, uma vez que essa medida iria proporcionar os meios de se fundar um Abrigo para idosos carentes, o primeiro a ser criado no município.

O Prefeito desculpou-se, afirmando que já havia em torno da referida jazida mais de quinhentas casas de moradia, o que o impedia de conceder a licença. E completou sua exposição de motivos com as seguintes palavras:

” Você pode ir ao local para ajuizar das minhas informações.”

Ao que o Coordenador respondeu:

“Estamos de viagem para lá”.

Pegado de surpresa, o Prefeito ficou desconcertado e não mais relutou, limitou-se à troca de idéias sobre o aniversário do Município, que se realizaria daí a duas semanas. E cada qual seguiu seu caminho.

Já dentro do terreno e na base do grande rochedo, o Coordenador mediu com um simples olhar todo o terreno em volta, verificando que nenhuma casa se encontrava próxima.

Depois de minucioso exame, orientou-nos no sentido de elaborar um relatório dirigido ao Governador, General Macedo Soares, relatório esse que seguiria por seu próprio intermédio.

Mais ou menos dois meses depois deste acontecimento, recebemos ordem de procurar o Prefeito de Teresópolis para receber a tão almejada licença. Fomos desde logo ao encontro da autoridade, a qual declarou que não podia assinar a licença solicitada, para não trair os seus amigos, mas que falássemos com seu secretário, que estava autorizado a assinar o documento …

Foi grande a vitória de D. Alda Caminha, de saudosa mem6ria, que, entre os muitos troféus que ofereceu à “Casa da Mãe Pobre”, acrescentou mais o da licença para a exploração da Pedreira, de consequências benéficas imprevisíveis.

O Senhor da Vinha a proteja e lhe proporcione os melhores bens da Vida. E o que de coração lhe almejamos.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães



 

 

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