Honra ao Mérito

henrique

Foto: Acervo CMP
Henrique Magalhães
(Henrique Alves da Cunha Magalhães)

Parecia ter chegado o momento de inflexão!  Já em desespero, o jovem Henrique, empenhado ao extremo para salvar a vida de sua pequenina filha, anuiu em submetê-la a um tratamento espiritual, fé que antes repudiara veementemente; para seu espanto, um prolongado tratamento homeopático e uma interminável sequência de passes magnéticos, prescritos em uma reunião espírita, começavam a dar bons frutos, resultando finalmente numa inesperada e “milagrosa” cura; o que o fez procurar, de início apenas por curiosidade, um melhor conhecimento daquela crença, o que fez através da atenta leitura da terceira das cinco grandes obras de Allan Kardec: “O Evangelho segundo o Espiritismo” – “compreendi o quanto estava distanciado de Jesus e de Deus, aprisionado no egoísmo…” (Henrique Magalhães).

selo 75 anosAinda nas palavras de Henrique, extraídas de uma entrevista que deu à revista “Reformador”; por ocasião das comemorações de seu centenário (4 de setembro de 2000):   “Por volta de 1937, já tendo abraçado a Doutrina Espírita com convicção e denodo e, sobretudo, com uma enorme gratidão, recebi do Plano Superior, pelo Espírito do Doutor João de Freitas, a missão de criar uma Instituição de assistência material e espiritual da infância desvalida, de gestantes sem recursos e de velhinhos e velhinhas que não mais podiam prover os seus próprios sustentos; em 1940, um dia antes de completar 28 anos de permanência em minha nova Pátria, o Brasil, tive a alegria e felicidade de fundar, sob a orientação e proteção do Plano Superior e junto com um grupo de idealistas e abnegados, a Casa da Mãe Pobre, na qual fui sempre um modesto trabalhador.

Em 1946 Henrique Magalhães substituiu o Doutor Coriolano de Góis, o primeiro presidente da Instituição, cargo em que é foi mantido até seus últimos dias, trabalhando diuturnamente, sempre desde as sete horas da manhã, por tantos desvalidos quantos sejam os que o procuravam.

A Instituição Maria de Nazareth – “Casa da Mãe Pobre” administra hoje diversos abrigos de idosos no Rio de Janeiro e em Teresópolis, creches, grupos espíritas e escola de ensino fundamental, além de um complexo formado por ambulatórios, responsáveis pelo acompanhamento de gestantes (pré-natal), e pelo tratamento pós-parto, tanto da mãe como do recém-nascido. Seguramente a Instituição protegeu e cuidou de centenas de milhares de nascimentos, todos tratados de forma gratuita, “em nome de Deus e de seu Filho Jesus”.

Seus livros: A Casa da Mãe Pobre – 50 anos de amor e  Em Prol da Mediunidade.  Como fundar e manter obras assistenciais,  além de ter destinada a totalidade de seus lucros às obras assistenciais, são testemunhos de sua saga de mais de seis décadas de dedicação exclusiva a caridade, ao amor pelos velhinhos e velhinhas abandonados, dos quais cuida com imenso carinho, aos órfãos e crianças pobres que ajuda a educar, vestir e alimentar e as gestantes e mães pobres, às quais dá um tratamento digno das melhores instituições.

 


PERSONALIDADESSERSONALIDADES

Às 6 horas do dia 2 de julho de 2004, retornou ao mundo espiritual, estando para completar 104 anos de uma existência toda dedicada à caridade, o Espírito de nosso muito querido companheiro Henrique Magalhães.

Seu corpo foi velado, durante o dia 2, na sede da Instituição Maria de Nazareth – Casa da Mãe Pobre -, na rua Frei Pinto, 16, para onde afluiu uma legião de amigos e de beneficiários de sua abençoada obra, ocasião em que a Casa de Ismael se fez representar por seu Diretor Lauro de O. São Thiago e pelo ex-Presidente Juvanir Borges de Souza.

O enterro se deu no dia seguinte, sábado, no Cemitério do Parque da Colina, em Niterói (RJ), ali comparecendo, em nome da Federação, o Diretor Affonso Soares, que se associou, com breve alocução, às tocantes homenagens que lhe foram prestadas.

Henrique Alves da Cunha Magalhães nasceu em 4 de dezembro de 1900 (quatro meses após o passamento de Bezerra de Menezes), na Freguesia dos Telões, Conselho de Amarante, Distrito do Porto, em Portugal, filho de Manoel Alves da Cunha Magalhães e de Ana Augusta da Cunha Coutinho. Aos 12 anos de idade, na companhia de um casal de primos de sue genitor, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1912. Até 1920, trabalhou arduamente no comércio para ganhar o pão de cada dia, mas as seqüelas da “gripe espanhola”, contraída em 1919, obrigaram-no a retornar à casa paterna. Durante a viagem a enfermidade cedeu por completo, e Henrique após visitar os pais, regressou ao Brasil, onde se estabeleceu definitivamente. Em 1931, adoeceu novamente, e fixou residência em Teresópolis, onde grassava uma epidemia de meningite. Com a filha mais nova atingida pela terrível enfermidade, Henrique, vendo-a piorar apesar dos desvelos do médico, aceitou a sugestão de obter uma receita homeopática dos Espíritos, não obstante sua aversão ao Espiritismo. Operou-se a “milagrosa” cura e Henrique começou a estudar O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, compreendendo o quanto andava distanciado de Jesus.

Em 1937, o Alto, através do Espírito Dr. João de Freitas, exortou-o a que, juntamente com outros idealistas, empreenda a fundação, em 1941, da benemérita Instituição Maria de Nazareth – Casa da Mãe Pobre, que passou a dirigir, desde quando, em 1946, substituiu seu primeiro Presidente, o Dr. Coriolano de Góis, falecido naquele ano. Sob sua condução, as atividades da Instituição, inspiradas no amor da Mãe Santíssima, expandem-se sob a forma de serviços assistenciais de diversa natureza, prestados em Teresópolis – Creche e Lar Isabel a Redentora, Mansão dos Velhinhos, Grupo Escolar Isabel a Redentora -, e no Rio de Janeiro – Hospital Maternidade e Ambulatório Dr. João de Freitas, Abrigo Sylvia Penteado Antunes e Lar Lucílio Ribeiro Torres, Creche Marieta Navarro Gaio.

 

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