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Francisco Peixoto Lins – parte IV
30 de abril de 2014 Creche “Isabel a Redentora”, Teresópolis, RJ

CAPÍTULO XXVI


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Reprodução Web
Confederação Espírita Argentina

O peso de cada pessoa, na entrada, assim como na saída, era anotado em livro próprio, proporcionando-nos meios de verificar as perdas e ganhos de peso de ambos os grupos. Regra geral, os enfermos aumentavam de peso e os cooperadores perdiam, mas na semana seguinte, os perdedores já tinham voltado ao seu peso normal. 

Essa verificação auxiliava os médicos da espiritualidade a controlar o resultado do tratamento, possibilitando-lhes meios de continuá-lo ou modificá-lo. 

Toda a assistência era oferecida a título gracioso, outros auxílios aos enfermos eram efetuados pelo Grupo Assistencial.

Vários cooperadores, de ambos os sexos, faziam parte desse Grupo e, nas horas em que estavam se realizando os trabalhos de materialização, três elementos do grupo transferiam-se para a residência dos enfermos, desde que seus familiares o solicitassem. Durante vários minutos, que podiam se estender, os cooperadores postavam-se junto ao enfermo, orando e pedindo às autoridades divinas melhoras para o paciente.

Os resultados obtidos eram admiráveis.

Na época em apreço escrevi vários artigos, dando conta das maravilhas que estavam sendo levadas a efeito naquela Casa de Amor Cristão, e os enviei para vários jornais espíritas do país e do estrangeiro.

Dr. Luiz Postiglioni

Certo dia, creio que foi em 1949, fui procurado pelo Dr. Luiz Postiglioni, espírita de largos cabedais e presidente da Confederação Espírita Argentina, com o qual vinha trocando correspondência. Aquele amigo solicitou meu auxílio para que ele e mais dois casais, um uruguaio e outro cubano, todos espíritas, pudessem assistir a uma reunião de efeitos físicos.
Levei o pedido à diretoria do Grupo, cujo presidente, Antônio A. Ferreira, por sua vez, pediu a opinião do Guia Espiritual. Este atendeu à solicitação. Na data aprazada, compareceram os cinco, sendo por mim apresentados à Diretoria.

Logo se estabeleceu primorosa camaradagem entre todos.

O presidente do Grupo, autorizou o Dr. Postiglioni, com seus companheiros, a verificarem se as portas e janelas estavam bem fechadas, para que ninguém pudesse penetrar no recinto.

O Dr. Santesteban e o Dr. Postiglioni foram indicados para essa tarefa. Alguns enfermos estavam ocupando camas. Outros, com enfermidades mais brandas, ficaram sentados. Os cooperadores estavam a postos, cada um em seu local de trabalho. Os dirigentes colocaram-me em um lugar do qual eu podia observar todo o movimento da platéia, dos enfermos e do médium Peixotinho, deitado em uma cama à parte.

Podia-se também observar o movimento na cozinha da casa, onde tinham colocado uma vasilha cheia de água fria e uma outra, atulhada de parafina, em cima de um fogão elétrico, cujo fogo derretia aquele material, para que os espíritos pudessem fabricar as chamadas “luvas de parafina”.

Tudo em ordem, o presidente da Casa fez sentida prece e logo após deu início à reunião.

Materializaram-se alguns espíritos, inclusive o espírito médico, Dr. Fritz, o qual prescreveu remédios para alguns enfermos e levou a efeito duas operações de pequeno vulto, com absoluto êxito. Por fim materializou-se um espírito de alta elevação espiritual, cuja luz irradiada esparramava-se pelo teto e iluminava vários metros em seu redor.

Ele disse chamar-se Moisés e afirmou que dirigia o movimento espírita na Argentina, trocou ideias com o Dr. Postiglioni, por alguns minutos, expressando-se em linguagem espanhola e depois despediu-se.

Seguiram-se, em plena escuridão, os trabalhos em parafina.

As luzes na cozinha acendiam e apagavam-se. Os espírito metiam suas mãos materializadas na parafina fervente. Retiravam-nas e metiam-nas na água fria que se achava no outro recipiente.

Essa operação repetiu-se por inúmeras vezes. Eu observava todos os movimentos do local onde me encontrava, através as vozes dos espíritos e dos seus movimentos com a água.

O médium conservava- se deitado no leito, parecendo dormir.
Terminado esse trabalho, espírito chamado Scheilla colocou uma haste na mão de cada pessoa presente, no escuro. Não reparei se todos os assistentes teriam recebido a citada haste. A mim entregou duas.

No final, mandou que acordassem o médium e disse que os trabalhos de parafina destinavam-se a minha pessoa.

Ligada a luz, verificou-se que, cada haste que nos tinha sido entregue, era um cravo, ainda orvalhado pelo sereno. Vermelho para os homens e branco para as mulheres.

Como eu tinha recebido dois, mandei um para a mãe do falecido menino Fidelinho, cujo pé e a perninha, do joelho para baixo, também tinham sido moldados na parafina.

Tinha mais duas mãos modeladas na parafina, conjuntamente com boa parte dos braços. E mais duas mãos bastante volumosas, com os dedos entrelaçados. Eram do espírito José Grosso.

Como o Grupo já guardava vários exemplares desse material, levei todo o restante para minha residência. Enchi a perna e o pé do molde do garotinho e as mãos dos adultos, com um pó adequado e ofereci todo esse material ao Dr. Luiz Postiglioni.

Tempos após, ele escreveu-me, informando que fizeram uma grande reunião, no salão da Confederação Espírita Argentina, onde participaram mais de 500 personalidades, a maioria de cientistas, e que a exposição de todo o material de parafina tinha-se transformado em grande
sucesso.

Dei por bem empregada a minha cooperação naquele maravilhoso agrupamento, onde também fui beneficiado pois portava uma sinusite, há muito tempo, e o médico espiritual me curou, introduzindo-me, nas duas narinas, um aparelho do tamanho de um lápis, branco como a neve.

Nunca mais sofri dessa doença, apesar de passados quarenta e seis anos consecutivos, até 1996.

Agradeço a Jesus Cristo e a Maria Santíssima, através seus Mensageiros Amorosos, tudo o que de bom me têm proporcionado durante todos esses anos de trabalhos, a partir de fevereiro de 1932, oportunidade em que me tornei espírita fervoroso.

Houve uma época em que o salão dos trabalhos espirituais foi destruído por um incêndio. As reuniões continuaram, mas em sentido limitado, em pequeno recinto cedido por dois membros da diretoria, nosso amigo, Rodrigo Rodrigues de Oliveira e sua nobre esposa, Dona Madalena.
Esse incidente levou a diretoria a tomar a resolução de comprar um imóvel para se fazerem as reuniões.

O mais difícil era conseguir meios necessários à aquisição.
Fizeram duas campanhas: uma rendeu CR$ 25.000,00 (vinte e cinco mil cruzeiros) a outra rendeu CR$ 30.000,00 (trinta mil cruzeiros).

A seguir pediram à diretoria da Maternidade Casa da Mãe Pobre, autorização, que foi concedida, para levarem a efeito uma tômbola, através o auxílio dos seus associados, a qual produziu CR$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil cruzeiros), importância avultada, levando-se em consideração o valor do cruzeiro da época. Com as três importâncias tentaram comprar um imóvel de três quartos, sala, quarto de empregada, grande área e um porão habitável, na Rua Nazário, pela importância de CR$ 50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros).

Citada casa ficava no final da Rua. Devido a este último detalhe e também ao local- próximo à Estação de São Fco. Xavier – bem assim a existência de inquilina, que pedia como indenização a importância de CR$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros) uma parte da diretoria do Grupo Espírita André Luiz discordou da aquisição.

Essa situação prolongou-se, causando enorme tristeza e sofrimento ao presidente, o nosso querido amigo, Antônio A. Ferreira.

Um dos cooperadores da Casa era proprietário de um velho casarão, na Rua Jiquibá, Bairro Maracanã, e desejava construir, no local, três edifícios, sendo dois para vender e o terceiro para a manutenção da sua família.
Tomando conhecimento da querela que reinava entre os diretores da Instituição, após conseguir apoio da esposa, compareceu a uma reunião da diretoria, oferecendo o referido prédio por preço convidativo.

Foi água na fervura. Todos, em uníssimo, apoiaram a aquisição, abraçando-se mutuamente. Por fim, foi feito um agradecimento a Deus, pelo feliz desfecho.

Assim como uma infeliz notícia por vezes nos causa grave enfermidade, nosso querido irmão Antônio A. Ferreira, não suportou a emoção. Ao descer a escada em demanda da rua, conjuntamente com os companheiros, foi acometido de uma trombose fortíssima.

Alguns dias depois veio o segundo ataque e após o terceiro, levando nosso irmão para a Eternidade e aumentando o número dos vitimados pelas nobres causas.

O mesmo cooperador que vendeu o imóvel ofereceu-se para colaborar, de forma gratuita, e para dirigir as obras de transformação do casarão e pequeno aumento de construção nos fundos. O prédio ficou com um grande salão para as Reuniões Espirituais, no andar de cima, e no térreo foram preparados três pequenos apartamentos, de sala, grande quarto, cozinha e banheiro, cuja renda iria ajudar a pagar as despesas da Instituição e um empréstimo, que fora necessário para as obras, no valor de CR$ 100.000.00 (cem mil cruzeiros).

Que Deus tenha em sua Glória, esses dois grandes médiuns Peixotinho e Antônio A. Ferreira.

 

 



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Fonte: Em Prol da Mediunidade

 

 

 



 

 

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