Federação Espírita Brasileira

feb

                                                                Reprodução Web


 


 

Na qualidade de Membro do Conselho Fiscal da FEB, fomos convidados pelo Dr. Wantuil de Freitas para representar o referido Conselho no lançamento da pedra fundamental da construção da futura sede da Federação Espírita Brasileira, em Brasília. Ao mesmo tempo seria inaugurado o barraco destinado ao canteiro de obras em perspectiva.  Aliás uma casa de madeira bem feita, onde começaram a ser desenvolvidos os primeiros trabalhos da FEB na nova Capital da República.

Por sorte, ou por Deus, fomos  companheiros de quarto de Zeus Wantuil, no Hotel onde nos hospedamos.

Na conversação que entabulamos, surgiu a ideia de a FEB sediada no Rio de Janeiro auxiliar a construção em perspectiva. O Zêus, no entanto, lembrou a quase impossibilidade desse auxílio, tendo-se em vista a construção do grande edifício destinado ao Departamento Editorial, na Rua Figueira de Melo, esquina com Souza Valente, no Rio.

Afirmava ele, e com razão, que todas as reservas da FEB estavam sendo canalizadas para o referido Departamento, cujo vulto exigia grandes somas.

No decorrer do diálogo, foi lembrado levar-se a efeito uma grande Campanha Financeira, nos moldes que vinha sendo feita pela “Casada Mãe Pobre” para ser levantado um edifício hospitalar.

O  Zêus, com o entusiasmo que lhe é próprio, abraçou desde logo nossa ideia. Todavia, considerou as dificuldades a vencer, porque o Dr. Wantuil de Freitas – na suposição de que qualquer Campanha Financeira iria prejudicar os Centros Espíritas, alguns dos quais estavam fazendo pedidos para a construção de suas próprias sedes – era contra a Campanha desse tipo em favor da FEB.

Duas semanas após nossa chegada ao Rio de Janeiro, telefonei para o Zêus, perguntando se o Dr. Wantuil havia aceito nossa sugestão. E ele respondeu:

“Nada feito, Sr. Magalhães. Papai continua mantendo sua negativa, tendo em vista os motivos já do seu conhecimento.”

E ofereceu-se para chamar o Dr. Wantuil ao telefone, para falar conosco.

“Como vai, Comendador?” (Era assim que aquela grande figura iniciava os nossos diálogos na intimidade, embora jamais fôssemos dignos de receber comendas).

“Mais ou menos” respondemos. E caímos em cima dele: “O Sr. está me deixando numa situação delicada. “

“Como assim?”

“É que empurrei o Antônio Soares para a  frente, a fim de continuar à testa das obras da futura sede da FEB em Brasília. Ele está em dificuldades.

Sem seu apoio não pode prosseguir em sua tarefa”; quer jogar o fardo fora do lombo.”

O Dr. Wantuil guardou silêncio por momentos e  respondeu:

“Não posso mudar de ideia, Magalhães: continuou no mesmo diapasão até nos despedirmos.

Aquele pensamento não nos saía da  mente. O Soares já nos tinha observado, quando da nossa estada em Brasília, que todas as reservas, dele e dos companheiros, tinham sido gastas na construção da  casa de madeira e em outros misteres que o  início de tais obras exigem, inclusive a terraplanagem do extenso terreno. E entregaria o seu encargo ao Dr. Wantuil, se não lhe obtivesse o apoio.

Duas semanas se passaram após aquele telefonema, quando voltamos à carga. No segundo diálogo que mantivemos com o Dr. Wantuil,  empregamos argumentos mais substanciais, levantando várias hipóteses. Mas todas elas foram rechaçadas pelo nosso grande amigo. O prejuízo que poderíamos causar aos Centros Espíritas era a pedra de toque.

Mas tanto argumentamos que ele nos abriu uma janela. Informou, então, que sendo eu Membro do Conselho Federativo Nacional da FEB, como representante de um grande Estado – o Ceará, e também na qualidade de Presidente de uma Instituição de âmbito nacional – a “Casa da Mãe Pobre”, nos autorizava a realizar a tão cobiçada Campanha Financeira. Mas, frisava: debaixo de nossa responsabilidade.

O impacto foi grande, obrigando-nos a silenciar por momentos. Aquela pancada atingiu-nos em cheio, deixando-nos sem saída. Naqueles curtos instantes raciocinamos que não havia outra alternativa. Tínhamos de aproveitar a brecha. Por fim, aceitamos o desafio, a fim de estudarmos melhor o assunto.

No dia seguinte pedimos a planta baixa da futura construção, a qual, dias após, nos foi entregue.

Descobrimos um confrade que tinha prática em elaborar perspectivas e pedimos-lhe que fizesse uma da obra.

Pronto o trabalho, verificamos com tristeza que não tinha a mínima expressão. O tamanho da obra, a nosso ver, não correspondia às necessidades do fim a que se destinava.

Assim mesmo levamos a perspectiva ao Dr. Wantuil. Enquanto ele abria o rolo da planta, fomos dizendo: “Dr. Wantuil, o Brasil é um país cuja população espírita  é a maior do mundo. Sendo esta perspectiva “mirim” estampada em algum jornal de outros países, que impressão irá causar? Será uma propaganda muito negativa”.

”Que é que você sugere?” – Perguntou o Dr. . Wantuil, pensativo.

“É o seguinte: o terreno da FEB em Brasília tem cento e dez metros de largura por duzentos metros de comprimento. A população espírita está crescendo rapidamente em todo o país. Daqui a alguns anos a FEB vai ter necessidade de aumentar o prédio em questão. Então o melhor é mandar fazer outra perspectiva bem maior, para dar uma visão a altura da população espírita do nosso País, com vistas ao porvir.”

O Dr. Wantuil pensou e pensou. Daí a momentos autorizou-nos a mandar elaborar a perspectiva em questão no tamanho que achássemos mais conveniente; saímos de sua casa muito contentes.

Dias mais tarde pedimos a cooperação de todos os companheiros da “Casa da Mãe Pobre” no sentido de autorizar os recursos necessários para a elaboração de todo o material para a referida Campanha. Essas solicitações foram aprovadas por unanimidade. A “Casa da Mãe Pobre”, conjuntamente com as Federações e Uniões Espíritas de todo o Brasil, iria cooperar para a construção da nova e futura sede da Federação Espírita Brasileira, no Planalto Central – Brasília.

Logo que o Dr. Wantuil nos autorizou a efetivar a citada Campanha, procuramos dois técnicos que:” tinham feito perspectivas para a “Casa da Mãe Pobre”. O preço era salgado, mas o resultado seria compensador.

Duas novas perspectivas foram elaboradas, uma  para o interior do salão de conferências e outra representando a parte externa – a frente e um dos lados. A extensão do prédio ficou nos 7 5 metros, o que possibilitou a bela execução do maravilhoso trabalho.

Prontas as duas perspectivas, fomos levá-las ao  Dr. Wantuil.

“Maravilha!” Exclamou ele quando viu os dois trabalhos. “Foi pena não termos feito propaganda igual para ajudar a construção do edifício do Departamento Editorial.”

“Mais tarde trataremos desse caso” aduzimos.

A seguir idealizamos um ofício para ser enviado a todas as Federações e Uniões dos Estados. Pelo referido ofício, as Entidades Estaduais assumiriam a responsabilidade, cada qual em seu territ6rio, de cooperar diretamente com a FEB, estimulando-as a fazer o máximo e o melhor.

Listas para receberem assinaturas seriam enviadas juntamente com os ofícios, o que facilitaria o trabalho das Casas e as eximiria de despesas. Cada lista teria um espaço razóavel, em branco, para receber o nome de cada Estado. Dessa forma, cada Entidade Estadual assumiria a responsabilidade da Campanha, agindo livremente para tocá-la para frente, como melhor lhe aprouvesse.

Seria tirada uma fotografia da perspectiva principal, a fim de serem impressos, logo de início, 50.000 cartões em cartolina fina portando a referida fotografia de 0,15 por 0,18 centímetros. Tais cartões seguiriam com o ofício, e as listas acima citadas, para todos os Estados do Brasil. As despesas de todo esse material seriam financiadas pela “Casa da Mãe Pobre”, como cooperação à Campanha da FEB.

Levamos todo esse esquema ao Dr. Wantuil.

Depois de estudarmos os detalhes, ele nos deu a sua aprovação imediata, ficando na dependência do estudo a ser feito pela Diretoria. Uma semana após estava tudo resolvido a contento.

Aprovado o esquema, a maquinaria entrou a funcionar. Tudo pronto, foi o respectivo material enviado para os Estados.

Quando as dávidas começaram a chegar, entrou em ação o trabalho criativo de Zêus Wantuil. Sua cooperação foi muito importante para o grande êxito da notável Campanha Financeira. Cada importância doada, por mínima que fosse, saía registrada na revista da FEB – “O Reformador”. Em cada mês um listão publicava os donativos feitos e respectivos doadores, ao mesmo tempo em que um arrazoado muito  bem apresentado estimulava o meio espírita a novas colaborações, daí resultando êxito sem precedentes.

O Antônio Soares e seus companheiros de lutas redentoras finalmente começaram a receber os proventos necessários ao grande empreendimento.

E a construção febiana em Brasília, uma vez iniciada, jamais parou até sua conclusão. A vit6ria dos companheiros de Brasília, com o companheiro Antônio Soares à frente, foi completa e o resultado de todo esse trabalho ficou patente, com a inauguração da nova sede da FEB, em Brasília, no dia 3 de outubro de 1970.

DEPARTAMENTO EDITORIAL, NO RIO

Falamos acima que o Dr. Wantuil ficou maravilhado com as perspectivas do que seria o prédio-sede da FEB em Brasília. E lamentou não ter levado a efeito propaganda igual para ajudar a construção, de grandes proporções, do Departamento Editorial, no Rio de Janeiro.

Naquele momento nos oferecemos para mandar elaborar a perspectiva também para as obras desse Departamento, igualmente financiada pela Maternidade “Casa da Mãe Pobre”. O Dr. Wantuil aceitou imediatamente a oferta, lastimando não ter a Prefeitura aprovado os oito pavimentos solicitados.

Acrescentou que os alicerces, bem assim toda a estrutura foram feitos de maneira a suportar os restantes três pavimentos que, esperava, seriam construídos  num futuro pr6ximo ou remoto. Mostrou receio, no entanto, de que as Diretorias da FEB não levassem avante esse projeto. Argumentamos, então, que há, um meio de lembrar-lhes esse detalhe, ou seja, mandar fazer a perspectiva com os oito pavimentos.

“Ideia mãe!” Respondeu, eufórico. Mandamos fazer a perspectiva para o Departamento Editorial com os oito pavimentos, conforme combinado, a qual foi estampada no “Reformador em destaque, dando-se conta, aos espíritas de toe Brasil, dos esforços da Diretoria da FEB em favor propaganda do Espiritismo.

Foi um sucesso! Conjuntamente com os donativos para Brasília, também surgiram outros, embora em número menor, para complementar a construção de todo o complexo industrial das oficinas da FEB, no Rio.



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