Eurípedes Barsanulfo


Capítulo XXXV


euripedes

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Eurípedes Barsanulfo

Pedimos vênia à Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, para transcrever trechos do maravilhoso livro “Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade”, do escritor Jorge Rizzini.

Indicamos a sua leitura aos irmãos interessados em aprender e estudar, pois este sublime livro, ilumina a Doutrina Espírita com lições divinas da vida desse querido irmão: Eurípedes Barsanulfo.

Barsanulfo e o Padre Vague (Debate Público)

“Durante seis anos consecutivos, pôde Eurípedes Barsanulfo desenvolver, com relativo sossego, sua dupla missão: a mediúnica e a de educador, ambas a exigir total abnegação. Dir-se-ia que os perseguidores o haviam esquecido …

Em 1913, porém, estando com trinta e três anos de idade viu-se, pela Colégio primeira vez, obrigado a defender, publicamente, as verdades espirituais. Duas polêmicas teve ele de sustentar quase ao mesmo tempo com líderes católicos: uma pela imprensa, outra em praça pública, e em ambas Eurípedes Barsanulfo, amparado pela Espiritualidade Superior, fez a Doutrina Espírita sair vitoriosa.

O primeiro debate foi com o padre Feliciano Yague, de Campinas, missionário do Imaculado Coração de Maria e considerado notável pregador. Era homem de muita cultura e consta que dirigia o Colégio Salesiano (10).

Euripedes-Educador

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Colégio Allan Kardec

Veio ele a Sacramento a convite dos padres da Igreja Matriz com um único objetivo: destruir com sua poderosa dialética a influência de Eurípedes Barsanulfo e, pois, o famoso Colégio Allan Kardec

Padre Yague chegou apoiado por intensa publicidade. E, no domingo pela manhã, a Igreja Matriz estava superlotada de curiosos. Compareceram, inclusive, chefes políticos da região.
Terminada a missa, padre Yague subiu ao púlpito e, apoplético, fez desabar sobre o Espiritismo uma tempestade de inverdades, classificando os espíritas de “adeptos do diabo”.

A figura de Eurípedes Barsanulfo o padre deixou para o fim do “sermão”. Arrasou-a, inclusive, com impropérios e, para provar que a Doutrina Espírita era diabólica, cometeu um grave erro: desafiou o médium para um debate em praça pública …

Ora, Eurípedes Barsanulfo desdobrava-se com muita facilidade e fora, em espírito, ouvir a pregação do padre. Quando os amigos vieram contar-lhe sobre o desafio, o apóstolo, tranquilo, respondeu:

– O nosso irmão pregador está exaltado, mas, não posso silenciar neste caso. Não que me sinta ofendido, mas porque a Doutrina Espírita foi desfigurada, publicamente. Digam ao padre Feliciano Yague  que desejo encontrar-me com ele na casa do coronel José Afonso de Almeida para acertarmos o dia, local, hora e outros detalhes que se fizerem necessários.

Quem levou o recado foi o espírita João Gonçalves Rios. E, logo depois, José Afonso de Almeida, um dos homens mais respeitados de Sacramento (era coronel da Guarda Nacional e presidente da Câmara Municipal) recebia em sua sala de visitas o padre Feliciano Yague, Eurípedes Barsanulfo, Watersides Wilon, Orígenes Tormim e o padre Julião.O coronel aceitou a proposta de dirigir o debate e determinou que seria realizado no dia vinte e oito de outubro (1913),a uma hora da tarde, no coreto da praça da Matriz. E mais ficou estipulado: os oradores fariam uso da palavra, alternadamente – trinta minutos cada um pelo espaço de suas horas.

– E o tema? perguntou o coronel, alisando o cavanhaque.
O tema central?
O padre Feliciano, então, prontificou-se a provar que o Espiritismo é o ateísmo; que os fenômenos do Espiritismo não se podem explicar sem a intervenção diabólica; que o Espiritismo não é religião e nem ciência … Cinco pontos capitais. E o coronel José Afonso de Almeida, a pedido de Eurípedes Barsanulfo e com a concordância do padre Yague, mandou que se lavrasse uma ata da reunião, o que foi feito, imediatamente. Leu-a em seguida em voz alta e pediu aos presentes que a assinassem. Era uma medida de precaução: com a ata nenhuma das partes poderia fugir ao compromisso …

Uma hora depois a população ficou a par da polêmica religiosa.

No centro da cidade e na periferia não se falava de outro assunto. A notícia atravessou as fronteiras e vieram de outras cidades caravanas espíritas. E, no dia marcado, agruparam-se na Praça da Matriz aproximadamente duas mil pessoas! No coreto já se viam Eurípedes Barsanulfo, ao lado de seu desafiante padre Yague, o coronel José Afonso de Almeida, padre Julião Nunes e o padre Pedro Ludovico de Santa Cruz; este último, é preciso que se diga, por força das circunstâncias, possuía um clube de jogo de baralho, era banqueiro do jogo do bicho e carregava dentro da batina dois,  revolveres (11).

O ambiente era nefasto; mas,a presença do coronel José Afonso de Almeida representava uma garantia. E a palavra foi franqueada ao padre Feliciano Yague, o qual, quase freneticamente, entrou direto no tema inicial. Mas, sua dialética aplicada contra o Espiritismo em nada o ajudou porque o padre partia de uma inverdade, ou seja: o Espiritismo é o ateísmo. Os intelectuais de Sacramento sentiram logo que ele perderia a polêmica.

Suas divagações tornavam-se por demais tortuosas e, como era de esperar-se, trouxe à baila o “inferno” e, assim, fugiu do tema, certamente para confundir Eurípedes Barsanulfo …

“Deus (disse o padre, gesticulando para a multidão” declara existir o inferno; o Espiritismo nega; logo, o Espiritismo acha Deus ignorante, porque ignora a existência do inferno, ou mentiroso, porque, em sabendo, declara ser irreal a sua existência”.

E, assim, com um sofisma silogístico o padre Yague viu o coronel apontar-lhe o relógio: trinta minutos se haviam passado. As duas mil pessoas entreolharam-se. Eurípedes Barsanulfo, então, sempre cavalheiro, cumprimentou o seu opositor e pediu aos presentes que pensassem em Deus – e, arrebatado, com sua voz atenorada e com timbre cristalino fez de improviso uma prece, sem esquecer de implorar a proteção para o padre Feliciano Yague e todos os que não compreendiam, ainda, as Verdades Divinas.

E deu início ao seu discurso sob a inspiração de Santo Agostinho.

As frases fluíam de sua boca vertiginosamente, cheias de sabedoria e bondade. E mais: eram elas compreendidas, inclusive, pelos homens mais simples.

Então, todos os andaimes do edifício construído pelo padre Yague com sofismas e expressões violentas começaram a ruir:
o Espiritismo é o ateísmo … Os fenômenos do Espiritismo não se podem explicar sem a intervenção diabólica … O espiritismo não é religião… O Espiritismo não é ciência…

Foi em vão a réplica do Padre.

No final da polêmica Eurípedes Barsanulfo estava, ainda, como que transfigurado.
A multidão, então, aplaudiu-o e quis carregá-lo em triunfo pelas ruas.
Mas, o médium pediu calma e rodeado por parentes e amigos regressou, rápido, à sua casa.

No dia seguinte, sem que ninguém notasse, o padre Feliciano Yague tomou o caminho para Campinas, enquanto os beatos mais exaltados de Sacramento espalhavam pelas esquinas, armazéns e bares dúvidas a respeito da derrota do pregador campineiro … Eurípedes Barsanulfo, então, mandou imprimir um boletim com a síntese da polêmica e distribuiu-o entre o povo e cidades vizinhas. E encerrou a questão.

(10) Do depoimento de José Rezende da Cunha e Edalides Milan da Cunha Nunes.
(11) Do depoimento de Angelo Ribas Sobrinho (discípulo de Eurípedes Barsanulfo de  1911 à 1915).

 


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Pedimos vênia à Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, para transcrever trechos do maravilhoso livro “Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade”, do escritor Jorge Rizzini.

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 



 

 

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