Elisabeth d’Espérance


Capítulo XIII


Elisabeth D' Espérance

Reprodução Web
Elisabeth D’ Espérance

Pedimos vênia à FEB, para transcrever do livro “No País das Sombras” (4), trechos de grande importância, sobre as  faculdades da médium Elisabeth d’Espérance.

Elisabeth começa seu livro seguintes palavras:

Os sábios tornam-se espíritas

“Quando se fez ou se imagina ter feito uma grande descoberta, creio que o nosso primeiro impulso é espalhar a notícia ao redor de nós, não duvidando que ela seja apaixonadamente acolhida e tão altamente apreciada pelo resto do mundo, como o foi por nós.

Como já vimos, havia três ou mais anos que muitos dos fenômenos espíritas eram-me familiares; mesmo desde a minha infância eu me tinha habituado a alguns. Mas, a fé nessas manifestações não faz necessariamente “um espírita”, ainda que deem tal designação aos crentes nos seus fenômenos. Até então, não gostava de ser chamada “espírita”, termo que me parecia impróprio e sem significado apropriado.

(4) No País das Sombras “, um livro que deveria ser apreciado pelos espíritas conscientes.

Crer em certos fatos que se mostram claros à inteligência mais comum, não constitui motivo para merecer-se essa classificação, assim como crer-se na existência das estrelas e dos planetas não dá o direito de se ter o título de astrônomo. De outra sorte, os melhores e mais sinceros espíritas, que eu tenho conhecido, não precisavam, para firmarem sua fé, dessas manifestações que são para outros tão necessárias, facilitando-lhes as primeiras tentativas no descobrimento das leis que prendem o mundo espiritual ao material.

Conheci pessoas muito experimentadas em relação aos fenômenos espíritas, pessoas que possuíam uma fé inabalável na sua origem espiritual e que, entretanto, eram, se ouso dizê-lo, crentes materialistas nos fenômenos espíritas e não no próprio Espiritismo, do qual nada conheciam. A respeito dessas pessoas, recordo-me de uma entrevista que tive com duas damas que desejavam conhecer-me. Elas estavam ambas em país estranho e, ouvindo dizer que eu era inglesa e espírita, visitaram-me. Depois do jantar, caiu a conversação para o Espiritismo. Aos meus outros hóspedes explicaram que pouco ou quase nada sabiam dessa doutrina, que haviam sido espíritas durante três ou quatro anos, que tinham tido sessões com os melhores médiuns, sem atenderem a despesas e sem desprezarem a menor condição para uma investigação minuciosa. Diziam-se verdadeiras adivinhas na arte de descobrir médiuns, e acrescentaram nunca terem deixado de conferenciar com aqueles que haviam encontrado.

Nesse ponto de vista, senti-me infinitamente reconhecida por elas ignorarem que eu era uma médium.

– Mas – disse um dos meus hóspedes – embora seja muito interessante e estranho, não posso descobrir a necessidade desse estudo. Como pode tornar alguém feliz o conhecimento de que seus caros amigos não têm no outro mundo melhor ocupação que a de fazer dançar as mesas. falar pela boca do médium um mau inglês, ou aparecer come caricaturas nas sessões de materialização? O espiritualismo de Cristo parece-me muito mais belo, e satisfaz a todas as necessidades dos que nele creem.

– Oh! sim – respondeu ;: outra – mas rejeitamos tudo isso; não acreditamos na existência do Cristo; desejamos alguma coisa mais real e tangível do que essas velhas lendas.

Certamente o Cristo era muito bom e, para os tempos antigos, seus ensinos foram suficientes; mas, a nossa época precisa de coisa melhor.

O materialismo dessas senhoras espíritas parecia-me extremamente desanimador. Para elas, o espiritismo” queria dizer “fenômeno”, e mais nada. Sua profissão de fé era uma escusa muito cômoda para dispensá-las dos deveres religiosos, que sentiam pesados, e dava-lhes a faculdade de frequentarem esquentarem as sessões para as quais somente os espíritas convocados. Mas, fora disso, esse termo não tinha para significação alguma. Entre “esclarecidas adeptas” do Espiritismo e eu, só havia  pouco ou nenhuma simpatia. Seguimos muitos caminhos diferentes, e só raramente poderemos  encontrar-nos. Elas talvez ainda estejam à procura  de bons médiuns, coisa que não é muito fácil de encontrar no país em que habitam.

Eu não tinha ideia alguma de poderem existir essas diferenças entre os adeptos  de uma mesma causa, e essa descoberta tornou-me perplexa. Desejava proclamar  ao mundo inteiro a verdade dos fatos. Nunca me tinha vindo o pensamento de que se com menor contentamento do que eu. Julgava que me bastaria falar dessa descoberta para comunicar aos ouvintes a minha satisfação. No entanto, as minhas declarações foram geralmente recebidas com incredulidade. Escutavam-me cortesmente, mas recusavam-se a crer-me, na falta de uma demonstração evidente. Tentei dá-la, e fiz uma nova descoberta que pareceu vir destruir os meus belos planos de regeneração do mundo. As manifestações que se tinham sucedido durante os meus anos de experiências, numerosas e maravilhosas umas mais que as outras, e isso sem esforço algum de minha parte, pareceram-me quase impossíveis de ser obtidas espontaneamente, como eu as vira até então. O poder de escrever sobre assuntos científicos, que por tantos meses nos tinha ocupado o tempo e a atenção, pareceu-me completamente aniquilado. Às perguntas que me faziam, vinham respostas tão disparatadas que eu, por momentos, sentia-me realmente irritada.

A faculdade da clarividência, que raras vezes me faltara em nosso pequeno círculo, acabou por tornar-se fraca e incerta, e os movimentos das mesas não tinham mais significado algum, tão incoerentes eles eram.

Eu estava muito mal preparada, devido à facilidade com que havia obtido precedentemente essas manifestações, para suportar com paciência todos esses insucessos. Não foi, pois, sem certo despeito que contemplei o fraco resultado da minha missão, e comecei a compreender a minha ignorância das leis que regem os fenômenos. As pessoas com as quais tinha antes feito experiências, seja por acaso, seja por uma boa sorte, eram particularmente aptas para esse gênero de trabalho. Agora, que me achava privada do apoio e da cooperação dos meus amigos, o resultado das manifestações dependia de mim somente ou do auxílio incerto de experimentadores com opiniões diversas e possuindo sobre a matéria menos conhecimentos do que eu.

Reconheci que tínhamos então sido bem sucedidos e que conseguiria idêntico resultado se  dessem as condições de outrora. Por isso, o meu trabalho meu penoso e muito comentado. Eu desejava converter o mundo, e mundo não queria ser convertido; ia seguindo o seu caminho, sem que se pudesse impor-lhe uma convicção que ele não pedia.

Ao mesmo tempo, um ardor missionário apossava-se de mim, sem me deixar repouso. Imagina, combinava planos para fazer conhecer e propagar a realidade do mundo espiritual e os meios de nos comunicarmos com os seus habitantes; tudo, porém foi inútil, seja porque o mundo não desejava saber, seja porque eu não tinha o poder de produzir fenômenos que o satisfizessem.  Nunca me veio a ideia de que alguém pudesse duvidar do que eu contava acerca desses variados fenômenos; por isso, desagradava-me muito que essa dúvida se traísse em significativo franzir de sobrancelhas ou num movimento de ombros, quando a delicadeza dos ouvintes poupa-me os seus comentários.

Expus as dificuldades aos meus amigos espirituais, pedindo-lhes conselhos, e eles disseram que eu tivesse paciência, não buscasse instruir os outros antes de eu própria o ser, nem tentasse reformar o mundo ou reerguer a  Igreja, mas, simplesmente, que executasse do melhor modo o trabalho que estivesse ao meu alcance.

Buscando seguir esses conselhos tornava-se, muitas vezes, difícil saber como devia proceder quando me encontrava entre pessoas que tinham o maior interesse pela causa espírita.

Parecia que não devia recusar-lhes auxílio, mesmo no caso de duvidar da sua profissão de fé.Era realmente desanimadora a situação, e, se eu não houvesse encontrado uma ou duas brilhantes exceções, é possível que a minha coragem sucumbisse.

Quando a minha saúde ficou em grande parte restabelecida, graças à minha estada no sul da França, fui passar alguns meses em companhia do Sr. e da Sr” F.. , então residentes na Suécia, e acompanhei diversos amigos a Leipzig, onde, com o amável concurso do Sr. James Burns, de Londres, entrei em relação com célebre Professor Zollner.

Graças ao interesse deste e de sua mãe, a minha estada na Alemanha foi uma das exceções animadoras de que acima falei.

Na véspera do meu regresso à Inglaterra, um acontecimento acidental obrigou-me a ir com os meus companheiros de viagem a Breslau, em vez de seguir o meu destino via Hamburgo. Essa mudança em meus projetos não me era agradável, pois vinha anular muitos deles; mas, por dever de humanidade, não os podia abandonar nas circunstâncias que se tinham dado.

Quando chegou ao conhecimento do Prof. Zollner essa mudança de itinerário, ele fez a seguinte observação:

– Tenho em Breslau um amigo, o meu melhor amigo de infância, e até hoje as nossas opiniões não variaram sobre qualquer outro assunto. Infelizmente, ele nunca pode tolerar as minhas ideias sobre o Espiritismo, e essa nuvem, levantada entre nós, destruiu em grande parte a nossa longa amizade. Sofro muito com isso, mas não posso renunciar à minha fé espírita para satisfazer mesmo ao meu melhor amigo. O que espero é que um dia ele seja mais indulgente com as minhas ideias. Se pudésseis fazer dele um espírita, prestar-me-íeis o maior dos serviços. Nada há no mundo que eu deseje tanto.

– Bem, respondi em tom de gracejo, por dedicação a vós, farei dele um espírita. Como se chama esse amigo?

Dr. Friese, respondeu Zóllner, quando o trem começava a mover-se.

A viagem era longa e a noite estava fria. Em consequência da repentina mudança de plano, a minha bagagem tinha tomado outra direção, e não levei comigo senão uma parte insignificante das minhas roupas; assim, cheguei a Breslau adoentada e fui forçada a guardar o leito por alguns dias. Uma manhã, sem ser anunciado, um cavalheiro entrou em meus aposentos. Somente pude ouvir a palavra “doutor”, pronunciada pela criada que lhe abriu a porta; portanto, concluí naturalmente que ele era algum médico prevenido pelos meus companheiros de viagens, e passei a descrever-lhe todos os meus sofrimentos.

– Mas, cara senhora, estais enganada, chamo-me Friese.

– Não sois médico?



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Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 

 



 

 

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