Daniel Dunglas Home


 


daniel-dunglas-home

Reprodução Web
Daniel Dunglas Home

Capítulo XII

O artigo abaixo mencionado, foi extraído da “Revista Espírita” (francesa) “Jornal de Estudos Psicológicos”, ano, n” 2, fevereiro de 1864, Allan Kardec, reproduzido pelo Instituto de Difusão Espírita, Ararás, Estado de São Paulo, 5.33/36, a quem pedimos vênia  para retransmiti-lo ao público.

O Sr. Home em Roma

Vários jornais reproduziram seguinte:

O incidente da semana, que foi transmitido de Roma ao “Times”, é a ordem dada ao Sr. Home, o célebre médium, de deixar a cidade pontifícia em três dias.

Interrogatório:

Convidado a se apresentar diante da polícia romana, o Sr. Home sofreu um interrogatório segundo as leis. Perguntaram-lhe quanto tempo pensava ficar em Roma; se estava entregue às práticas do Espiritismo desde sua conversão ao Catolicismo, etc. Eis algumas das palavras trocadas nessa circunstância, tais como o próprio Sr. Home as consignou em suas notas particulares, que comunica bastante facilmente, ao que parece.

– Depois de vossa conversão ao Catolicismo, tendes exercido vosso poder de médium?

– Nem antes nem depois exerci esse poder, porque, como não depende de minha vontade, não posso dizer que o exerço. – Considerais esse poder como um dom da Natureza?

– Considero-o como um dom de Deus.

– Que religião os Espíritos ensinam?

– Isso depende.

– Que fazeis para fazê-los

Vir?

Respondi que não fazia nada; mas, no mesmo instante, pancadas repetidas e distintas se fizeram ouvir à mesa onde meu interrogador escrevia.

– Mas também fazeis as mesas se moverem? – perguntou ele.

No mesmo instante a mesa se pôs em movimento.

Desconhecendo esses prodígios, o chefe da polícia convidou o mágico a deixar Roma em três dias. O Sr. Home se abrigando, como era seu direito, sob a proteção das leis internacionais, referiu isso ao Cônsul da Inglaterra, que obteve do Sr. Matteucci que o célebre médium não fosse inquietado e que pudesse continuar sua permanência em Roma, desde que pensasse em se abster, durante esse tempo, de toda comunicação com o Mundo Espiritual.

Coisa espantosa! O  Sr. Home acedeu a essa condição, e assinou o compromisso que se pediu. Como pôde comprometer-se em não usar de um poder cujo exercício é independente de sua  vontade? É o que não procuraremos penetrar.”

E Allan Kardec continua: “Não sabemos até que ponto esse relato é exato é exato todos os  seus detalhes, mas uma carta escrita recentemente pelo Sr. Home a uma senhora do nosso conhecimento, parece esclarecer  este fato principal.”

“O Senhor Home, com efeito, está em Roma neste momento, e o motivo é muito honroso para si para que não o digamos, uma vez que os jornais creram dever aproveitar esta ocasião para ridicularizá-lo.

O Senhor Home não é rico, e não teme dizer que deve procurar no trabalho um suplemento de recursos para prover os encargos aos quais deve recorrer. Pensou em procurar no talento natural que tem pela escultura, e foi para se aperfeiçoar nesta arte que foi a Roma. Com a notável faculdade medianímica que possui, poderia ser rico, muito rico mesmo, se tivesse querido explorá-la; a mediocridade de sua posição é a melhor resposta ao epíteto de hábil charlatão que se lhe lançou à face.

Mas ele sabe que essa faculdade lhe foi dada com um objetivo providencial, para os interesses de uma causa santa, e acreditaria cometer um sacrilégio se a convertesse em ofício. Ele tem demasiadamente o sentimento dos deveres que ela lhe impõe para não compreender que os Espíritos se manifestam pela vontade de Deus, para conduzir os homens à fé na vida futura, e não para fazer demonstração de espetáculo de curiosidades, em concorrência com os escamoteadores, nem para servir à cupidez daqueles que pretendessem explorá-la.

Aliás, ele sabe também que os Espíritos não estão às ordens nem ao capricho de ninguém e, ainda menos, de quem quisesse exibir seus fenômenos e gestos a tanto por sessão. Não há um só médium no mundo que possa garantir a produção de um fenômeno espírita num dado momento; donde é necessário concluir que a pretensão contrária é prova de uma ignorância absoluta dos princípios mais elementares da ciência; e, então, toda suposição é permitida, porque se os Espíritos não respondem ao chamado, ou não fazem “coisas muito espantosas” para satisfazer os curiosos e sustentar a reputação do médium, é preciso encontrar um meio de dá-las aos espectadores em troca de seu dinheiro, se não se lhes quer restituí-lo.

Não está fora de propósito repetir: a melhor garantia de sinceridade é o desinteresse absoluto. Um médium é sempre forte, quando pode responder àqueles que suspeitam de sua boa fé: “Quanto haveis pago para vir até aqui?”

Ainda uma vez: a mediunidade séria não pode ser, e não será jamais, uma profissão. Não só porque estaria desacreditada moralmente, mas porque repousa sobre uma faculdade essencialmente móvel, fugi dia e variável, que nenhum daqueles que a possui hoje, está seguro de possuí-la amanhã. Só os charlatões estão sempre certos de si mesmos. Outra coisa é um talento adquirido pelo estudo e pelo trabalho que, por isso mesmo, é uma propriedade da qual é naturalmente permitido tirar partido.

A mediunidade não está neste caso. Explorá-la é dispor de uma coisa da qual não se é realmente senhor; é desviá-la de seu objetivo providencial; e mais ainda: não é de si mesmo que se dispõe, é dos Espíritos, das almas dos mortos, que estão do outro lado da vida, cujo concurso é posto a preço. Este pensamento repugna instintivamente. Eis porque em todos os centros sérios, onde se ocupam do Espiritismo santamente, religiosamente, como em Lyon, Bordeaux e tantos outros lugares, os médiuns exploradores seriam completamente desconsiderados.

Que aquele que não tem de que vi ver procure em outra parte os recursos se preciso e, consagre à mediunidade o tempo que puder dar-lhe materialmente. Os Espíritos levarão em conta o seu devotamento e os seus sacrifícios ao passo que punem, cedo ou tarde, aqueles que dela esperam fazer um degrau, seja  pela retirada da faculdade, pelo afastamento dos bons Espíritos, pelas mistificações comprometedoras ou por meios mais desagradáveis ainda, assim como a experiência o aprova.

O Sr. Home sabe muito bem que  perderia a assistência dos seus  bons Espíritos protetores se  abusasse de sua faculdade. Sua primeira punição seria perder a estima e a consideração das  famílias honradas, onde é recebido como amigo e onde não seria   mais chamado, senão ao mesmo título das pessoas que vão dar representações a domicilio. Quando de sua primeira estadia em Paris, sabemos que lhe foram feitas, por certos círculos muito vantajosas para ali dar  sessões, o que sempre recusou.

Todos aqueles que o conhecem e compreendem os verdadeiros  interesses do Espiritismo, aplaudirão a resolução que toma hoje. Por nossa conta pessoal, nós somos gratos do bom exemplo que dá.”

Comentamos:

Naquela época o Espiritismo  estava dando os primeiros passos da sua existência, mas o Clero Romano já temia o peso da nova revelação levada a efeito por Allan Kardec.

Escritor Carlos Bernardo Loureiro

Vejamos a seguir o primoroso artigo do insigne escritor Carlos Bernardo Loureiro, publicado na excelente “Revista Internacional do Espiritismo”, de abril de 1996,  pags. 74/75, a quem pedimos ” para transcrever:

Daniel Dunglas Home, famoso médium escocês, esteve em visita a Paris, no mês de outubro de 1855.

Diria mais tarde, Allan Kardec (1858), referindo-se ao mesmo médium na “Revue Spirite”:

“A França ainda na dúvida, quanto às manifestações espíritas, tinha necessidade de fatos chocantes. Foi o Sr. Home quem recebeu essa missão, pois quanto chocante os fatos, mais ecos produzem. A posição, o conceito, as luzes dos  que o acolheram e que ficaram convencidos pela evidência dos fatos, abalaram as convicções de uma multidão de gente, mesmo entre os que não puderam testemunhar ocultamente os fatos. A presença do Sr. Home foi poderoso auxílio para a propaganda das idéias espíritas.”

Comentamos:

O nosso irmão Home estava fornecendo provas concretas ao mundo de que a alma preexiste ao corpo, reencarna na Terra tantas vezes quantas forem necessárias para desenvolver a sua inteligência e apurar ao máximo a sua moral. Essas teorias eram combatidas pelo Clero e outras religiões.

Nasce aí a resolução do Clero Católico, de expulsar o Sr. Home de Roma, no prazo de três dias, embora não tenha conseguido levar a efeito esse seu desejo.

Mau grado todo o peso das duas religiões dominantes do Mundo Ocidental, no penúltimo e neste século, o Espiritismo continua a sua marcha, crescendo e expandindo-se cada vez mais, em todas as cidades do Brasil, grandes e pequenas, inclusive vilarejos, em lugares longínquos e ignorados deste imenso país.

O Espiritismo é a única religião do mundo que se baseia nos fatos, que existem aos milhares, e na ciência, que proclama a sua existência: a Ciência da Alma .

Praza a Deus que os nossos irmãos mais esclarecidos e de boa vontade, continuem a levar avante a obra gigante dos nossos companheiros: Divaldo Pereira Franco, seguido por Raul Teixeira e outros amigos de lutas redentoras, levando o Espiritismo Cristão a outros países do mundo, guiando-se pelo caminho preconizado por Humberto de Campos, em seu valoroso e cada vez mais apreciado livro, editado pela Federação Espírita Brasileira: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Louvado seja Deus!

 

 

 

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães

 

 



 

 

CONTATO

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Top Postagens Mãe Pobre

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Pular para a barra de ferramentas