Category Archives: Casa da Mãe Pobre – 50 anos de Amor

Índice do Livro “Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor”

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Divulgação CMP


Índice do Livro “Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor”


» Prefácio

» Homenagem

» Departamentos mantidos pela Instituição

» Leilão do Prédio da Rua Frei Pinto nº 16

» Volta do Túmulo

» Inauguração do Hospital da “Casa da Mãe Pobre”

» Cura Singular

» Menina Abandonada num Caixote

» Campanhas Financeiras

» Centésimo Milésimo Nascimento

» Rádio Rio de Janeiro

» Festa da Rosa

» Visita a Francisco Cândido Xavier

» A Dona da Casa

» Viagem Dolorosa

» Adolpho Basbaum

» Mário de Almeida

» Primeira Secretaria da “Casa da Mãe Pobre”

» Um Barraco Sui Generis

» Falsa Gravidez

» Lar de Jesus

» Abrigo para Crianças em Teresópolis

» Esposa em Apuros

» Nova Frente de Trabalho em Teresópolis

» Jazida de Pedra em Teresópolis

» Novas Edificações

» União Municipal Espírita de Teresópolis

» Passou pela Primeira, Segunda e foi Parar na Terceira Esfera

» Exemplos a Seguir

» O Garoto Tarado

» Lar de Anália Franco –Obs.: O texto referente a esta instituição foi retirado por determinação do sr. Júlio Moreira a pedido da parte interessada.

» Obra de Assistência Social “Gaspar da Silva Araújo”

» Grupo Espírita “André Luiz”

» Brincadeira de Mau Gosto

» Federação Espírita Brasileira

» A Criança Queimada

» Irmãos Virtulino

» Auxílio de Instituições Estrangeiras

» Subsídio Histórico

» Cura de uma Parturiente pelo Magnetismo

» A Mulher que Usava Saias de Renda

» Campanha Financeira em São Paulo

» Ponto Alto

» Um Servo do Senhor

» A Perna Mecânica

» Uma Reunião Memorável

» Um Caso a Ponderar

» Maldito Preconceito

“O Senhor dos Mundos proteja todas essas criaturas de Deus e as inspire em todos os dias da vida, e o que de coração lhes almeja o servo dos servos do Senhor,”

Henrique Magalhães



 

 

CONTATO

Maldito preconceito

 


 


mulher grávida

            Reprodução Web

Estávamos no final do ano de 1964. Certo dia, fomos avisados de que determinado cidadão desejava falar-nos, ao qual atendemos com todo o respeito. Tratava-se de abalizado médico que há longos anos, possivelmente doze, havia estagiado na Maternidade “Casa da Mãe Pobre”.

Logo de início reconhecemo-lo. Chamemo-lo de Doutor “F”, para evitar constrangimentos. Após toucarmos idéias sobre os tempos idos, informou ser Diretor de um Hospital em sua cidade do interior e Deputado Estadual. Mais algumas confidências e, por fim, o motivo pelo qual veio ao Rio.

“Senhor Presidente – começou o Doutor “F” – o que me traz à sua presença é um caso melindroso e de muita importância para a nossa família. Trata-se de uma de minhas irmãs, vítima de um celerado.”

“Celerado?” interrompemos. 

“Sim – continuou ele – porque o homem que promete casamento a uma moça, abusa dela e depois foge ao compromisso, verdadeiramente é um celerado. E é justamente o que se passou com minha irmã”.

E continuou:

“Embora originário do Estado … , minhas atividades profissionais fixaram-se mais ao sul.” (Não mencionamos o nome da localidade para evitar prejuízos morais às citadas criaturas).

Em sua minuciosa exposição, esclareceu mais o seguinte:

“A família de meus pais é uma das mais importantes, ou talvez a mais importante em todo o nosso Estado. O Sr. compreende o escândalo que um caso desses poderá causar em nossa terra, no seio de nossa família.”

E prosseguiu:

“Atendendo ao chamado urgente de meu pai, compareci imediatamente ao meu torrão natal, ocasião em que ele me relatou a difícil situação criada por minha irmã. Por sorte – aditou – minha mãe acha-se enferma e internada num hospital, o que proporcionou meios de esconder-lhe a terrível situação.”

Adivinhando o que o visitante iria propor  adiante, indagamos:

“Há quantos meses sua irmã engravidou?” “Cinco”, respondeu o Dr. “F” e continuou:

“Ao tomar conhecimento do assunto, sugeri ao meu pai fazer uma cesariana na gestante, para tirar o feto, o que seria fácil e resolveria o problema, mas meu pai não aceitou a sugestão. E profundamente religioso e professa o catolicismo, o que o levou à negativa. Mas, muito aflito, pediu-me para ajudá-lo a resolver esta infelicidade.”

Atalhando, sugerimos:

“Por que não obrigam o causador desse incidente a casar com a moça?”

“Essa medida foi tentada por meu pai – esclareceu o homem. Após forçar o causador do delito a ir à sua presença, ameaçou-o, inclusive de sangrá-lo, o que realmente seria feito. Mas, depois de algumas promessas evasivas, o miserável desapareceu sem deixar vestígios. Por outro lado, ao tomar conhecimento dessa resolução, minha irmã afirmou que jamais se casaria com quem a enxovalhou, negando-se a assumir a responsabilidade. Essa atitude jogou por terra todas as nossas esperanças.”

“E agora?” Perguntamos, já adivinhando algo que pairava no ar. “Em que lhe podemos ser útil?”

O moço logo desabafou:

“Quando meu pai colocou o caso em minhas mãos, disse-lhe, desde logo, que só tínhamos uma alternativa: Transportar minha irmã para lugar ignorado, onde ela daria à luz a criança. A este meu alvitre papai cedeu, com a condição de deixá-la ao abrigo de uma casa de absoluta confiança. Após curta meditação, surgiu-me o nome e então respondi que havia uma Maternidade, no Rio, que preenchia todas essas condições, ou seja, a “Casa da Mãe Pobre”, onde fiz o meu estágio de obstetra. Lá estará resguardada como em nossa própria casa, pois conheço bem os seus dirigentes.”

Voltando-se para nós, terminou:

“Eis o motivo de minha presença”. Raciocinando sobre o assunto, chegamos à conclusão de que algo deveríamos fazer em benefício da moça e da família que ela representava. Era um caso de consciência, que punha à prova nossas reservas morais.

“Aceitamos a responsabilidade. Pode trazer sua irmã”

“J á está aqui,” respondeu o interlocutor.

Ato contínuo dirigiu-se à parte externa do prédio, onde há uma sala de estar e voltou trazendo-a pela mão. Os dois foram levados a um gabinete, onde iniciamos agradável diálogo com a moça, na tentativa de captar-lhe a simpatia, o que felizmente conseguimos. Depois veio a Administradora, Dona Mathilde, criatura simples e humana, a quem apresentamos a gestante, pondo-a à vontade. Em seguida lembramos-lhe a possibilidade de colocá-la numa casa de família até terminar o prazo da gestação a que ele anuiu.

Uma semana após surgiu essa oportunidade, mas ela negou-se a deixar a Maternidade, alegando que já se tinha habituado ao ambiente.

Despedindo-se, o irmão da jovem ficou de escrever-lhe vez por outra, mas esqueceu o compromisso.

Para lhe dar assistência pré-natal, foi escolhido o Dr. Francisco Castro, médico de toda a confiança e competência profissional.

Passaram-se quatro meses e a jovem dá à luz uma robusta menina, em parto normal, sem complicações, graças a Deus!

Incontinente foi enviado telegrama para o irmão da parturiente.

Os dias foram passando, mais de um mês, e já estava uma carta pronta para lhe ser enviada, quando ele apareceu. Desculpou-se pela demora, assim como por não ter escrito à irmã durante todo aquele tempo. E foi logo dizendo que a criança seria entregue à família de um oficial da Marinha, que a adotaria como filha.

Essa resolução angustiou-nos, de vez que tínhamos conhecimento do extremado amor da parturiente à filhinha. Como estava na hora do almoço, fomos para casa, mas não nos saía da cabeça o trauma moral que semelhante atitude causaria à infeliz mãezinha. Foi quando nos veio à mente que a mãe da criança era de maior idade.

Logo que chegamos em casa telefonamos para Dona Mathilde, ordenando-lhe as seguintes medidas:

Se a genitora fosse contrária à separação da filha, ninguém poderia obrigá-la a ceder a essa barbaridade, nem mesmo o irmão ou qualquer pessoa de sua família. De agora em diante – concluímos até que as coisas se resolvam, mãe e filha ficariam debaixo de nossa responsabilidade. Ato contínuo mandamos notificar o irmão da novel mãezinha, o qual tinha ficado na Maternidade, dessa nossa atitude.

Daí a instantes, Dona Mathilde informou-nos que a mãe da criança tinha-se debulhado em lágrimas, face à exigência do irmão, negando-se a entregar-lhe a filhinha. Em seu socorro tinha comparecido o Dr. Castro, que a assistira durante o pré-natal e a partejara, o qual exprobou a atitude do irmão da moça, convencendo-o a desistir do seu tenebroso intento. E também lhe tinha feito sentir que se no seu Estado natal predominam tais preconceitos, aqui, no Rio de Janeiro, essa intolerância já tinha acabado.

No dia seguinte, o Deputado médico solicitou mais uma fineza. A irmã seguiria com ele para a cidade onde ele residia, cujo Estado ficava longe de sua terra natal. Uma vez em sua casa, pediria à sua esposa para adotar a criança como filha. Com essa medida visava não só a aliviar a responsabilidade de sua irmã, como também deixá-la perto da filhinha. O caso ficaria intra-muros e ninguém tomaria conhecimento do assunto. A criança continuaria na “Casa da Mãe Pobre” debaixo da nossa responsabilidade e aos cuidados de D. Mathilde, até ele alcançar seus objetivos junto à esposa.

Era uma saída honrosa para a moça, desde que ela consentisse.

Posta a par da situação e face às circunstâncias, a jovem mãe aceitou o alvitre.

No dia seguinte embarcaram os dois para a distante cidade onde o médico residia.

O tempo que ele calculou para resolver o caso com a esposa foi de um mês. Todavia tinham-se passado cinco meses e nada de notícias. Essa situação inquietava-nos, mas íamos aguardando com paciência.

Em determinado dia deu-se o inesperado. Dona Mathilde recebeu telegrama comunicando que a genitora da criança chegaria ao Aeroporto às 13 horas do dia seguinte, pedindo que fossem buscá-la nesse local.

Mas não chegou na hora marcada. Inspirada, Dona Mathilde esperou-a e já passava das 16 horas quando a criatura apareceu. Magra, abatida, nem parecia ser a mesma. Quando deu com os olhos em Dona Mathilde estacou e ficou paralisada, chorando como criança. Seguiram-se abraços e carinhos e lá se foram para a “Casa da Mãe Pobre”, pois a inditosa mãe estava ansiosa para abraçar a filhinha. Depois vieram as confidências.

Contou a infeliz a sua odisséia, informando que quando chegou à casa do irmão, a cunhada recebeu-a com frieza. Para moradia, destinaram-lhe pequeno quarto existente nos fundos do quintal, ficando separada do seio da família. Para todos os efeitos, a pobre mãe era uma estranha, amargando sua infelicidade longe da filhinha querida.

Uma empregada levava-lhe a alimentação. Por essa empregada soube que o irmão tinha espalhado o boato de que ela era cancerosa, evitando-lhe por esse meio todo o contato com o mundo exterior.

Tempos após, a cunhada foi acometida de grave enfermidade e nessas circunstâncias o marido enviou-a ao Rio, a fim de consultar-se com médico especialista. A mãe da criança pediu-lhe a fineza de levar algumas roupinhas para a filha, que ela mesma havia confeccionado, e ao mesmo tempo fazer-lhe uma visitinha. Embora contrafeita, a cunhada anuiu. Na volta para sua terra natal a cunhada passou pela Maternidade “Casa da Mãe Pobre” e entregou na portaria o embrulho de roupas e uma cartinha para Dona Mathilde, seguindo viagem sem visitar a menina.

Em determinada época, a mãe da criança enfermou, sendo transportada pelo irmão para o Hospital onde ele era Diretor. Seus colegas constataram que ela sofria dos rins. Medicaram-na e optaram por sua internação, onde ela também ficou isolada.

Embora os medicamentos aplicados fossem para os rins, correu célere a notícia de que a pobre criatura era cancerosa.

Com o correr dos dias a paciente travou relações amistosas com uma das enfermeiras que a assistiam, a qual revelou-se carinhosa e humana. Entre as duas nasceu mútua amizade. Num impulso corajoso, a paciente revelou à enfermeira que não era cancerosa, do que esta já vinha desconfiando; nessa altura confiou-lhe toda a sua desdita. Impressionada com a revelação, a citada enfermeira prometeu ajudá-la.

Impressões e alvitres foram trocados entre ambas. E dessas conversas íntimas surgiu a idéia de a moça entregar à enfermeira um relógio-pulseira com brilhantes, única jóia que possuía. Aproveitando-se da ausência do irmão, numa das muitas viagens que ele fazia ao interior do Estado, a jóia foi vendida e com o produto da venda a enfermeira comprou uma passagem de avião para o Rio de Janeiro.

LIVRE DO ALGOZ

O avião fez escala em São Paulo, onde todos os passageiros desembarcaram por algum tempo. E aconteceu o inesperado. A moça nunca tinha viajado sozinha de avião e, ao deixá-lo, encaminhou-se para o salão de espera, jogando-se em cima de uma poltrona; vendo a demora, foi ao balcão indagar os motivos. A moça que a atendeu arregalou os olhos, espantada, e informou-a de que o avião já tinha partido para o Rio. E perguntou-lhe:

“Por que a senhora não compareceu à chamada?”

A passageira ficou estarrecida e caiu em pranto. pois só lhe restavam poucos cruzeiros.

Levado o assunto ao conhecimento da direção da Empresa, seu dirigente, penalizado, mandou fornecer-lhe outra passagem.

Esse incidente causou-lhe o atraso de mais de três horas, justamente o tempo em que Dona Mathilde ficou esperando.

Foi acolhida na “Casa da Mãe Pobre” com todo o carinho, ficando provisoriamente no Hospital, até que a situação fosse resolvida.

 



 

 

CONTATO


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Uma reunião memorável


 


caratinga

                   Reprodução Web

Tremenda gripe levou-me a Caratinga. Deixando o ônibus, recolhi-me logo ao Hotel, com febre alta. Tinha a impressão de que agulhas ferozes me atraavessavam o cérebro de instante a instante.

Após duas horas de sono, acordei com a roupa toda ensopada de suor. Por último, embrulhei-me num lençol, pois não possuía mais roupa para mudar.

Na primeira noite, a Presidente do “Grupo Espírita Dias da Cruz”, Dona Maria, o médium principal do grupo, Antônio Sales e mais duas médiuns foram visitar-me. O Antônio aplicou-me passes e deixou-me dois vidros de remédios, um preparado pelos Espíritos e outro adquirido na farmácia da cidade, para serem tomados de meia em meia hora.

Todo esse arsenal resultou inútil. O febrão continuava, bem assim as transpirações. No sábado fui levado de carro para o Grupo Espírita. Os trabalhos, como sempre, começavam às 19 horas. Para não apanhar vento, o que poderia prejudicar-me, fui colocado dentro da cabine, onde os Espíritos materializados realizavam os tratamentos e trabalhos cirúrgicos.

Lá pelas tantas, o Espírito que atende pelo nome de Dr. Joseph, chamou-me para perto da mesa de curativos, onde se achava um cidadão deitado. Seguidamente mostrou-me um recipiente, onde se achava pequena quantidade de material branco como a neve e perguntou:

 “Você sabe o que é isto?”

Afirmei que sim. Era radium. Noutra oportunidade tinha-me colocado pequena porção na concha de uma das mãos. A seguir, o Dr. Joseph segurou uma lâmpada trazida do espaço, cuja cor variava entre o roxo e o rosa e que tinha o poder de penetrar no organismo das pessoas, talvez mais profundamente do que os raios X.  Colocou o citado aparelho a uns vinte centímetros da orelha do paciente que se achava em cima da mesa e indicou um objeto igual a uma pevide de amêndoa, mais ou menos do mesmo tamanho, e informou:

“Estamos frente a frente com um câncer. Os médicos da Terra não puderam curar o enfermo, mas com a graça de Deus, vamos exterminá-lo.” 

Firmando bem os olhos observei a carne, ou o que possa chamar-se de orelha, vermelhinha puxado ao róseo. Em determinado local lá estava o estranho objeto. O Dr. Joseph então segurou a pinça e cutucou a pevide; esta mexeu-se em uma das pontas, mas o restante continuava firme no local. Em seguida, mandaram-me novamente sentar. (Dois meses após, em outra viagem, soubemos que o homem citado estava radicalmente curado). 

Passados uns vinte minutos, foi a vez do irmão José Grosso também se materializar. Em pé, junto a uma das paredes e talvez a três metros de distância de onde me encontrava, dirigiu-me a palavra:

“Magalhães, desta vez consegui revestir-me de luz”. (Realmente seu organismo irradiava luz, um tanto fraca, mas dava para se ver o seu corpo inteiro). A seguir, ordenou-me:

“Levanta! ”

Levantei-me e alguém que nunca pude saber quem fosse, segurou-me a cabeça com ambas as mãos, jogando-a de um para outro lado. A seguir, deu-me um beijo no rosto, tão nítido que senti os lábios frios do Espírito e um odor um tanto desagradável – penso que do ectoplasma.

Tive a impressão de que o Espírito não tinha prática dos trabalhos de materialização, daí jogar-me  a cabeça de um lado para o outro.

A seguir, deixou-nos e desapareceu. Nesse exato momento, o José Grosso ordenou-me novamente:

“Magalhães, vem cá. Não tenhas medo!” Dirigi-me em sua direção e fiquei ao seu lado esquerdo. Minha cabeça ficava abaixo dos seus ombros, tal a sua altura. Foi quando ele passou sua mão direita por cima de meus cabelos e jocosamente anunciou:

“Olhem o tamanho dele”.

O pessoal presente riu-se à vontade! Aproveitei o momento e passei meu braço direito em torno dos seus costados, verificando que, apesar da altura, seu corpo era esguio. Encostei minha cabeça em seu peito e senti o coração pulsar.

Mandou-me abraçar outro Espírito, o Dr. Dias da Cruz, justamente o Patrono do Grupo, o qual era de compleição robusta. Este deu-se a conhecer quando afirmou:

“Sou eu, Magalhães, o Dias da Cruz”.

A voz do José Grosso parece um trovão. A do Dr. Dias da Cruz é cheia e grossa. Duas figuras desiguais no corpo e na voz. 

Não me puderam fazer o tratamento necessário, devido ao meu grave estado, informando que a enfermidade podia transformar-se em pneumonia. O Dr. Joseph convocou a Dona Maria e os médiuns para estarem no mesmo local, no dia seguinte, domingo, às 14 horas.

Nesse dia, à hora certa, lá estava todo o pessoal. Como são disciplinados! Nessa reunião não houve materialização, mas sim incorporação. Duas mãos, uma de cada médium, ficaram em cima da minha testa por largo tempo. A dor de cabeça melhorou, mas não cedeu de todo, com fisgadas mais suaves. Não tendo a enfermidade cedido, o Dr. Joseph determinou que às 19 horas do mesmo dia deveria ser realizada nova reunião e, à hora marcada, lá estava todo o pessoal. Deus lhes pague em bênçãos de misericórdia os seus cuidados.

Processou-se a nova materialização; senti então um fato sui generis. Algo que não posso descrever com exatidão. O meu peito parecia ter sido retalhado em todas as direções. Não eram cortes retos, mas em ziguezague. A dor era intensa, mas dentro em pouco estava tudo terminado e as dores do peito desapareceram. Por fim levaram-me novamente para o hotel. Chegando ao quarto tirei a roupa do corpo.

Que estranho! Por fora, a pele que recobre o peito nada sofreu. Tenho a impressão nítida de que retalharam o tórax do meu perispírito. Pois sofri dores horríveis no momento em que meu peito estava sendo retalhado.

Então melhorei consideravelmente. Todavia a dor de cabeça persistia, mais branda. Na segunda-feira, o amigo Manoel Ribeiro foi visitar-me à noite, entabulando amistosa palestra. Pouco depois chegou José Vasconcelos, médium de raras qualidades, que trabalhava no Grupo. Nosso amigo Manoel pediu ao José para dar-me uns passes, no que foi logo atendido. Esses passes terminaram definitivamente com a malfadada dor de cabeça. O apetite, no entanto, continuava nulo.

Na quarta-feira prosseguia sem apetite. Para comer um pouco de mingau era preciso misturar uma pitada de café, para lhe dar gosto mais agradável, assim mesmo era engolido à força. Nesse mesmo dia fui visitar nosso amigo Manoel Ribeiro e falamos sobre o milagre do passe que me libertou da dor de cabeça. Foi quando o amigo me revelou que o Guia Espiritual tinha-lhe afirmado que os passes aplicados por aquele médium alcançavam o perispírito.

Embarquei para o Rio no mesmo dia, às 08h40min. Quando cheguei em Além Paraíba, às 13:30 horas, tinha fome pela primeira vez em sete dias. E graças a Deus me restabeleci.

Que povo bom, disciplinado e trabalhador são os Espíritas de Caratinga!

Dona Maria Coutinho Muniz foi de uma dedicação a toda prova – costumamos chamá-la “Anjo de Caratinga” . O mesmo podemos dizer do médium Antônio e de todos os membros daquele abençoado Grupo de Amor e Luz.

Deus os abençoe em todos os dias da vida, são nossos sinceros votos.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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