Brincadeira de mau gosto

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                           Reprodução Web


 


José Alves da Motta era um grande amigo de nossa Instituição. Em uma das Campanhas Financeiras anuais, deu-nos uma carta de apresentação para ser entregue ao seu amigo José Cepas, um dos sócios de importante firma comercial.

Conjuntamente enviou-lhe por nosso intermédio um recado em código que somente os dois entendiam.

Chegando ao escritório da Casa em apreço, entregamos a citada carta, ao mesmo tempo em que lhe transmitíamos o recado secreto.

Notamos que o homem mudou a fisionomia, contudo, continuou o trabalho que estava realizando. Daí a momentos entrou um dos empregados da Casa e postou-se a espera de o patrão atendê-lo. Por nossa vez, continuamos esperando. De repente o homem parou o seu trabalho, voltou-se para nós e, carrancudo, bradou:

“O que é que está esperando?”

Recebemos aquela chicotada como se estivesse ordenado: “Saía do meu escritório!” Nós, muito humildemente, deixamos o homem e saímos.

Mas por dentro, ficou-nos indelével chaga. Viemos a saber, noutra oportunidade, que os dois eram fanáticos por futebol, sendo um fluminense e o outro vascaíno. Acontece que o Vasco tinha perdido para o Fluminense. E como o senhor José Cepas era apaixonado pelo Vasco, o senhor Alves da Motta gozou a vitória, tomando-me por “bode expiatório”.

Cassino Copacabana Pálace

Havia três anos um companheiro que muito prezávamos, nos oferecia cartas de recomendação para um seu velho amigo, Conde português, chefe principal do Cassino Copacabana Pálace. Nosso fichário das Campanhas Financeiras possuía mais de duas mil fichas. Entre elas encontrava-se a do Cassino. Mas algo impedia as cooperadoras de trabalhar com aquela ficha. Era o jogo. E as cartas ficavam engavetadas.

Deveriam ser 15 horas quando, terrivelmente acabrunhado, abandonei o escritório do Sr. Cepas, na ocorrência atrás historiada. Caí numa prostração que me tirou a coragem de trabalhar o restante do dia.

Chegando a noite, no entanto, houve repentina reação no nosso “eu”. Lembrei-me, então, da ficha do cassino. Depois do jantar, deixei a minha residência disposto a visitar aquele possível cooperador.

Deveriam ser 19:30 horas quando cheguei ao “antro de perdição” – como geralmente consideramos as casas de jogo. Logo fui informado de que o Sr. Conde iria presidir lauto banquete e, portanto, somente deveria descer lá pela meia-noite.

Já eram 24:20 horas quando vieram avisar-me de que o Sr. Conde achava-se no seu escritório. Para lá me dirigi e encontrei-o sentado em uma cadeira. Levantou-se cumprimentou-me muito gentilmente e perguntou-me qual o motivo de minha presença.

Em resposta entreguei-lhe o meu cartão de visitas e, concomitantemente, a carta de recomendação do nosso comum amigo.

Seguiu-se amistosa conversação. Pediu-me dados sobre a obra do Hospital, cuja construção estava sendo executada. Por fim, abriu o cofre, de onde ti irou algo. Voltando novamente a falar comigo, muito calmo, disse:

“Por obséquio, faça-me um recibo no valor de Cr$ 5.000,00.”

Respondi-lhe dizendo que no momento não tinha papel timbrado para o recibo e que compareceria no dia seguinte para receber.

“Não há necessidade de vir amanhã. Faça um vale dizendo que recebeu a importância e amanhã envie-me o recibo.”

E assim foi feito. Na época – possivelmente em 1945 – era uma importância muito grande.

Deixei de receber Cr$ 500,00 (era quanto nos vinham oferecendo nas Campanhas anteriores) do recomendado do Sr. José Alves da Motta para, nove horas depois, receber Cr$ 5.000,00.

Saí do Cassino, onde entrei pela primeira vez, com o coração alegre e cheio de esperanças para o futuro.

 

Louvado seja o Senhor.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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