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Anna Prado
25 de março de 2014 Creche “Isabel a Redentora”, Teresópolis, RJ

Capítulo XXI


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                       Reprodução Web

Entre 1918 e 1921 aconteceram os extraordinários fenômenos de Belém do Pará, sob as expensas da faculdade mediúnica de Anna Prado e controlados pelo Dr. Nogueira de Faria, Elton Bósio e Eurípides Prado, marido da médium.

Em princípio tais fenômenos aparecem como simples comunicações tipológicas, revestindo-se, depois, nas mais variadas formas. Seguem-se, então as moldagens em parafina, efeitos físicos diversos, incluindo notáveis “apports” e, finalmente, materializações de Espíritos. As formações se realizavam de maneira a não deixarem dúvidas, iniciando-se por núcleos brancos, ou nuvens, ou fosforescência, que se alongavam até tomar a forma humana. Punha-se a médium em uma gaiola de ferro, sob rigoroso controle dos dirigentes encarnados das sessões.

“As materializações foram várias.”

A seguir, vamos transcrever as materializações:

“Sessão realizada em 1º de maio de 1921.

O Espírito João se tornou nitidamente visível. Caminhou com os braços estendidos para o Sr. Eurípides Prado e lhe ministrou passes. Ajoelhou-se, ergueu as mãos ao céu e levantando-se, foi à câmara ver a médium. Em seguida se dirigiu a D. Esther Figner, mãe de Raquel e se pôs de pé a sua frente. Dª. Esther falou ao Espírito de toda a sua dor e saudade da filha querida. João a ouviu atentamente. Depois, estendeu os braços num gesto de abençoar e os elevou para o céu. Ela, então, ofereceu um ramalhete de rosas ao Espírito … ”

1ª Materialização de Raquel

“Sessão realizada em 2 de maio de 1921.

… Surgiu, junto à cortina, uma jovem, com todas as aparências e gestos de Raquel a tal ponto que Dª. Esther, sua mãe, exclamou: “É Raquel!” Os gestos eram todos absolutamente os da filha dos Figner, e mesmo o corpo, a forma, “o vestidinho acima do tornozelo, de mangas curtas e um pouco decotado”. Apresentou-se, assim, diante dos assistentes na reunião de Anna Prado, e, muito especialmente, face a face com os seus pais!

Depois, o Espírito da jovem entrou na câmara (gabinete mediúnico) e de novo saiu, trazendo sobre a cabeça um capuz branco, que lhe cobria os cabelos e os ombros. Caminhou em direção à Sr. Figner, dizendo, com uma voz fraquinha e como que chorosa: “Mamãe, mamãe! … ”

Eis como a Srª. Figner descreve o emocionadíssimo reencontro:

“Veio até bem perto de mim e aí parou. Não tinha as formas tão perfeitas. Reconheci-lhe, porém, a fronte, as sobrancelhas, verifiquei, em suma, que era minha filha.”

É provável que, por ser a primeira vez, e em face da extrema curiosidade dos assistentes, não houvesse podido materializar-se bem. Tanto assim que, voltando à câmara, fez a médium dizer: “Afastem-se os que estão atrás de mamãe, pois que há aí uma corrente contrária, que me impede de aproximar.” Imediatamente, todos se afastaram e ela pôde com facilidade a ir até muito perto da Sr. Figner e falar. “Ouvi e vi perfeitamente declarou mais tarde – que a voz partia da boca da minha filha, pois me achava de joelhos diante dela, a contemplá-la e a ouvi-la.”

Disse, em voz baixa, à mãe, mas todos a ouviram:

“Para que essa roupa preta?

Sou muito feliz.” E moveu os braços para cima numa expressão de contentamento. Todos experimentaram forte e incontida emoção, e as lágrimas rolaram pela face do casal Figner …

Depois de proferir aquelas palavras, pegou a mão da Srª. Figner e beijou-a, coisa que não fizera quando encarnada, porque – pais não gostavam que os filhos lhes beijassem as mãos. “Entretanto – afirmou a Srª. Figner – isso foi uma prova. É que durante toda a sua enfermidade, ela, o meu anjo adorado, beijava-me a mão e me cobria de carícias. Vivíamos acariciando-nos as duas, como se estivéssemos a despedir-nos para uma grande viagem”. E, prosseguindo eu depoimento, observou:

 ”Também o referir-se ela à roupa preta foi uma misericórdia e uma prova, pois sempre eu dizia que só tiraria o luto se minha filha viesse em pessoa falar-me a esse respeito. E, como tenho certeza que foi ela quem me falou, fiz-lhe a vontade; desde aquele instante tirei o vestido preto e nunca mais em minha vida, morra quem morrer, o usarei! Sei que hoje, com toda a segurança, que isso desagrada aos nossos entes queridos que partem para o Além.”

Leontina lhe entregou uma Ela acariciou a mão da irmã e retirou para a câmara escura, onde fez que a médium dissesse: “Vou levar a rosa que me deste para o espaço” …

2ª Materialização

“Sessão realizada em 4 de maio de 1921.

… De repente, Leontina soltou um grito e disse que alguém lhe havia tocado na perna. Quase ao  mesmo tempo, a Sr. Figner sentiu e disse alto que alguém colocava a mão sobre o seu ombro esquerdo. Julgaram que fosse o Espírito João. Logo, entretanto, a médium falou: – “João está afirmando que não foi ele e sim a irmã de Leontina que a tocou, assim como a em Dª. Esther”. Sabendo, então, que a filha estava presente, a Srª. Figner dirigiu-se a ela. Imediatamente, Raquel se fez sentir atrás dela, tocou-lhe o rosto e passou a mão sobre sua cabeça, acariciando-a.

“- Vem, minha filha, beija-me; abraça-me; vem junto de mim, bem sabes que não tenho receio. Vem minha adorada Raquel, vem bem junto de tua mãezinha”.

À medida que a Srª. Figner falava, mais Raquel se fazia sentir. Beijou-a muito, fortemente, dando-lhe beijos estalados que a assistência ouvia. Apertava o rosto da mãe contra seus lábios, tal como se estivesse encarnada.

A Srª. Figner beijou-lhe as mãos, tocou-lhe as unhas, verificando que estavam como as usava, pontudas e polidas, e perguntou:

“Minha filhinha, és feliz?” Ela a envolveu de tal forma, com seus braços, que a Sr. Figner não mais sentiu o espaldar da cadeira em que estava sentada. “Sentia – disse ela – unicamente o contato muito vivo de seu corpinho, seu calor, sua respiração, seu hálito. Era perfeitamente minha filha a me dizer no ouvido: sim!. .. ”

Sempre a conversar com a filha disse-lhe: “Minha filhinha, vai beijar e acariciar teu paizinho” . No mesmo instante ela se fez sentir atrás do pai e se pôs a beijá-lo e acariciá-lo da mesma forma que fizera com a mãe. Por fim deu-lhe um beijo estalado no ouvido.

“Ante tanto poder – exclamou a Srª. Figner – a criatura de carne desaparece” …

Terminada mais uma intrigante sessão de moldagem em parafina fervente, sob a orientação do Espírito João, o grupo se preparou para o processo de materialização. Começaram a condensar-se os fluidos e daí a pouco aparecia um vulto no qual, à medida que se formava, ia-se reconhecendo Raquel. E de fato era. Raquel apareceu em toda a perfeição de suas formas, tal qual fora, absolutamente reconhecível. Ali estava viva e palpitante!

Quando diante da assistência atenta e da família, Raquel virava-se de um lado para o outro, a fim de que bem a reconhecessem e nenhuma dúvida ficasse nos seus espíritos, Fred Figner e Leontina choravam convulsivamente. Ela. então, parando diante dos seus familiares disse, com voz firme. Que notoriamente partia de sua boca”: “Não chorem!” …

Como trouxesse os cabelo. presos, a Srª. Figner solicitou-lhe: “Minha filha, ainda não vi os teus cabelos. Mostra-nos a tua linda cabeleira”. Raquel foi à câmara e logo voltou, trazendo os cabelo: a lhe caírem soltos sobre os ombros, quais eram quando encarnada. Punha-se de frente e de costas, a fim de que bem a pudessem apreciar.

Depois, foi à câmara escura e de lá veio trazendo um pano branco, com o qual se pôs a acenar em sinal de adeus. A emoção dominou a todos, que exclamavam: “Adeus, Raquelzinha! Deus a abençoe!”

3ª Materialização

“Sessão realizada em 6 de maio de 1921.

Apagaram-se as luzes e instantes depois observou-se que a materialização começava. Era Raquel que retomava do mundo dos Espíritos, evidenciando a sobrevivência do ser. Depois de mostrar-se bem a todos, Raquel foi aos baldes de parafina fervente e água fria, e iniciou o trabalho de moldagem. Metia a mão na parafina fervente, depois na água fria, examinava o molde e de quando em quando ia à câmara  consultar o Espírito João que se conservava dentro desta e que, ao que se supunha, lhe dava instruções. Durou tanto tempo esse trabalho que a parafina esfriou. João pela médium, deu ordem para que aquecessem a parafina. Como demorassem apanhar as vasilhas, disse ele para a médium: “Deixem, vou materializar-me para entregar as vasilhas.” Em seguida, saiu da câmara, tomou a vasilha de água e a colocou diante dos assistentes. Pegou depois o balde de parafina,  bastante pesado, e, suspendendo-o com o braço estendido e firme, o foi colocar junto a vasilha de água. Provou, assim,  a sua completa materialização exibindo a força de sua musculatura perfeitamente materializada . Em seguida entrou na câmara e  logo surgiu Raquel, que ainda por muito tempo continuo o trabalho que começara.

Ouviu-se o mergulhar de sua mão na parafina e na água fria (se fosse um ser humano, teria a sua mãe inteiramente consumida pelo alto grau de ebulição da parafina). De espaço a espaço, pegava uma ponta do vestido e passava no molde, como que para secar ou alisar. Por mais de uma vez, no curso do trabalho, João, pela médium, pedia que os assistente: tivessem paciência, porque aqueles trabalhos são demorados Depois de muito trabalhar, Raquel deixou o molde da mão dentro de balde de água fria e entrou na câmara.

Disse, então, João, pela médium, que o Espírito iria fazer umas flores de parafina na presença de todos, para que Raquel a entregasse juntamente com o molde. Efetivamente, algum tempo depois apareceu Raquel e tirou com muito cuidado o molde e a flor de dentro d’água. Trouxe o primeiro e o depositou nas mãos da Srª. Figner, entregando a flor ao pai. Ambos, emocionadíssimos, agradeceram e lhe beijaram as mãos … ”

A Despedida de Raquel

 “Tendo tirado o lenço que trazia no decote do vestido e depois de se ter mostrado muito claramente, sob o máximo de luz que os aparelhos preparados podiam dar, ela se retirou para a câmara e, saindo de novo, ia, com aquele lenço, começar os acenos da despedida, quando a Srª. Figner pediu: “Minha filha, espera um pouco. Temos aqui umas flores que trouxemos para te dar.” (As flores não tinham sido entregues antes, por haver João dito que só o fizessem após os trabalhos de parafina.)

Raquel voltou-se para o interior da câmara, como que a pedir instruções ou a transmitir o pedido. Logo, porém, voltou, recebeu as flores, distribuiu-as com os seus familiares e com os demais assistentes. Como costumava fazer quando encarnada, nos dias de aniversário da mãe e do pai, desfolhou algumas rosas e aspergiu-as sobre as cabeças de seus entes queridos, dando uma impressão viva e inequívoca de sua personalidade terrena. Foi uma cena emocionante. Todos choraram” Depois, erguendo as mãos para o alto, disse, de sua própria boca:

“Graças a Deus. Sinto-me contente por ter vencido a dor de mamãe”! Tomou, de novo, o lenço e acenou com ele durante muito tempo, a despedir-se …

Comovidíssimos, os pais diziam:

“Adeus, adeus, filha adorada Deus te abençoe!”

Todos que assistiram aos fenômenos, inclusive o Sr. Eurípides Prado, esposo da médium ficaram maravilhados, afirmando nunca terem visto tamanha perfeição.

Após a despedida de Raquel  materializou-se João, e, puxando um dos bancos em que estiveram os baldes de água e de parafina pôs-se a escrever. Quando começou a escrever, debruçado sobre o banquinho, a ponta do lápis quebrou. Então, ele se levantou e pediu um outro lápis. Fred Figner passou-lhe um outro, como o faria a uma criatura da Terra. João o tomou e visando o papel do outro lado escreveu à vista de todos o  seguinte:

– “Saudades, vou assistir  à  fotografia no Girard.”

A afirmativa de João significava que ele iria ver o andamento da revelação das chapas que foram tomadas, no atelier do Girard, durante as sessões, por Ettore Bósio.

Depois, acenando com o lenço em sinal de despedida, entrou  no gabinete e se desmaterializou  como o fizera das outras vezes.

Os fenômenos que ocorreram em Belém, Pará, através da fantástica faculdade mediúnica de Anna Prado, ombreiam-se aos mais notáveis já obtidos em várias partes do mundo. Ana Prado, sem nenhum favor, integra a galeria dos grandes médiuns que contribuíram, com sofrimento e profundos desgostos, para o engrandecimento e consolidação da causa do Espírito, Senhor do Tempo e dos Elos Perdidos … ”

Comentamos:

Ao feliz casal, Anna Prado seu marido; a Dª. Esther e seu esposo, Sr. Fred, e à filha querida, Raquel, nossas saudações e votos de perenes felicidades.

 


 


Pedimos vênia à Diretoria da FEB para transcrever alguns lances do primoroso livro do escritor, Carlos Bernardo Loureiro “As Mulheres Médiuns”, tendo em vista sua importância literária, que nos mostra o sacrifício de algumas médiuns, de valor incontestável, na época em que o Espiritismo começava a lançar raízes no mundo em que vivemos.

Fonte: Em Prol da Mediunidade

Pequena História do Espiritismo de Henrique Magalhães



 

 

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