A menina abandonada num caixote

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                          Reprodução Web


 


Alguém, na favela do Jacarezinho, RJ., abandonou uma criança do sexo feminino próximo à saída para a rua. Uma pessoa anônima comunicou o fato a uma patrulha da polícia e esta levou a criança, ainda com o cordão umbilical, para a delegacia. O Delegado, atrapalhado com o caso, lembrou-se de telefonar para a “Casa da Mãe Pobre”, solicitando-lhe o auxílio. Daí a momentos recebeu a resposta: – “Enviem a criança para a Instituição. Ficará sob a nossa responsabilidade.’

A menina era loura e sua pele enrugada dava-lhe a aparência de uma velhinha.

Dois meses se passaram quando foi visitá-la uma das cooperadoras da Instituição. Desejava adotá-la, mas, ao vê-la, achou-a tão feinha que desistiu do seu intento.

Quando nos informaram do caso, limitamo-nos a responder: “Deixem-na na Maternidade mais uns meses e verão como ela fica bonita.” Baseava este raciocínio nos grandes olhos e nas feições finas da criança. Enquanto magrinha tinha um aspecto feio – olhos grandes num rosto miúdo. Passados, porém, cinco meses, tornou-se uma criança lindíssima!

Já estava com mais de oito meses, quando conseguimos uma “ponta” no programa do Flávio Cavalcante. Para lá nos dirigimos com o Diretor Humberto Corrêa de Sá. Naquela oportunidade, cremos que em 1960, a nossa Entidade estava sufocada pelas dívidas. Dias antes tínhamos enviado ao Diretor do programa uma lista com todos os débitos da Instituição, na esperança de recebermos algum auxílio. Não sabíamos se nossa intenção seria compreendida.

O fato é que, quando o Flávio nos apresentou ao público, virou-se para o nosso lado, dedo em riste, e falou alto e bom som: – “Eis aqui o homem que mais deve em todo o Brasil!”

Esperávamos que ele explicasse que a “Casa da Mãe Pobre” estava tremendamente endividada e nos perguntasse os motivos, procurando interessar o público em favor dessa Casa de Deus. Flávio Cavalcante, no entanto, limitou-se a apresentar o “devedor”, sem outras explicações. O resultado foi que, posteriormente, éramos apontados por estranhos como o homem que mais devia no Brasil. Até em Teresópolis, o dono de uma padaria reconheceu-nos e apresentou-nos aos fregueses como: o grande devedor! O que salvou o nosso intento foi a criança ser apresentada ao público, no colo de uma enfermeira.

Os pedidos para adotá-la choveram de todos os lados.

Certo dia chegou à Maternidade, num belo automóvel, um homem desejando levar a garotinha. Um comerciante da Rua da Quitanda também desejava a menina. Foi um Deus nos acuda de todos os lados.

Finalmente entregamos o precioso fardo a um casal que nos mereceu toda a confiança, encerrando-se, assim, nossa grande responsabilidade.

Deus a proteja e aos seus Benfeitores, é o que almejamos.


 


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CMP

 

Fonte: Livro Casa da Mãe Pobre 50 anos de amor de Henrique Magalhães

 



 

 

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