DA INTOLERÂNCIA

O Ferreiro Intransigente

Comentávamos o problema da compaixão, quando se abeirou de nós antigo orientador e narrou, bem-humorado:

- Conheci um caso interessante na Idade Média. Em pequenina aldeia do Velho Mundo, que os séculos já transformaram, jovem ferreiro apaixonou-se pelo rigor da justiça. Integrando certa facção política, considerava todas as pessoas que lhe não esposassem os pontos de vista por inimigos a combater. Atrabiliário e sectarista, imaginava os mais difíceis processos de perseguição aos adversários. A tolerância representava para ele grave delito. Se alguém não rezasse por sua cartilha, ficava assinalado a ponto escuro. Disposto a contendas, embora a posição humilde que desfrutava sabia complicar a situação dos desafetos, urdindo intrigas e ciladas contra eles. Assim é que, certa feita, procurou o juiz que regia a comuna com benevolência e equidade e propôs-lhe a reconstrução do cárcere. A enxovia desmoronava-se. Qualquer malfeitor provocava facilmente a evasão. As grades frágeis cediam ao assalto de qualquer um. Impossível o trabalho da detenção. Era necessário sustar o insulto à polícia. Oferecia-se, desse modo, para sanar o problema. Daria novo aspecto ao cubículo. Prisão que fosse prisão.

O magistrado, velho experiente e bondoso, observou:

- Meu filho, a justiça deve ser exercida com amor para que se não converta em crueldade, porque lá vem um dia em que precisamos ser justiçados por nossa vez.

O moço, porém, insistiu. A cadeia menosprezada não merecia respeito.

Tanto reclamou que atingiu o objetivo a que se propunha.

Recebendo a concessão para reformar o cárcere, esmerou-se quanto pôde. Deu nova feição às grades. Criou um sistema de cadeados, pelo qual era impossível a escapatória. E no centro do acanhado recinto levantou pesada coluna de ferro, com algemas laboriosamente trabalhadas, impedindo a movimentação de quem fosse jungido a semelhante pelourinho.

A idéia foi bem sucedida. O serviço revelou-se tão eficiente que o jovem artífice foi procurado por autoridades de outros recantos e larga prosperidade abriu-lhe as portas. A novidade ofereceu-lhe fama e fortuna.

Durante vinte anos, coadjuvado por operários diversos, o nosso ambicioso amigo fabricou prisões para numerosas cidades do seu tempo. Senhor de vasto patrimônio material, transferiu residência do vilarejo provinciano para grande metrópole e, certa noite, supondo defender-se, cometeu leve falta que inimigos gratuitos se incumbiram de solenizar.

O antigo ferreiro foi preso, de imediato. Internado, mentalizou a ajuda de companheiros que o auxiliassem na fuga, mas, assombrado, reconheceu, pela marca dos ferros, que fora trancafiado num cárcere de sua própria fabricação, sofrendo rigorosa pena que, começando por acabrunhá-lo, acabou por infligir-lhe a morte.

Terminada a história rápida, fixou-nos de maneira expressiva e rematou:

- Somente a compaixão pode salvar-nos, soerguendo-nos do abismo de nossas próprias faltas. Qualquer punição extremada que receitarmos para os outros será como a prisão do ferreiro intransigente. Os laços que armarmos contra o próximo serão inevitável flagelo para nós mesmos.

Logo após, sem dar-nos tempo para qualquer indagação, sorriu com serenidade e seguiu adiante.


Distribuição Interna - Ano XI - Nº 05 - Janeiro de 2014

Lições do Momento


Deus é amor invariável e o amor desafivela os grilhões do espírito.

Se há repouso na consciência, a evolução da alma ergue-se, desenvolta, dos alicerces insubstituíveis do sacrifício.

Quem não se bate pelo bem, desce imperceptivelmente para fileiras do mal.

Junto à correção sempre existe o desacerto, exaltando o mérito do dever na conduta digna.

Identifique, na dificuldade, o favor da Providência Divina para dilatar-lhe a paz, sentindo, no imprevisto da experiência mais grave, o fulcro de incitamento à perseverança na boa intenção e vendo, na tibiez de quantos imergiram na invigilância, o exemplo indelével daquilo que não deve ser feito.

Quanto maior a sombra em torno, mais valiosa a fonte da luz.

Desse modo, a alegria pura viceja entre a dor e o obstáculo; a resignação santificante nasce em meio às provas difíceis; a renúncia intrépida irrompe no seio da injustiça das emulações acirradas, e a pureza construtiva surge, não raro, em ambiente de viciação mais ampla.

Eis porque, em seu círculo pessoal, se entrecruzam mensagens importantes e diversas a lhe doarem o estímulo e a consolação, o entendimento e a claridade de que você carece para ajustar-se espiritualmente, através da lides variadas de cada instante.

O chefe irritadiço é instrumento providencial da corrigenda.

O companheiro problemático deixa-nos livre caminho â sementeira da fraternidade sem mescla.

O engano é precioso contraste a ressaltar as linhas configurativas da atitude melhor.

A tortuosidade do caminho demonstra a excelência da estrada reta.

Faça, pois, do momento que transcorre, a lição recolhida para o momento a transcorrer, verificando quantas vezes, em vinte e quatro horas, você é requisitado a auxiliar os semelhantes, e não regateie cooperação.

Na oficina de trabalho, buscam-lhe a gentileza no amparo de muitos corações que se sentem ao desabrigo.

Na via pública, esbarram-lhe o passo, companheiros que vão e vêm buscando encontrar o sorriso que você pode ofertar-lhes como incentivo à esperança.

No recesso do lar, o alvorecer encontra-lhe a presença, em novas possibilidades de exaltar a confiança nos Desígnios da Altura.

Na conversação comum, requisições ostensivas auscultam-lhe a disposição de estender conhecimento e virtude, na enfermagem das chagas morais entrevistas na modulação das vozes e nos traços dos semblantes, afora variegados ensejos de assistir o próximo, a lhe desafiarem a eficiência e a vigilância, tais como a necessidade interior estampada no silêncio do visitante, o azedume do colega menos feliz, o doente a buscar-lhe os préstimos, o sofredor a rogar-lhe compreensão, a abordagem da criancinha desvalida, a surpresa menos agradável, a correspondência a exigir-lhe a atenção ou o noticiário intranqüilo que a imprensa propala.

Pureza inoperante é utopia igual a qualquer outra, e, em razão disso, ignorar a poça infecta é manter-lhe a inconveniência.

Não menospreze, assim, a lição do momento, na certeza de que renovamos idéias, experiências e destinos, cada dia, segundo as particularidades das manifestações de nosso livre arbítrio.

Livro: Idéias e Ilustrações - Espírito: Neio Lúcio - Médium: Francisco Cândido Xavier

Projeto Sopa de Jesus

Colabore na montagem das cestas básicas, distribuídas mensalmente as famílias assistidas pela Instituição, doando sempre que puder, alguns dos alimentos abaixo:

Açúcar, amido de milho, arroz, café, farinha de mandioca, farinha de trigo, feijão, fubá, leite em pó, macarrão, óleo de soja, papel higiênico e sal.

OBS.: Favor entregar as doações de alimentos de 2ª a 6ª feira no horário de 8h às 16h no escritório a Srª Ângela e aos sábados de 9h às 12h a Equipe Coordenadora da Distribuição.

Livro: O Espírito da Verdade - Espírito: André Luiz

Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Expediente: Editado pelo Grupo Espírita João de Freitas - Rua Frei Pinto, 81 - Rocha - Rio de Janeiro - RJ.


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Liberdade



Alimento Espiritual



Estudando o Livro dos Espíritos



Desvinculações

"Não useis, porém, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade." Paulo. (Gaálatas, 5:13.)

O professor lutava na escola com um grande problema.

Os alunos começaram a ler muitas histórias de homens maus, de roubos e de crimes e passaram a viver em plena insubordinação.

Queriam imitar aventureiros e malfeitores e, em razão disso, na escola e em casa apresentavam péssimo comportamento.

Alguns pronunciavam palavrões, julgando-se bem-educados, e outros se entregavam a brinquedos de mau gosto, acreditando que assim mostravam superioridade e inteligência.

Esqueciam-se dos bons livros.

Zombavam dos bons conselhos.

O professor, em vista disso, certo dia reuniu todas as classes para a merenda costumeira, apresentando uma surpresa esquisita.

Os pratos estavam cheios de coisas impróprias, tais como pães envolvidos em lama, doces com batatas podres, pedaços de maçãs com tomates deteriorados e geléias misturadas com fel e pimenta.

Os meninos, revoltados, gritavam contra o que viam, mas o velho educador pediu silêncio e, tomando a palavra, disse-lhes:

- Meus filhos, se não podemos dispensar o alimento puro a benefício do corpo, precisamos também de alimento sadio para a nossa alma. O pão garante a nossa energia física, mas a leitura é a fonte de nossa vida espiritual. Os maus livros, as reportagens infelizes, as difamações e as aventuras criminosas representam substâncias apodrecidas que nós absorvemos, envenenando a vida mental e prejudicando-nos a conduta. Se gostamos das refeições saborosas que auxiliam a conservação de nossa saúde, procuremos também as páginas que cooperam na defesa de nossa harmonia interior, a fim de nunca fugirmos ao correto procedimento.

Com essa preleção, a hora da merenda foi encerrada.

Os alunos retiraram-se cabisbaixos.

E, pouco a pouco, a vida dos meninos foi sendo retificada, modificando-se para melhor.

Livro: Vida e Sexo - Espírito: Emmanuel - Médium: Chico Xavier

"Pergunta A algumas pessoas a doutrina da reencarnação se afigura destruidora dos laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual.

Resposta Ela os distende; não os destrói. Fundando-se o parentesco em afeições anteriores, menos precários são os laços existentes entre os membros de uma mesma família. Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade, porquanto, no vosso vizinho ou no vosso servo, pode achar-se um Espírito a quem tenhais estado presos pelos laços da consangüinidade." (Questão 205, de LE).

A desvinculação entre os que se amam com a necessidade de sanar os enganos e erros do amor assume habitualmente o aspecto de dolorosa cirurgia psíquica.

Por semelhante razão, a Divina Sabedoria concede às criaturas tempo e condições renovadas na preparação gradual do acontecimento.

Essa desvinculação, via de regra, se verifica numa constante digna de nota a posição de pais e filhos, incluindo-se nela os pais e filhos adotivos -, de vez que, no enternecimento do lar, todos os jogos da ternura são colocados na mesa do cotidiano, revestidos de encantamento construtivo. No fundo, porém, da personalidade paterna ou do maternal coração, descansam os remanescentes de grandes afeições, às vezes desequilibradas e menos felizes, trazidos de outras estâncias, nos domínios da reencarnação. A libido ou o instinto sexual na forma de energia psíquica, tendente à conservação da vida, permanece, em muitos casos, na carícia dos pais, vestida em veludíneo manto de carinho e beleza, mas o amor é ainda, no adito do espírito, qual fogo de vida que se nutre do próprio lenho. Por sua vez, nos entes queridos que retornam à estação da esperança doméstica, essa mesma afetividade reponta, insopitável e genuína, conquanto metamorfoseada nos brincos da infância. Os pequeninos, porém, recém-vindos da amnésia natural que a reencarnação lhes impôs, não conseguem esconder as próprias disposições no campo das preferências. E surgem neles, de inopino, quase sempre, as inclinações descontroladas, nos caprichos com que se mostram, exigindo especial atenção de pai ou mãe, a revelarem, de modo claro, para que rumo se lhes dirigem os laços mais fortes. Geralmente, com muitas exceções, aliás, as filhas se voltam para os pais, e os filhos para as mães,

patenteando a natureza das ligações havidas em existências passadas e prenunciando a obra de desvinculação que se executará, inevitável, no futuro próximo.

Óbvio que nem todos os filhos aparecem no lar categorizados à conta da desvinculação afetiva, porquanto milhões de Espíritos no corpo da Humanidade tomam a estrutura física, no desempenho de encargos simples ou complexos, valendo-se da colaboração dos pais, à maneira de amigos que se entreajudam, nas faixas da confiança da afinidade recíprocas.

Referimo-nos, porém, ao lar como pouso de desligamento, porque, na Terra, as relações entre pais e filhos e, conseqüentemente, as relações de ordem familiar constituem clima ideal para a libertação de quantos se jungiram entre si, de modo inconveniente, nos desregramentos emotivos em nome do amor. É assim que a sabedoria da Natureza faculta o reencontro, sob as teias da parentela, de quantos se desvairaram, em outro tempo, nos desmandos de ordem sexual, reencontro esse que persiste em condições mais íntimas e mais profundas, até que os companheiros do pretérito, reencarnados na posição de filhos, atinjam a juventude, na existência nova, elegendo novos parceiros para a sua vida afetiva, ante a presença ou a supervisão dos pais ou de familiares outros, nem sempre satisfeitos ou tranqüilos com as escolhas que são obrigados a assistir ou provar pela força das circunstâncias.

Pais que sofrem na entrega das jovens, que o lar lhes confiou, aos companheiros que as requisitam para os misteres do casamento, quase sempre estão renunciando à companhia de antigas afeições que eles mesmos, no passado, mal conduziam, ao passo que as mães experimentam análogo fenômeno de dilaceração psíquica, em se separando de filhos que lhes recordam, embora inconscientemente, as ligações empolgantes ou menos felizes de tempos que já se foram.

E, através das lutas e adeuses em família, com a criação de núcleos diferentes na parentela pela transferência habitual dos filhos, seja a noras e genros, ou a tarefas e experiências diversas deles, os pais, sempre que respeitem as necessidades e resoluções dos seus rebentos, alcançam a vitória sobre si mesmos, no rumo da própria emancipação na imortalidade.

Em todos os tempos, a liberdade foi utilizada pelos dominadores da Terra. Em variados setores da evolução humana, os mordomos do mundo aproveitam-na para o exercício da tirania, usam-na os servos em explosões de revolta e descontentamento.

Quase todos os habitantes do Planeta pretendem a exoneração de toda e qualquer responsabilidade, para se mergulharem na escravidão aos delitos de toda sorte.

Ninguém, contudo, deveria recorrer ao Evangelho para aviltar o sublime princípio.

A palavra do apóstolo aos gentios é bastante expressiva. O maior valor da independência relativa de que desfrutamos reside na possibilidade de nos servirmos uns aos outros, glorificando o bem.

O homem gozará sempre da liberdade condicional e, dentro dela, pode alterar o curso da própria existência, pelo bom ou mau uso de semelhante faculdade nas relações comuns.

É forçoso reconhecer, porém, que são muito raros os que se decidem à aplicação dignificante dessa virtude superior.

Em quase todas as ocasiões, o perseguido, com oportunidade de desculpar, mentaliza represálias violentas; o caluniado, com ensejo de perdão divino, recorre à vingança; o incompreendido, no instante azado de revelar fraternidade e benevolência, reclama reparações.

Onde se acham aqueles que se valem do sofrimento, para intensificar o aprendizado com Jesus-Cristo? Onde os que se sentem suficientemente livres para converter espinhos em bênçãos? No entanto, o Pai concede relativa liberdade a todos os filhos, observando-lhes a conduta.

Raríssimas são as criaturas que sabem elevar o sentido da independência a expressões de vôo espiritual para o Infinito. A maioria dos homens cai, desastradamente, na primeira e nova concessão do Céu, transformando, às vezes, elos de veludo em algemas de bronze.

Livro: Vinha de Luz - Espírito: Emmanuel

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Pai Nosso -Espírito: Meimei

Médium: Francisco Cândido Xavier




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Obsessões e Possessões



A Harmonia



Extraído do livro A Gênese, Allan Kardec cap. XIV, itens 45 e 46

Livro: Canção da Natureza Espírito: Kahena Médium: João Nunes Maia

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.

Mas, ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que se faça que o arrependimento desponte nele, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.

O trabalho se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, para ele concorre com a vontade e a prece. Outro tanto não sucede quando, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda assistência. É o caso da fascinação, infinitamente mais rebelde sempre, do que a mais violenta subjugação. (Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXIII.)

Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o obsessor.

Oração é a sublime canção da vida, que se irradia em todo o Universo de Deus. Deus é harmonia. Tudo canta em consonância com a vida. Os grandes pensadores procuram o caminho da ordem e acertam no progresso.

Observemos como os princípios da harmonia divina se expressam em uma árvore: tudo nela fala de paz, senão de amor. Meditemos no trabalho das águas e raciocinemos sobre uma corrente desse líquido maravilhoso: as cachoeiras e a própria chuva, os mares, e mesmo uma gota de água caindo como orvalho... Acompanhemos a simetria de um organismo, seja ele de um ser humano, de um animal, de um pássaro... Se você é estudioso, não deixe de meditar na ameba e no vírus buscando o que eles são, e a sua missão diante da vida.

Se bem entendemos, a Terra é um organismo imenso, que guarda a vida em muitas faixas, para esplender em muitas dimensões. Quando oramos, conscientes da eficácia da prece, criamos mais harmonia em torno de nós, predispondo-nos pela fé, esparzindo por todo o nosso corpo, senão corpos, a tranqüilidade espiritual, de sorte que a oração cura e aumenta a nossa esperança em dias melhores.

Compadeça-se de você mesmo, aprendendo a orar. Muitos livros nos trazem regras variadas; procure a mais simples, como Jesus nos ensinou, como o Pai Nosso, que encontrará um bálsamo de vida e roteiro para os caminhos, mesmo que estes pareçam tortuosos.

Observe se a sua vida está em harmonia com a ordem natural do universo. Analise seus pensamentos e a sua fala, seus gestos e a sua vida. Se as suas idéias forem de má qualidade, não se encontram em harmonia.

A razão é importante para discernir seus pensamentos: se estão fora dos ensinamentos de amor, procure modificá-los; se a sua vida desinquieta sua consciência, pára para pensar em mudanças, e mude. Veja o que ocorre com você durante o dia, como, por exemplo, no destrancar de uma porta; cuide para que o nervosismo não acompanhe o seu serviço; nada faça com violência, pois esta, a cada dia, irá aumentando e no fim, o desespero ocupará a sua mente, passando a distorcer os valores que já conquistou nos caminhos percorridos.

Se alguém o ofende e você lhe dá a resposta na mesma dimensão do verbo, é porque não existe harmonia na sua vida; pelo contrário, existe nela algo gerando a discórdia. Se, por vezes, em sua casa, o nervosismo o afeta por pequenas coisas, tome cuidado e volte a se dominar. Use o coração, que Deus não Se esquece de o ajudar.

À mesa, no momento do repasto, a sua mente não deve criar condições negativas; tudo deve estar em harmonia, pois o alimento pode servir de veículo para fluidos deletérios, capazes de enfraquecer seu organismo. Por isso, a comida deve ser feita e ingerida com amor. Nesses momentos, converse com amor, principalmente se tiver filhos, pois a palavra dos pais é fonte de segurança para a casa toda, desde que eles se encontrem em ordem, em harmonia com a ordem divina.

Ao falar, procure coordenar bem as suas palavras, verificando se elas são sementes de amor, de alegria e contentamento, de honestidade e de perdão, de trabalho e de bom caráter. Não deixe que o verbo saia dos seus lábios às pressas, sem os devidos cuidados, sem sintomas de vida.

Deus é o regulador universal; no entanto, Ele deixa que nós observemos o que nos foi entregue, favorecendo a vida, no engrandecimento do amor. Tudo o que observamos na natureza se encontra em plena harmonia com Deus. E é nessa observação que os homens entenderão essa lição.

A Doutrina dos Espíritos está encarregada de mostrar os caminhos para as almas se harmonizarem com as forças da natureza, conhecendo e respeitando as leis naturais da vida. Trabalhe para o seu aperfeiçoamento, que o resto Deus já fez em seu favor, pelas mãos de Jesus.

Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em conseqüência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão que é um dos efeitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.

Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas. Na mediunidade audiente e psicográfica, traduz-se pela obstinação de um Espírito em querer manifestar-se, com exclusão de qualquer outro.

Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; pra garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Necessário se torna este socorro, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio.

Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e cuja origem freqüentemente se encontra nas relações que o obsediado manteve com o obsessor, em precedente existência.


O Silêncio

O silêncio ajuda sempre:

Quando ouvimos palavras infelizes.

Quando alguém está irritado.

Quando a maledicência nos procura.

Quando a ofensa nos golpeia.

Quando alguém se encoleriza.

Quando a crítica nos fere.

Quando escutamos a calúnia.

Quando a ignorância nos acusa.

Quando o orgulho nos humilha.

Quando a vaidade nos provoca.

O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo.

O Perdão

E quando perguntares quem será esse alguém que nunca te desampara e que te garante a vida, em nome de Deus, deixa que os teus ouvidos se recolham aos recessos da própria alma e escutarás o coração a dizer-te na intimidade da consciência que esse alguém é Jesus.

O perdão, em qualquer tempo,

É sempre um traço de luz,

Conduzindo a nossa vida

À comunhão com Jesus.

Livro: Pai Nosso - Espírito: Meimei - Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Algo Mais - Espírito: Emmanuel - Médium: Francisco Cândido Xavier


(Livro: Pai Nosso - Espírito: Meimei- Médium: Francisco Cândido Xavier)

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Síndrome do Pânico





Aprendendo com o Evangelho

Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec _ FEB

Livro: Rejubila-te em Deus - Espírito: Joanna de Ângelis - Médium: Divaldo Franco

Entre os transtornos de comportamento que tomam conta da sociedade hodierna, com enormes prejuízos para a saúde do indivíduo e da comunidade, a síndrome do pânico apresenta-se, cada vez, mais generalizada.

Vários fatores endógenos e exógenos contribuem para esse distúrbio que afeta grande e crescente número de vítimas, especialmente a partir dos vinte anos de idade, embora possa ocorrer em qualquer período da existência humana.

A descarga de adrenalina, que avança pela corrente sanguínea até o cérebro no ser humano, produz-lhe o surto que pode ser de breve ou de larga duração.

Trata-se de um problema sério que merece tratamento especializado, tanto na área da Psicologia quanto da Psiquiatria, mediante os recursos psicoterapêuticos a serem aplicados, assim como os medicamentos específicos usados para a regularização da serotonina e de outros neurocomunicadores.

No momento em que ocorre, o sofrimento do paciente pode alcançar níveis quase insuportáveis de ansiedade, de desespero e de terror. Nada obstante, o fenômeno, invariavelmente, é de breve duração, com as exceções compreensíveis.

Podem acontecer poucas vezes, o que não constitui um problema de saúde, mas, normalmente, é recorrente, portanto, necessitado de tratamento.

Graças aos avanços da Ciência médica, nas áreas das doutrinas psicológicas, o mal pode ser debelado com assistência cuidadosa e tranqüila.

No entanto, casos existem que não cedem ante o tratamento específico, ao qual o paciente é submetido, dando lugar a preocupações mais sérias.

Sucede que, em todo problema na área da saúde ou do comportamento humano, o enfermo é sempre o Espírito que se encontra em processo de recuperação do seu passado delituoso, experienciando as conseqüências das ações infelizes que se permitiu praticar antes do berço atual.

Quando renasce com a culpa insculpida nos tecidos sutis do ser, temores e inquietações, aparentemente injustificáveis, surgem de inopino, e expressam-se como leves crises do pânico.

Em conseqüência, por haver gerado animosidade e ressentimento, as suas vítimas, que o não

desculparam pelas atitudes perversas que lhe padeceram, retornam pelo impositivo das afinidades psíquicas e morais, dando lugar ao estabelecimento de conúbios de vingança por intermédio das obsessões.

O número de pessoas em sofrimentos sob os acúleos das obsessões produzidas por desencarnados é muito maior do que parece.

É natural, portanto, que, nesses casos, a terapêutica aplicada mais eficaz não resulte nos propósitos desejados, tais sejam, a cura, o bem-estar do paciente...

Torna-se urgente o estudo mais cuidadoso da fenomenologia mediúnica, das interferências dos Espíritos nas existências humanas, a fim de serem melhor compreendidos os distúrbios psicopatológicos, a fim de expressar-se em existências saudáveis e comportamentos equilibrados.

Anteriormente confundido com a depressão, o distúrbio do pânico foi estudado mais detidamente e, após serem analisadas todas as síndromes, foi reclassificado, a partir de 1970, como sendo um transtorno específico, recebendo orientação psicoterapêutica de segurança.

Pode acontecer que, num surto do distúrbio do pânico, de natureza fisiológica, os inimigos espirituais do paciente aproveitem-se do desequilíbrio emocional do seu adversário e invistam agressivamente, acoplem-se-lhe no perispírito e produzam, simultaneamente, a indução obsessiva.

Trata-se, portanto, de uma problemática mais severa porque são dois distúrbios simultâneos, que exigem mais acurada atenção.

Nesse sentido. A psicoterapia espírita oferece recursos valiosos para a recuperação da saúde dos enfermos.

Concomitante ao tratamento especializado na área da Medicina, as contribuições espíritas de natureza fluídica, mediante os passes, a água magnetizada ou fluidificada, as leituras edificantes e a meditação, a prece ungida de amor e de humildade, os socorros desobsessivos em reuniões especializadas, sem a presença do paciente, oferecem os benefícios de que necessita.

Em face do débito moral ante as Leis da Vida, é indispensável que o padecente recupere-se

Humildade

Julio Moreira

Nada é mais importante que a humildade. Podemos procurar num ser humano todo tipo de virtude, porém, se nele não há humildade, a mãe de todas as virtudes, nenhuma outra terá valor de peso que a compense. Não podemos confundir humildade com submissão, conformismo, resignação ou qualquer outro adjetivo que venha a classificar um ser humilde em atos e palavras. A figura de Jesus é o exemplo maior de humildade que esse planeta de provas e expiações já conheceu. Na sua condição de Ser Maior usou da humildade para vencer os poderosos de então, usando de sabedoria suprema para nos ensinar a lição mais simples jamais ensinada e tão difícil de executar: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei!

O silêncio e a mansuetude é um bom princípio para se alcançar a plenitude da humildade. Como ensinou o filósofo Pitágoras (viveu em 500 a.C.): "Escuta e será sábio. O começo da sabedoria é o silêncio." Ousamos acrescentar esse pensamento com o seguinte: Ouvir em silêncio saberás avaliar o que responder e ao não responder serás humilde e conseqüentemente, sábio.

No Evangelho de Lucas (18:9 a 14) podemos ver o que Jesus nos ensinou com a seguinte parábola: "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu agradeceu a Deus por não ser como os outros e disse jejuar duas vezes por semana e doar dízimo sobre tudo que ganhava. O publicano sequer teve coragem para elevar os olhos aos céus, batendo no peito, disse: Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador". E Jesus ensinou: "Eu digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

A humildade é um sentimento de extrema importância, porque faz a pessoa reconhecer suas

próprias limitações, tem modéstia e ausência de orgulho. A humildade consta em praticamente todos os textos da Bíblia. Um fato dos mais relevantes é a passagem do centurião, de nome Marcus Lucius, em Cafarnaum, na Palestina, que tinha o grande sonho de tornar-se um famoso poeta. Em várias tentativas não logrou sucesso e, despendendo grande soma em dinheiro, adquiriu um jovem de origem grega (era comum ter escravos em casa), na esperança de adquirir com ele conhecimentos e inspirações helênicas. Não obteve sucesso, o que era previsível, porém, com o passar do tempo adquiriu grande estima pelo jovem, tendo-o como um filho. Veio uma grave enfermidade sobre o jovem e o desespero tomou conta da vida do centurião. Sem saber mais o que fazer, tomou conhecimento que Jesus estaria a caminho daquela cidade e poderia ajudá-lo. Por ser um oficial romano, treinado e acostumado à brutalidades do cargo entrou em profundo conflito existencial. Recorrer a um nazareno e ir de encontro às crenças de seu povo? Os deuses a quem recorrera não lhes corresponderam e seu filho piorava a cada dia. Vencendo as suas convicções pagãs foi de encontro ao Rabi e, humilde, lhe clamou auxílio. Vendo a necessidade e humildade daquele centurião, Cristo se propõe a ir à sua casa para levar a cura de seu filho e, nesse instante, ouve daquele homem, comovido, pleno de emoção, a frase que tanto procurou para se celebrizar: "Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado". Esse verso, de extrema humildade despretensiosamente criado, atravessou séculos, sendo repetido por milhões de pessoas até os dias de hoje.

O jovem recebeu a cura de Jesus e o mundo ganhou uma lição de humildade.

Que assim, seja!


Perto de Nós

Livro: Livro de Respostas - Espírito: Emmanuel - Médium: Francisco Cândido Xavier

Ama o lugar em que a Divina Providência te situa.

Distribui simpatia e bondade para com todos aqueles que te desfrutam a convivência.

Aproveita as tuas oportunidades de trabalho.

Na Terra, chega sempre um instante no qual reconhecemos que os afetos mais queridos e as situações mais valiosas estiveram sempre perto de nós.

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Múltiplas Questões da Mediunidade





Fidelidade


Extraído do Livro Diretrizes de Segurança - Médiuns: Divaldo P. Franco e J. Raul Teixeira

O médium pode trocar a tarefa mediúnica por outra atividade doutrinária?

Livro: Paz & Renovação Espírito: Batuíra Médium: Chico Xavier

DIVALDO A tarefa mediúnica será presente na vida do instrumento, onde quer que ele se localize. É óbvio que a tarefa mediúnica foi por ele elegida e não seria lícito que a abandonasse a meio do caminho num mecanismo de fuga à responsabilidade, para realização de outra que, certamente, não levará adiante. O indivíduo, por exercer a mediunidade, pode e deve assumir outras tarefas que dizem respeito ao labor da Casa Espírita, mesmo porque a mediunidade não irá tomar-lhe o tempo integral, de modo que o impeça de vivenciar a programática da Doutrina Espírita em outros níveis.

Neste momento, eu vejo aqui um médium desencarnado, que viveu em Belo Horizonte. Era militar e se chama Henrique Kemper Borges. Entregou-se à mediunidade, trabalhando por longos anos a fio, sem que isso lhe perturbasse o labor da vida militar, social e doutrinária abraçado, porque a educação da mediunidade, diz ele, "faz parte do Evangelho de Jesus e à luz da Codificação Espírita é uma diretriz de equilíbrio no culto do dever que o Espírito encarnado assume, para liberar-se do passado comprometido com aqueles a quem prejudicou e que ainda se encontram na Erraticidade inferior, necessitando de sua ajuda e de seu apoio. Qualquer motivo que objetive desviá-lo da tarefa abraçada é mecanismo de fuga para acumpliciamento com a ociosidade."

Sem dúvida, não nos pede o Senhor votos reluzentes na boca, nem promessas brilhantes.

Jesus não necessita nem mesmo das nossas afirmações labiais de fé, nem tampouco de manifestações adorativas.

Conta, sim, com a nossa fidelidade, sejam quais forem as circunstâncias.

Se o dia resplende o céu azul, tenhamos a coragem de romper com todas as sugestões de conforto próprio, avançando à frente...

Se a tempestade relampeia no teto do mundo, cultivemos bastante abnegação para sofrer o granizo e o vento, demandando o horizonte que nos cabe atingir.

De todos os lados, invariavelmente, chegarão apelos que nos convidam à deserção. Elogios e injúrias,

pedrada e incenso aparecerão, decerto, como procurando entorpecer-nos a consciência, no entanto, a cavaleiro de uns e outros, é imperioso recordar o Divino Mestre, na pessoa do próximo, e buscá-lo sem pausa, através do bem incessante.

Somos poucos; no entanto, com Ele no coração, teremos o suficiente para executar as obrigações com que fomos honrados.

Saibamos conservar a fidelidade, como quem alça ininterruptamente a luz nas trevas, pois que, em muitos lances da vida, precisamos muito mais de lealdade no Espírito que de pão para o corpo.

Para que semelhante vitória nos coroe o caminho, tanta vez solitário e espinhoso, o segredo é suportar, e o lema é servir.

Se alguém interrompe sua tarefa mediúnica pode isto lhe causar danos? Por quê?

DIVALDO O êxito de qualquer atividade depende do exercício da aptidão de que se é objeto. A mediunidade, segundo Allan Kardec, "é uma certa predisposição orgânica" (ESE, cap. XXIV, item 12) de que as pessoas são investidas. A faculdade mediúnica é do Espírito. A mediunidade é-lhe uma resposta celular do organismo. Apresenta-se como sendo uma aptidão. Se a prática não é convenientemente educada, canalizada para a finalidade a que se destina, os resultados não são, naturalmente, os desejados. A pessoa, não conduzindo corretamente as suas forças mediúnicas, não logra os objetivos que persegue. Abandonando a tarefa a meio termo, é natural que a mesma lhe traga os efeitos que são conseqüentes do desprezo a que está relegada. Qualquer instrumento ao abandono é vítima da ferrugem ou do desajuste. Emmanuel, através da abençoada mediunidade de Chico Xavier, afirmou com lógica. "Quanto mais trabalha a enxada, mais a lâmina se aprimora. A enxada relegada ao abandono vai carcomida pela ferrugem."

Quando educamos a mediunidade, ampliando a nossa percepção parafísica, desatrelamos faculdades que jaziam embrionárias.

Se, de um momento para outro, mudamos a direção que seria de esperar-se, é óbvio que a mediunidade não desaparece e o intercâmbio que se dá muda de condutor. O indivíduo continua médium, mas já que ele não dirige a faculdade para as finalidades nobres, vai conduzido pelas Entidades invigilantes, no rumo do desequilíbrio.

Daí dizer-se, em linguagem popular, que a mediunidade abandonada traz muitos danos àquele que lhe é portador. Isto ocorre porque o indivíduo muda de mãos. Enquanto está no exercício correto de suas funções, encontra-se sob o amparo de Entidades responsáveis. Na hora que inclina a mente e o comportamento para outras atividades transfere-se de sintonia, e aqueles com os quais vai manter o contato psíquico são, invariavelmente, de teor vibratório inferior, produzindo-lhe danos.

Também seria o caso de perguntarmos ao pianista o que acontece com aquele que deixa de exercita a arte a que se dedica no campo da música. Ele dirá que perde o controle motor, que as articulações perderam a flexibilidade, a concentração desapareceu e ele vai, naturalmente, prejudicado por uma série de temores que o assaltam, impedindo-lhe o sucesso. A mediunidade é um compromisso para toda "a vida" e não apenas para toda uma reencarnação. Porque, abandonando os despojos materiais, o médium prossegue exercitando a sua percepção parafísica em estágios mais avançados e procurando chegar às faixas superiores da Vida.


(Síndrome do Pânico)

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espiritualmente, por meio da vontade para alterar a conduta para melhor, envide esforços para sensibilizar a sua vítima antiga, e afaste-a através da paciência, da compaixão e da solidariedade.

O distúrbio do pânico é transtorno cruel, porque durante o surto pode induzir o paciente ao suicídio, conforme sucede com relativa freqüência, em razão do desespero que toma conta da emoção do mesmo.

O hábito da oração e o recurso das ações em favor do próximo em sofrimento constituem uma admirável medicação preventiva às investidas dos Espíritos inferiores, equilibram as neurotransmissões e facultam a manutenção da harmonia possível.

A reencarnação é, graças a isso, o abençoado caminho educativo para o Espírito que, em cada etapa, desenvolve os tesouros sublimes da inteligência e da emoção, da beleza e do progresso, avançando com segurança na conquista da plenitude que a todos está reservada.

As enfermidades, especialmente as de caráter emocional e psiquiátrico constituem, assim como outras orgânicas de variadas expressões, desde as degenerescências genéticas até as de caráter infeccioso,

métodos educativos e reeducativos para o discípulo da Verdade.

A cada erro cometido tem lugar uma nova experiência corretiva, de forma que a consciência individual, harmonizada, possa sintonizar com a Consciência Cósmica, numa sinfonia de incomparável beleza.

Somente, portanto, existem as doenças porque permanecem enfermos em si mesmos os Espíritos devedores.

Seja qual for a situação em que te encontres na Terra, abençoa a existência, conforme se te apresente.

Se dispões de saúde e desfrutas de bem-estar, multiplica os dons da bondade e serve, esparze alegria, sem o desperdício do tempo em frivolidades e comprometimentos perturbadores.

Se te encontras enjaulado em qualquer forma de sofrimento, bendize o cárcere que te impede piorar a situação evolutiva e evita que novamente derrapes nos desaires e alucinações.

O corpo é uma dádiva superior que Deus concede a todos os infratores, a fim de que logrem a superação da argamassa celular para cantar as glórias imarcescíveis do Amor completamente livre.

PROGRAMA ONDAS DE LUZ

O dever cumprido é mais vida que irradia na consciência; orar não é somente balbuciar palavras, mas corrigir a conduta.

Assista nosso programa às quartas feiras de 11h30min. às 11h55min. transmitido pela Rádio Rio de Janeiro, 1400 kHz, apresentação Dirceu Machado.

Livro: Canção da Natureza Espírito: Kahena Médium: João Nunes Maia

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Reencarnação



A Saga da Casa da Mãe Pobre

Extraído do Livro Casa da Mãe Pobre - 50 Anos de Amor - Autor: Henrique Magalhães

Livro: Religião dos Espíritos - Espírito: Emmanuel - Médium: Francisco Cândido Xavier

Nova Frente de Trabalho em Teresópolis

Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.

Suor na oficina é acesso à competência.

Esforço na escola é aquisição de cultura.

Porque alguém se consagre hoje à Medicina, não quer isso dizer que haja ontem semeado moléstias e sofrimentos.

Muitas vezes, o Espírito, para senhorear o domínio das ciências que tratam do corpo, voluntariamente lhes busca o trato difícil, no rumo de mais elevada ascensão.

Porque um homem se dedique presentemente às atividades da engenharia, não exprime semelhante escolha essa ou aquela dívida do passado na destruição dos recursos da Terra.

Em muitas ocasiões, o Espírito elege esse gênero de trabalho, tentando crescer no conhecimento das leis que regem o plano material, em marcha para mais altos postos na Vida Superior.

Entretanto, se o médico ou o engenheiro sofrem golpes mortais no exercício da profissão a que se devotam, decerto nela possuem serviço reparador que é preciso atender na pauta das corrigendas necessárias e justas.

Toda restauração exige dificuldades equivalentes.

Todo valor evolutivo reclama serviço próprio.

Nada existe sem preço.

Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas sublimes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz.

À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas heróicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulses do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança de Deus.

Recorda que, se fosses arrebatado ao Céu, não tolerarias o gozo estanque, sabendo que os teus filhos se agitam no torvelinho infernal. De imediato, solicitarias a descida aos tormentos da treva para ajudá-los na travessia da angústia...

Lembra-te disso e compreenderás, por fim, a grandeza do Cristo que, sem débito algum, condicionou-se às nossas deficiências, aceitando, para ajudar-nos, a cruz dos ladrões, para que todos consigamos, na glória de seu amor, soerguer-nos da morte no erro à bênção da Vida Eterna.

Ismael Gomes Braga, um nome largamente conhecido, um dos maiores propagandistas do Esperanto e do Espiritismo no Brasil. Conhecemo-lo na Federação Espírita Brasileira, cultivando sua amizade até o seu desenlace.

Ao tomarmos conhecimento de que Ismael era tio de outro grande coração, Joaquim Rola, pedimos-lhe para nos apresentar a essa singular figura, proprietária de quase toda a Teresópolis, com exceção dos terrenos adquiridos pela família Guinle, no Alto de Teresópolis.

Depois de longa espera, talvez cinco anos, o senhor Joaquim doou amplo terreno de 4.800 metros quadrados à Casa da Mãe Pobre para construirmos um abrigo para velhinhos desvalidos, crianças e um Grupo Escolar.

Era seu gerente, em Teresópolis, o ilustre engenheiro Dr. Heraldo Portela, pessoa muito digna, que nos levou ao local.

Nessa oportunidade, observamos enorme bloco de pedra que ficava ao lado do terreno doado, com possivelmente 100 metros de altura. E, então, pensamos intimamente: "Por que não iniciar aqui uma extração de pedra? Ajudaria a manutenção do futuro Abrigo..."

Perguntamos ao Dr. Portela:

- De quem é esse terreno ao lado?

- É da Companhia - respondeu ele, o que significava que era também do senhor Joaquim Rola.

- Qual o tamanho e o preço? - indagamos.

Como resposta, o Dr. Portela convidou-nos a ir ao escritório. Daí a pouco estávamos frente a uma grande planta e a um enorme livro. Indicando as duas peças, informou:

- São três lotes de terra com mais de 69.000 metros quadrados.

- Qual o preço? - voltamos a indagar.

- Há três anos custava quatro milhões e quatrocentos mil cruzeiros. E continua o mesmo preço.

Dois dias após, estávamos frente ao Sr. Joaquim para agradecer-lhe a doação do terreno acima citado. Aproveitamos a oportunidade para lhe fazer novo pedido. Criamos coragem e indagamos:

- Senhor Joaquim, junto ao terreno que nos doou, a Companhia possui três outros, cujo conjunto forma um enorme penedo. O Dr. Portela informou-nos que seu preço é quatro milhões e quatrocentos mil cruzeiros aproximadamente. Será que o senhor poderia fazer-nos mais meia caridade?

O bom amigo encarou-nos um tanto desconfiado e indagou:

- O que é que o senhor entende por meia caridade?

- Metade do preço...

O amigo olhou para o teto por momentos e respondeu:

- Diga ao Portela para falar comigo.

Dias depois estávamos frente ao Dr. Portela, em Teresópolis, transmitindo-lhe o recado.

Uns dois meses após, o Dr. Portela recomendou-nos que procurássemos novamente o Sr. Joaquim, adiantando-nos que já se tinha avistado com ele, preparando-nos o caminho.

Dois dias depois voltamos a dialogar com o Sr. Joaquim nos seguintes termos:

- O Dr. Portela encaminhou-nos novamente a falar com o senhor, a respeito daquele terreno, ou melhor, daquele pedregulho...

Depois dos cumprimentos, chamou o Gerente do Rio e perguntou-lhe:

- Rocha, o Sr. Magalhães quer comprar para a Instituição que ele representa aqueles três lotes de nosso conhecimento. Mas somente quer pagar a metade do preço estipulado. Que acha você?

- Bem, Sr. Joaquim - respondeu o velhinho -, só lhe adiantarei que se trata de uma Casa de Caridade.

Ele pensou um instante e respondeu, como a falar para si mesmo:

- Se pagassem à vista...

Apanhamos a resposta no ar e informamos-lhe que reuniríamos a Diretoria para resolvermos o assunto.


(Nova Frente de Trabalho em Teresópolis)

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A primeira medida levada a efeito foi falar com Dona Mathilde, administradora do Hospital da Casa da Mãe Pobre. Tinha ela aberto uma conta no Banco Itaú para a Instituição, somente para depositar donativos por ela recebidos. Ao lhe perguntarmos qual o montante depositado, indagou:

- Para que quer o senhor o dinheiro?

Informamos que era para comprar um terreno em Teresópolis, pondo-a a par de nossos projetos. Entusiasmada, anuiu imediatamente, comunicando que a Instituição tinha nessa conta pouco mais de um milhão de cruzeiros.

De posse dessa informação, levamos nosso projeto à Diretoria, na primeira reunião. Foi aprovada a aquisição do terreno, desde que o vendedor aquiescesse em receber a metade à vista e o restante no prazo de seis meses. Levada a última palavra ao Sr. Joaquim, foi aceita a proposta. Dias depois era assinada a Escritura de Compra e Venda.

Foi assim que começou a nova etapa de trabalho da Casa da Mãe Pobre, em Teresópolis, cujos frutos estão sendo colhidos, vencendo dificuldades de toda a ordem, em nome de Deus.

O Senhor seja louvado!

... Sai de ti mesmo e olha em torno: verás, por todos os lados, os irmãos infortunados rogando o amparo de alguém.

(Livro: Coração e Vida - Espírito: Maria Dolores - Médium: Francisco Cândido Xavier)

DEPOIS DE LER O BOLETIM, PASSE-O ADIANTE. ESPALHE LUZ!

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